William Waack, G1
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Como você se comportaria no caso dos militares britânicos capturados pelo Irã em águas do Golfo Pérsico? Não foi só com alegria que os 14 marinheiros e 1 marinheira foram recebidos de volta em casa. Parte da imprensa britânica deplorou o fato dos militares terem, aparentemente, "cooperado" com os captores iranianos. Alguns deles foram mostrados, quase sorridentes, em vídeos gravados em Teerã dizendo que haviam, sim, invadido águas territoriais iranianas, algo que o governo britânico continua negando.
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A única mulher no grupo escreveu uma carta à família, na qual pedia que as tropas britânicas deixassem o Iraque. E um dos marinheiros apareceu na televisão iraniana agradecendo o tratamento recebido, e cumprimentando efusivamente o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Numa entrevista anterior, concedida à uma emissora britânica, e levada ao ar apenas depois da libertação do grupo, o oficial que os comandava dava uma impressão resoluta e determinada - como os britânicos adoram ver seus profissionais em armas - dizendo que uma das missões do grupo era recolher informações sobre o comportamento de unidades iranianas na região (que os mais afoitos traduziram como "missão de espionagem").
A única mulher no grupo escreveu uma carta à família, na qual pedia que as tropas britânicas deixassem o Iraque. E um dos marinheiros apareceu na televisão iraniana agradecendo o tratamento recebido, e cumprimentando efusivamente o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Numa entrevista anterior, concedida à uma emissora britânica, e levada ao ar apenas depois da libertação do grupo, o oficial que os comandava dava uma impressão resoluta e determinada - como os britânicos adoram ver seus profissionais em armas - dizendo que uma das missões do grupo era recolher informações sobre o comportamento de unidades iranianas na região (que os mais afoitos traduziram como "missão de espionagem").
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Não adiantou o ministro da Defesa britânico, Des Browne, afirmar que os capturados se comportaram de maneira apropriada e conveniente. Quando eles ainda estavam detidos em Teerã, fontes do governo em Londres respondiam aos vídeos iranianos afirmando que os prisioneiros, obviamente, teriam sido obrigados a dizer o que não deveriam ter dito. Quanto é apropriado para um prisioneiro dizer se com isso ele acha que volta mais cedo pra casa?
Não adiantou o ministro da Defesa britânico, Des Browne, afirmar que os capturados se comportaram de maneira apropriada e conveniente. Quando eles ainda estavam detidos em Teerã, fontes do governo em Londres respondiam aos vídeos iranianos afirmando que os prisioneiros, obviamente, teriam sido obrigados a dizer o que não deveriam ter dito. Quanto é apropriado para um prisioneiro dizer se com isso ele acha que volta mais cedo pra casa?
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No "Daily Mail", um conhecido colunista conservador, Steven Glover, foi ao ponto: "eu não quero criticar os prisioneiros-reféns pela sua aparente disposição em cooperar (com os iranianos) e pedir desculpas", escreveu, "mas em nenhum conflito de eras anteriores militares britânicos teriam se comportado dessa maneira".
No "Daily Mail", um conhecido colunista conservador, Steven Glover, foi ao ponto: "eu não quero criticar os prisioneiros-reféns pela sua aparente disposição em cooperar (com os iranianos) e pedir desculpas", escreveu, "mas em nenhum conflito de eras anteriores militares britânicos teriam se comportado dessa maneira".
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De fato, particularmente as Forças Armadas britânicas vivem do mito de que o comportamento de seus homens e mulheres é sempre heróico, ou quase. Ainda é vendido no país um best seller de 1991, "Bravo Two Zero", com as reminiscências de um soldado das tropas especiais britânicas capturado, espancado e torturado por iraquianos na primeira Guerra do Golfo, e que nada disse a seus algozes. Ele, e os sobreviventes de seu grupo, só foram libertados depois da derrota de Saddam. Na mesma guerra, porém, pilotos britânicos abatidos pela defesa anti-aérea iraquiana apareceram apavorados e confusos em vídeos divulgados em Bagdá.
De fato, particularmente as Forças Armadas britânicas vivem do mito de que o comportamento de seus homens e mulheres é sempre heróico, ou quase. Ainda é vendido no país um best seller de 1991, "Bravo Two Zero", com as reminiscências de um soldado das tropas especiais britânicas capturado, espancado e torturado por iraquianos na primeira Guerra do Golfo, e que nada disse a seus algozes. Ele, e os sobreviventes de seu grupo, só foram libertados depois da derrota de Saddam. Na mesma guerra, porém, pilotos britânicos abatidos pela defesa anti-aérea iraquiana apareceram apavorados e confusos em vídeos divulgados em Bagdá.
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Chama-se "síndrome de Estocolmo" o comportamento de alguns tipos de pessoas que foram feitas reféns, e que consiste em desenvolver uma relação de simpatia com os captores. O próprio ministro da Defesa britânico chegou próximo a admitir isso quando disse, no dia em que os militares britânicos foram libertados, que eles eram "muito jovens" e foram submetidos "a muitas pressões".
Chama-se "síndrome de Estocolmo" o comportamento de alguns tipos de pessoas que foram feitas reféns, e que consiste em desenvolver uma relação de simpatia com os captores. O próprio ministro da Defesa britânico chegou próximo a admitir isso quando disse, no dia em que os militares britânicos foram libertados, que eles eram "muito jovens" e foram submetidos "a muitas pressões".
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Christopher Dandeker, professor de sociologia militar na University College de Londres, foi citado em várias publicações dizendo que estava bastante preocupado com o comportamento dos jovens militares capturados pelos iranianos, mas por outros motivos. "Eles provavelmente não receberam nenhum tipo de treinamento especial para o caso de serem feitos prisioneiros, mesmo operando numa região em conflito e em águas contestadas por um claro adversário do nosso governo", disse.
Christopher Dandeker, professor de sociologia militar na University College de Londres, foi citado em várias publicações dizendo que estava bastante preocupado com o comportamento dos jovens militares capturados pelos iranianos, mas por outros motivos. "Eles provavelmente não receberam nenhum tipo de treinamento especial para o caso de serem feitos prisioneiros, mesmo operando numa região em conflito e em águas contestadas por um claro adversário do nosso governo", disse.
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O comportamento sob stress, especialmente o stress de ser prisioneiro, varia bastante e nenhum tipo de treinamento é capaz de chegar próximo da situação real, apesar das denúncias de abusos cometidos contra militares passando por esse tipo de "preparação" em forças armadas de diferentes países. Mas não há dúvidas de que, jovens ou não, os 15 britânicos capturados pelos iranianos estavam numa situação que provavelmente jamais imaginaram que teriam de enfrentar.
O comportamento sob stress, especialmente o stress de ser prisioneiro, varia bastante e nenhum tipo de treinamento é capaz de chegar próximo da situação real, apesar das denúncias de abusos cometidos contra militares passando por esse tipo de "preparação" em forças armadas de diferentes países. Mas não há dúvidas de que, jovens ou não, os 15 britânicos capturados pelos iranianos estavam numa situação que provavelmente jamais imaginaram que teriam de enfrentar.
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Comportaram-se, na minha opinião, como seres humanos. Talvez como profissionais (todos eram voluntários para servir na Marinha) não necessariamente identificados com a política de seu governo. Não é totalmente negativo, muito menos para os mitos britânicos, perceber que debaixo do uniforme, e por trás das armas, esses militares capturados são, antes de mais nada, gente normal.
Comportaram-se, na minha opinião, como seres humanos. Talvez como profissionais (todos eram voluntários para servir na Marinha) não necessariamente identificados com a política de seu governo. Não é totalmente negativo, muito menos para os mitos britânicos, perceber que debaixo do uniforme, e por trás das armas, esses militares capturados são, antes de mais nada, gente normal.