quarta-feira, maio 09, 2007

O MR-8 continua a fazer sexo sem tirar as meias

Reinaldo Azevedo

O MR-8, quem diria?, está com medo. O movimento que, nas digníssimas palavras do agora ministro Franklin Martins, defendia justiçamentos no tempo em que também praticava seqüestros, parece temer um processo judicial.
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Como vocês sabem, o Hora do Povo, jornal do MR-8, que conta com publicidade oficial, ameaçou Diogo Mainardi de morte. Numa nota publicada na primeira página de sua nova edição, os valentões negam que o tenham feito e preferem me atacar, sem citar meu nome — pelo que não posso deixar de lhes ser grato. Agora escrevem os bravos: “Não ameaçamos ninguém de morte, muito menos o Mainardi. Nós apenas o aconselhamos a não insistir na piada de se comparar a Bacuri (...)”. Sei. Caso Diogo não acate a recomendação dos “companheiros”, acontece o quê?
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O MR-8 ressurgiu na fase da redemocratização, nos estertores do regime militar, como um tumor dentro do então MDB — depois PMDB. Ali, tornou-se um dos muitos braços de Orestes Quércia, a quem chamava de “O Grande Timoneiro”. Há um anão muito famoso da imprensa que também nadou nas facilidades do quercismo e, até hoje, arrota por aí a sua “independência”. Hoje, vê-se, o “8” lulou de vez.
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Lembro dessa gente, ali por 1980, na USP. Eu era militante trotskista — Ah, os pecados de todos nós!!! Havia uma metáfora de cunho sexual para definir as tendências políticas na universidade. Era mais ou menos assim: os trotskistas faziam sexo pelados e, sem possível, em bando (revolução permanente); o Partidão (PCB) preferia transar de terno e gravata (para compor com a burguesia nacional, contra o imperialismo); e o MR-8 (sem radicalismo, companheiros) era do tipo que não tirava as meias. Vale dizer: mesmo segundo uma ótica mais genericamente perturbada, a das esquerdas (de qualquer uma), eles eram a mediocridade sem caráter.
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Ameaçaram Diogo de morte, sim. E acho que terão de pagar por isso no fórum apropriado.