por Fabio Rabello, Blog Diego Casagrande
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Há duas semanas, deixei explícito num artigo de jornal meu desamor pela cidade onde moro e, mais uma vez, implicaram comigo. Num único e-mail escrito por algum leitor meu, fui xingado de vagabundo e de burguês, como se tais adjetivos a mim atribuídos fossem coisas distintas. Além do mais, ser tachado de burguês só me envaidece: isso é tudo o que almejo. Por isso mesmo, já dei o primeiro passo para atingir essa minha meta. Andei pensando seriamente em parar de trabalhar ou, quem sabe, assumir algum cargo no funcionalismo público, tanto faz, já que essas duas idéias se confundem, feito meu leitor ao tentar, sem êxito, me ofender.
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Em um outro e-mail me disseram que escrevo de uma forma tão eficaz e direta como faz o presidente da república em seus discursos de improviso. Aí, sim, quase parei de escrever. No entanto, depois disso passei a prestar mais atenção nas palavras proferidas por Lula, aumentei o volume da televisão, pedi silêncio àqueles que estavam ao meu redor, me concentrei ao máximo. Tudo em vão. Bem mais da metade de tudo aquilo que é dito pelo presidente soa como chiado de televisão velha. Só não entendo por que Lula, ao assumir a presidência, pediu que fossem instalados misturadores de vozes em todos os seus aparelhos telefônicos. Como se ele precisasse de tais artefatos eletrônicos para tornar sua fala absolutamente inteligível. Em função disso, passei a pesquisar o site da Radiobrás, onde me é possível ler os discursos do presidente ao invés de ouvi-los. Foi lá que encontrei o seguinte trecho:
Em um outro e-mail me disseram que escrevo de uma forma tão eficaz e direta como faz o presidente da república em seus discursos de improviso. Aí, sim, quase parei de escrever. No entanto, depois disso passei a prestar mais atenção nas palavras proferidas por Lula, aumentei o volume da televisão, pedi silêncio àqueles que estavam ao meu redor, me concentrei ao máximo. Tudo em vão. Bem mais da metade de tudo aquilo que é dito pelo presidente soa como chiado de televisão velha. Só não entendo por que Lula, ao assumir a presidência, pediu que fossem instalados misturadores de vozes em todos os seus aparelhos telefônicos. Como se ele precisasse de tais artefatos eletrônicos para tornar sua fala absolutamente inteligível. Em função disso, passei a pesquisar o site da Radiobrás, onde me é possível ler os discursos do presidente ao invés de ouvi-los. Foi lá que encontrei o seguinte trecho:
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“Muitas vezes, a gente não consegue nem detectar o faminto e se aqueles que estão comendo estão comendo as calorias necessárias a uma qualidade de vida humana que as pessoas têm que ter”.
“Muitas vezes, a gente não consegue nem detectar o faminto e se aqueles que estão comendo estão comendo as calorias necessárias a uma qualidade de vida humana que as pessoas têm que ter”.
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Ou então:
“Vou agir assim porque tenho consciência da responsabilidade que está nas costas das pessoas que me elegeram.”
Interessante. Lula se liberta da responsabilidade assumida por um dirigente de Estado e a deposita sobre nós. O Brasil, de fato, nunca foi tão bem representado. Lula é uma síntese de todos os brasileiros e está para nós assim como Vasco da Gama está para Portugal em Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.Mais adiante, no mesmo discurso, Lula afirma que o Brasil precisa parar de ser visto por nós como o “quarto de despejo dos países do primeiro mundo”. Estaríamos bem melhor se assim fôssemos. Quarto de despejo de país desenvolvido não tem gente morrendo de fome, dengue ou outra doença idiota qualquer. Nada disso. Eles são organizados, têm churrasqueiras e aparelhos eletrônicos que ainda nem sequer se cogita a possibilidade de chegarem por aqui. E são muito bem administrados.
Ou então:
“Vou agir assim porque tenho consciência da responsabilidade que está nas costas das pessoas que me elegeram.”
Interessante. Lula se liberta da responsabilidade assumida por um dirigente de Estado e a deposita sobre nós. O Brasil, de fato, nunca foi tão bem representado. Lula é uma síntese de todos os brasileiros e está para nós assim como Vasco da Gama está para Portugal em Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.Mais adiante, no mesmo discurso, Lula afirma que o Brasil precisa parar de ser visto por nós como o “quarto de despejo dos países do primeiro mundo”. Estaríamos bem melhor se assim fôssemos. Quarto de despejo de país desenvolvido não tem gente morrendo de fome, dengue ou outra doença idiota qualquer. Nada disso. Eles são organizados, têm churrasqueiras e aparelhos eletrônicos que ainda nem sequer se cogita a possibilidade de chegarem por aqui. E são muito bem administrados.
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Enfim, eu adoraria que meu país fosse um quartinho de despejo.
Enfim, eu adoraria que meu país fosse um quartinho de despejo.