LEGALIZANDO O CRIME E A MISÉRIA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Liberando o crime
O Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, ao anunciar o limite de compras anuais em R$ 120,0 mil, declarou que o projeto de regularização dos sacoleiros, que atuam trazendo mercadorias do Paraguai para o Brasil, “(...) não representa legalização do contrabando (...). Seria interessante que o secretário nos esclarecesse como ele define esta atividade dos sacoleiros. Provavelmente, qualquer coisa parecida com “atividades de importação de pequeno valor sem comprovação fiscal” . Sim porque tanto quanto se saiba, as compras no Paraguai são feitas sem nota fiscal, até porque como o fato gerador ocorre no lado paraguaio, o imposto deveria ser recolhido no país vizinho.
De qualquer modo, dê a desculpa que quiser, mas com ou sem limite, o comércio como tal se processa, é sim contrabando, mesmo que o secretário Jorge Rachid não queira reconhecer.
Aliás, no Brasil há uma tendência no mínimo esdrúxula de parte do atual governo. Como ele não consegue fiscalizar coisa alguma por preguiça e incompetência, é mais fácil “legalizar” os crimes.
Não será de espantar que neste ritmo, dentro em breve, corrupção deixará de ser crime. Passará a ter um limite fixado pela Receita Federal em que o roubo será declarado de livre movimentação, desde que o praticante recolha um pequeno óbulo aos cofres da União.
Inconseqüentes
O senador José Agripino (DEM-RN), reagindo as ataques grosseiros de Hugo Chavez ao Congresso Nacional brasileiro, disse que o caudilho é inconseqüente verbal. Acertou em parte: o ditador venezuelano é um inconseqüente total. E por falar em inconseqüente, a reação de Lula professa na cartilha da frouxidão. Inconseqüente do mesmo modo.
Ar maneiro, mano!
Conforme vocês puderam ler, um estudo feito na Itália, detectou grande concentração de partículas de cocaína e maconha, além de cafeína e tabaco por cientistas que analisavam a composição atmosférica da capital. O estudo foi além: constatou que o nível destas drogas no ar foi maior sobre a universidade Sapienza de Roma, apesar do pesquisador Angelo Cecinato, do Conselho Nacional de Pesquisa (CNP) ter alertado sobre conclusões precipitadas sobre os hábitos de recreação dos estudantes italianos. Sei, as partículas foram levadas pelos ventos vindo do Mediterrâneo, é ?
Agora, quando o mano quiser dar uma “viajada” legal é só respirar os ares da Universidade de Sapienza. Na hora da aula, o moleque vai estar doidão de vez...
Um plano sem entusiasmo
Parece que o brasileiro aos poucos vai aceitando a criminalidade como coisa rotineira no seu dia a dia. Nesta semana Lula anunciou o PAC da segurança, mais um pacote na linha do “embromation” federal. É o terceiro plano de segurança em quatro anos e meio de governo. Não se sabe o que fizeram das metas e projetos dos pacotes anteriores. É provável que tenham sido incorporados neste de agora. De qualquer forma, o pouco entusiasmo e a pouca repercussão na imprensa são preocupantes: parece que ninguém acredita no novo pac. Acho que Lula precisará reunir-se com seus marqueteiros para bolar novas estratégias de empulhação: a do pac parece já estar muito desgastada.
Formalidade versus informalidade
O Banco Mundial anunciou uma pesquisa preocupante em relação à América Latina, mas em especial em relação ao Brasil. Estudo constatou que, em muitos casos, a informalidade na América Latina é uma opção. De acordo com a pesquisa, 70% dos trabalhadores autônomos no Brasil não querem passar para a formalidade, assim como 30% dos trabalhadores informais preferem não ter carteira assinada. A informalidade, que no Brasil representa aproximadamente 45% do setor produtivo, concluiu a pesquisa, tem um efeito perverso na economia. Cria barreiras para o crescimento dos próprios negócios informais e reduz a produtividade das empresas regularizadas.
No Brasil, apesar do estudo não revelar, sabe-se bem as razões que levam a esta situação: de um lado, o excessivo peso de impostos e taxas sobre salários e produção. Quando o nível se torna asfixiante, a tendência é as pessoas começarem a se proteger. A outra, mais recente, se dá em razão de que grande número de pessoas tem medo de perderem a receita dos programas assistencialistas do governo.
Este fenômeno já comentamos aqui: muita gente está preferindo até nem trabalhar do que ficar sem o pagamento dos bolsas qualquer coisa distribuídos pelo governo federal. Isto é sintomático de que os programas sociais do governo Lula precisam ser revistos, para proporcionarem portas de saída para o cidadão não se sentir desamparado quando os pagamentos cessarem por ele haver conseguido algum emprego.
De outro lado, os salários no país também estão bastante aviltados. A renda média não pára de cair. Muito embora o desemprego se mantenha elevado há muito tempo, mas há atividades em que os ganhos dos empresários são tais que poderiam, perfeitamente bem, acomodar um pagamento de salário bem maias elevado do que o que atualmente se pratica. Claro que os empresários alegam excessiva carga tributária para se negarem a pagar melhor seu empregados. Mas, em muitos casos, esta cantilena é apenas uma ladainha gasta e mentirosa. Querem um exemplo? Os bancários. Pelo muito que o sistema bancário no país tem tido de lucros nos últimos anos, não acomodaria uma remuneração média mais elevada para seus funcionários ? Por certo que sim.
Não é de estranhar, por exemplo, que focos de trabalho escravo ainda existam no país. Grande parte do empresariado não se deu conta ainda de sua função e responsabilidade sociais.
Não se justifica que o trabalhador brasileiro trabalhe sob o tacão do constrangimento e da exploração. Está na hora dos empresários repensarem um pouco mais esta questão de salários. Pagar mais representa ganhos de produtividade, além de fortalecer o mercado interno para consumir mais. Inclusive seus próprios produtos e serviços.
Do lado do governo, poderia ter um pouco mais de visão de futuro, e assim priorizar inúmeras reformas que demagogicamente se nega em fazer e propor, sob o discurso cretino de “não cortar direitos”. Mas que direitos são estes que fazem com que todos acabem ganhando misérias em troca de trabalho? Preservar o atual estado só beneficia aqueles que sempre ganharam fortunas e nos deram coisa alguma em troca: o governo, que não abre mão de suas “receitas” extorquidas da nação, e assim não precisa preocupar-se com a eficiência de seus gastos, e as grandes empresas que empurram para o consumidor (isto é, o próprio trabalhador), a montanha de impostos que o governo lhe cobra. Ou seja: perdemos nos salários, que ficam cada vez mais aviltados, e no consumo, com os preços embutindo toda a gastança pública e a ganância das empresas.
Se este governo realmente estivesse preocupado, minimamente, com o social, poderia pensar um pouco mais sobre esta questão, e abandonar de vez este discurso demagógico de “não cortar direitos” de quem não tem direito de ter melhor qualidade de vida.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Liberando o crime
O Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, ao anunciar o limite de compras anuais em R$ 120,0 mil, declarou que o projeto de regularização dos sacoleiros, que atuam trazendo mercadorias do Paraguai para o Brasil, “(...) não representa legalização do contrabando (...). Seria interessante que o secretário nos esclarecesse como ele define esta atividade dos sacoleiros. Provavelmente, qualquer coisa parecida com “atividades de importação de pequeno valor sem comprovação fiscal” . Sim porque tanto quanto se saiba, as compras no Paraguai são feitas sem nota fiscal, até porque como o fato gerador ocorre no lado paraguaio, o imposto deveria ser recolhido no país vizinho.
De qualquer modo, dê a desculpa que quiser, mas com ou sem limite, o comércio como tal se processa, é sim contrabando, mesmo que o secretário Jorge Rachid não queira reconhecer.
Aliás, no Brasil há uma tendência no mínimo esdrúxula de parte do atual governo. Como ele não consegue fiscalizar coisa alguma por preguiça e incompetência, é mais fácil “legalizar” os crimes.
Não será de espantar que neste ritmo, dentro em breve, corrupção deixará de ser crime. Passará a ter um limite fixado pela Receita Federal em que o roubo será declarado de livre movimentação, desde que o praticante recolha um pequeno óbulo aos cofres da União.
Inconseqüentes
O senador José Agripino (DEM-RN), reagindo as ataques grosseiros de Hugo Chavez ao Congresso Nacional brasileiro, disse que o caudilho é inconseqüente verbal. Acertou em parte: o ditador venezuelano é um inconseqüente total. E por falar em inconseqüente, a reação de Lula professa na cartilha da frouxidão. Inconseqüente do mesmo modo.
Ar maneiro, mano!
Conforme vocês puderam ler, um estudo feito na Itália, detectou grande concentração de partículas de cocaína e maconha, além de cafeína e tabaco por cientistas que analisavam a composição atmosférica da capital. O estudo foi além: constatou que o nível destas drogas no ar foi maior sobre a universidade Sapienza de Roma, apesar do pesquisador Angelo Cecinato, do Conselho Nacional de Pesquisa (CNP) ter alertado sobre conclusões precipitadas sobre os hábitos de recreação dos estudantes italianos. Sei, as partículas foram levadas pelos ventos vindo do Mediterrâneo, é ?
Agora, quando o mano quiser dar uma “viajada” legal é só respirar os ares da Universidade de Sapienza. Na hora da aula, o moleque vai estar doidão de vez...
Um plano sem entusiasmo
Parece que o brasileiro aos poucos vai aceitando a criminalidade como coisa rotineira no seu dia a dia. Nesta semana Lula anunciou o PAC da segurança, mais um pacote na linha do “embromation” federal. É o terceiro plano de segurança em quatro anos e meio de governo. Não se sabe o que fizeram das metas e projetos dos pacotes anteriores. É provável que tenham sido incorporados neste de agora. De qualquer forma, o pouco entusiasmo e a pouca repercussão na imprensa são preocupantes: parece que ninguém acredita no novo pac. Acho que Lula precisará reunir-se com seus marqueteiros para bolar novas estratégias de empulhação: a do pac parece já estar muito desgastada.
Formalidade versus informalidade
O Banco Mundial anunciou uma pesquisa preocupante em relação à América Latina, mas em especial em relação ao Brasil. Estudo constatou que, em muitos casos, a informalidade na América Latina é uma opção. De acordo com a pesquisa, 70% dos trabalhadores autônomos no Brasil não querem passar para a formalidade, assim como 30% dos trabalhadores informais preferem não ter carteira assinada. A informalidade, que no Brasil representa aproximadamente 45% do setor produtivo, concluiu a pesquisa, tem um efeito perverso na economia. Cria barreiras para o crescimento dos próprios negócios informais e reduz a produtividade das empresas regularizadas.
No Brasil, apesar do estudo não revelar, sabe-se bem as razões que levam a esta situação: de um lado, o excessivo peso de impostos e taxas sobre salários e produção. Quando o nível se torna asfixiante, a tendência é as pessoas começarem a se proteger. A outra, mais recente, se dá em razão de que grande número de pessoas tem medo de perderem a receita dos programas assistencialistas do governo.
Este fenômeno já comentamos aqui: muita gente está preferindo até nem trabalhar do que ficar sem o pagamento dos bolsas qualquer coisa distribuídos pelo governo federal. Isto é sintomático de que os programas sociais do governo Lula precisam ser revistos, para proporcionarem portas de saída para o cidadão não se sentir desamparado quando os pagamentos cessarem por ele haver conseguido algum emprego.
De outro lado, os salários no país também estão bastante aviltados. A renda média não pára de cair. Muito embora o desemprego se mantenha elevado há muito tempo, mas há atividades em que os ganhos dos empresários são tais que poderiam, perfeitamente bem, acomodar um pagamento de salário bem maias elevado do que o que atualmente se pratica. Claro que os empresários alegam excessiva carga tributária para se negarem a pagar melhor seu empregados. Mas, em muitos casos, esta cantilena é apenas uma ladainha gasta e mentirosa. Querem um exemplo? Os bancários. Pelo muito que o sistema bancário no país tem tido de lucros nos últimos anos, não acomodaria uma remuneração média mais elevada para seus funcionários ? Por certo que sim.
Não é de estranhar, por exemplo, que focos de trabalho escravo ainda existam no país. Grande parte do empresariado não se deu conta ainda de sua função e responsabilidade sociais.
Não se justifica que o trabalhador brasileiro trabalhe sob o tacão do constrangimento e da exploração. Está na hora dos empresários repensarem um pouco mais esta questão de salários. Pagar mais representa ganhos de produtividade, além de fortalecer o mercado interno para consumir mais. Inclusive seus próprios produtos e serviços.
Do lado do governo, poderia ter um pouco mais de visão de futuro, e assim priorizar inúmeras reformas que demagogicamente se nega em fazer e propor, sob o discurso cretino de “não cortar direitos”. Mas que direitos são estes que fazem com que todos acabem ganhando misérias em troca de trabalho? Preservar o atual estado só beneficia aqueles que sempre ganharam fortunas e nos deram coisa alguma em troca: o governo, que não abre mão de suas “receitas” extorquidas da nação, e assim não precisa preocupar-se com a eficiência de seus gastos, e as grandes empresas que empurram para o consumidor (isto é, o próprio trabalhador), a montanha de impostos que o governo lhe cobra. Ou seja: perdemos nos salários, que ficam cada vez mais aviltados, e no consumo, com os preços embutindo toda a gastança pública e a ganância das empresas.
Se este governo realmente estivesse preocupado, minimamente, com o social, poderia pensar um pouco mais sobre esta questão, e abandonar de vez este discurso demagógico de “não cortar direitos” de quem não tem direito de ter melhor qualidade de vida.