Brasil rechaça ultimato chavista
"Se não quiser ficar, não fica", responde Lula a Chávez, sobre a ameaça venezuelana de se retirar do Mercosul
LISBOA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou ontem o ultimato dado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pelo qual pretende se retirar do Mercosul caso o Congresso brasileiro não aprove sua adesão até setembro. "Para entrar tem de ter as regras. Para sair, não tem regra. Se não quiser ficar, não fica", afirmou Lula, em entrevista coletiva ao final da reunião de cúpula Brasil-União Européia.
Ele acrescentou, por outro lado, que "é difícil" fazer política externa comentando as declarações de terceiros sem saber ao certo em que contexto elas foram dadas e afirmou que é amigo de Chávez. "Não faltarão momento nem oportunidade para uma boa prosa e saber o que está acontecendo", disse. A linha de atuação do venezuelano, porém, não teve um comentário tão ameno do presidente da União Européia, José Manuel Durão Barroso.
Ele lembrou que o bloco mantém uma postura firme em favor da liberdade de expressão e que é seu dever manifestar preocupação toda vez que ela é reduzida. Quando o presidente Hugo Chávez não renovou a licença da RCTV, em maio passado, Barroso divulgou nota condenando o ato. Na equipe de governo, a ameaça de Hugo Chávez de não aderir ao Mercosul é visto com certo alívio, quase uma torcida.
"Ele está fora e vai continuar fora", comentou um integrante do alto escalão, acrescentando que o venezuelano nunca teve intenção real de ingressar no bloco. O comentário nos bastidores é que a indústria energética da Venezuela estaria contra a adesão ao Mercosul. Po outro lado, a ausência de Chávez seria, na avaliação desse funcionário, uma forma de evitar novos problemas no bloco.
Se hoje já é difícil chegar a um entendimento no comércio com a Argentina e o Paraguai, o problema ficaria ainda mais grave se o diálogo envolvesse também a Venezuela, ponderou fonte diplomática ligada ao Mercosul. "Não iríamos negociar nem casca de amendoim", afirmou. Chávez já havia declarado que não tinha interesse em fazer parte do "velho Mercosul".
Ele disputa com Lula a liderança dos países na região. O presidente brasileiro, porém, tratou de reafirmar o interesse na aliança com a Venezuela, lembrando que os dois países têm importantes acordos, como o que prevê a construção de um gasoduto cortando toda a América do Sul, além da construção em sociedade de refinarias em ambos os territórios.
Segundo o presidente Lula, é de interesse do País que todos os países sul-americanos adiram ao Mercosul. O convite para o ingresso dos venezuelanos no bloco foi feito por Lula, na reunião do Mercosul em Mar del Plata, no final de 2005. "Eu propus aos companheiros do Mercosul", frisou o presidente.
Porém, explicou ele, para que a adesão ocorra é preciso que todos os sócios estejam de acordo e que o ingresso seja aprovado pelos legislativos. Os congressos da Argentina e do Uruguai já aprovaram a Venezuela, enquanto os do Brasil e o Paraguai ainda não.
ENQUANTO ISSO...
Entrada da Venezuela no Mercosul avança no Congresso
BRASÍLIA - O ultimato do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Congresso brasileiro não foi suficiente para manter a tramitação do protocolo de adesão do país vizinho ao Mercosul na geladeira. O documento será enviado, nos próximos dias, pela Presidência da Câmara dos Deputados à Comissão de Relações Exteriores, o primeiro passo da tramitação, e seguirá os prazos regulamentares definidos pelas duas Casas - que excederão inevitavelmente os três meses dados por Chávez.
Setores do Congresso Nacional e o embaixador venezuelano no Brasil, general Julio García Montoya, iniciaram ontem movimentos para distender a crise entre Brasília e Caracas geradas pelos ataques do presidente venezuelano. Pela manhã, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara pediu explicações a García Montoya sobre o ultimato de Chávez para concluir a tramitação até setembro.
À tarde, o próprio embaixador pediu uma audiência com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), que o receberá hoje. Pelo menos na primeira etapa, na Câmara, García Montoya disse aos parlamentares - na maioria favoráveis à adesão - o que esperavam ouvir.
"García Montoya explicou que não houve tentativa de intimidar o Congresso. Ele afirmou que Chávez está tão entusiasmado com a adesão plena que apenas pretende apressar a aprovação o máximo possível", relatou o presidente da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, senador Sérgio Zambiase (PTB-RS).
"O embaixador foi categórico ao afirmar que há vontade política da Venezuela em aderir ao Mercosul", relatou o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), logo depois de afirmar que a conversa acabou com a visão de que Chávez se vale das críticas ao Congresso como pretexto para abortar o ingresso pleno de seu país no bloco.
Em outro movimento em favor da distensão, García Montoya propôs uma visita de parlamentares venezuelanos - todos chavistas porque não há oposicionistas na instituição - ao Congresso Nacional. Segundo Vieira da Cunha, o encontro será agendado em breve.
No encontro, os parlamentares não foram ao ponto nevrálgico. Esqueceram-se de questionar o embaixador sobre as seguidas protelações da negociação a respeito do programa de liberalização do comércio entre a Venezuela e a Argentina e o Brasil, provocadas pelo governo Chávez, e sobre a exigência de Caracas de manter produtos com exceção permanente ao livre comércio.
No novo calendário de negociações, esse cronograma do livre comércio deverá ser concluído até 2 de setembro, mas Caracas ainda não apresentou nenhuma proposta. Os parlamentares tampouco perguntaram ao embaixador sobre as ressalvas da Venezuela à sua adesão a compromissos internos, como o acordo sobre compras governamentais, e à agenda externa do bloco.
Se não forem acertadas entre os governos antes da conclusão da tramitação do protocolo no Congresso, essas questões poderão levar o País a aceitar que a Venezuela participe como membro pleno do Mercosul, com direito a voto, mas sem deveres básicos definidos.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Bem que Chavez poderia fazer este tremendo desaforo para o Brasil: ficar de fora do Mercosul. Garanto que não fará falta alguma. Até pelo contrário... Vai, Chavez, cria coragem e caia fora !!!
"Se não quiser ficar, não fica", responde Lula a Chávez, sobre a ameaça venezuelana de se retirar do Mercosul
LISBOA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou ontem o ultimato dado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pelo qual pretende se retirar do Mercosul caso o Congresso brasileiro não aprove sua adesão até setembro. "Para entrar tem de ter as regras. Para sair, não tem regra. Se não quiser ficar, não fica", afirmou Lula, em entrevista coletiva ao final da reunião de cúpula Brasil-União Européia.
Ele acrescentou, por outro lado, que "é difícil" fazer política externa comentando as declarações de terceiros sem saber ao certo em que contexto elas foram dadas e afirmou que é amigo de Chávez. "Não faltarão momento nem oportunidade para uma boa prosa e saber o que está acontecendo", disse. A linha de atuação do venezuelano, porém, não teve um comentário tão ameno do presidente da União Européia, José Manuel Durão Barroso.
Ele lembrou que o bloco mantém uma postura firme em favor da liberdade de expressão e que é seu dever manifestar preocupação toda vez que ela é reduzida. Quando o presidente Hugo Chávez não renovou a licença da RCTV, em maio passado, Barroso divulgou nota condenando o ato. Na equipe de governo, a ameaça de Hugo Chávez de não aderir ao Mercosul é visto com certo alívio, quase uma torcida.
"Ele está fora e vai continuar fora", comentou um integrante do alto escalão, acrescentando que o venezuelano nunca teve intenção real de ingressar no bloco. O comentário nos bastidores é que a indústria energética da Venezuela estaria contra a adesão ao Mercosul. Po outro lado, a ausência de Chávez seria, na avaliação desse funcionário, uma forma de evitar novos problemas no bloco.
Se hoje já é difícil chegar a um entendimento no comércio com a Argentina e o Paraguai, o problema ficaria ainda mais grave se o diálogo envolvesse também a Venezuela, ponderou fonte diplomática ligada ao Mercosul. "Não iríamos negociar nem casca de amendoim", afirmou. Chávez já havia declarado que não tinha interesse em fazer parte do "velho Mercosul".
Ele disputa com Lula a liderança dos países na região. O presidente brasileiro, porém, tratou de reafirmar o interesse na aliança com a Venezuela, lembrando que os dois países têm importantes acordos, como o que prevê a construção de um gasoduto cortando toda a América do Sul, além da construção em sociedade de refinarias em ambos os territórios.
Segundo o presidente Lula, é de interesse do País que todos os países sul-americanos adiram ao Mercosul. O convite para o ingresso dos venezuelanos no bloco foi feito por Lula, na reunião do Mercosul em Mar del Plata, no final de 2005. "Eu propus aos companheiros do Mercosul", frisou o presidente.
Porém, explicou ele, para que a adesão ocorra é preciso que todos os sócios estejam de acordo e que o ingresso seja aprovado pelos legislativos. Os congressos da Argentina e do Uruguai já aprovaram a Venezuela, enquanto os do Brasil e o Paraguai ainda não.
ENQUANTO ISSO...
Entrada da Venezuela no Mercosul avança no Congresso
BRASÍLIA - O ultimato do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Congresso brasileiro não foi suficiente para manter a tramitação do protocolo de adesão do país vizinho ao Mercosul na geladeira. O documento será enviado, nos próximos dias, pela Presidência da Câmara dos Deputados à Comissão de Relações Exteriores, o primeiro passo da tramitação, e seguirá os prazos regulamentares definidos pelas duas Casas - que excederão inevitavelmente os três meses dados por Chávez.
Setores do Congresso Nacional e o embaixador venezuelano no Brasil, general Julio García Montoya, iniciaram ontem movimentos para distender a crise entre Brasília e Caracas geradas pelos ataques do presidente venezuelano. Pela manhã, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara pediu explicações a García Montoya sobre o ultimato de Chávez para concluir a tramitação até setembro.
À tarde, o próprio embaixador pediu uma audiência com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), que o receberá hoje. Pelo menos na primeira etapa, na Câmara, García Montoya disse aos parlamentares - na maioria favoráveis à adesão - o que esperavam ouvir.
"García Montoya explicou que não houve tentativa de intimidar o Congresso. Ele afirmou que Chávez está tão entusiasmado com a adesão plena que apenas pretende apressar a aprovação o máximo possível", relatou o presidente da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, senador Sérgio Zambiase (PTB-RS).
"O embaixador foi categórico ao afirmar que há vontade política da Venezuela em aderir ao Mercosul", relatou o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), logo depois de afirmar que a conversa acabou com a visão de que Chávez se vale das críticas ao Congresso como pretexto para abortar o ingresso pleno de seu país no bloco.
Em outro movimento em favor da distensão, García Montoya propôs uma visita de parlamentares venezuelanos - todos chavistas porque não há oposicionistas na instituição - ao Congresso Nacional. Segundo Vieira da Cunha, o encontro será agendado em breve.
No encontro, os parlamentares não foram ao ponto nevrálgico. Esqueceram-se de questionar o embaixador sobre as seguidas protelações da negociação a respeito do programa de liberalização do comércio entre a Venezuela e a Argentina e o Brasil, provocadas pelo governo Chávez, e sobre a exigência de Caracas de manter produtos com exceção permanente ao livre comércio.
No novo calendário de negociações, esse cronograma do livre comércio deverá ser concluído até 2 de setembro, mas Caracas ainda não apresentou nenhuma proposta. Os parlamentares tampouco perguntaram ao embaixador sobre as ressalvas da Venezuela à sua adesão a compromissos internos, como o acordo sobre compras governamentais, e à agenda externa do bloco.
Se não forem acertadas entre os governos antes da conclusão da tramitação do protocolo no Congresso, essas questões poderão levar o País a aceitar que a Venezuela participe como membro pleno do Mercosul, com direito a voto, mas sem deveres básicos definidos.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Bem que Chavez poderia fazer este tremendo desaforo para o Brasil: ficar de fora do Mercosul. Garanto que não fará falta alguma. Até pelo contrário... Vai, Chavez, cria coragem e caia fora !!!