segunda-feira, julho 09, 2007

Está de volta a polêmica dos cartões corporativos

MPF quer saber se governo federal e de dez estados usam cartões corporativos para lavar grana de corrupção
Por Jorge Serrão, Alerta Total

Por causa da descoberta de uso de cartões de crédito corporativos para lavagem de dinheiro, o escândalo do senador Roriz pode bater na porta das caixas de esgoto do governo federal e de alguns estados. As investigações do Ministério Público podem ser ampliadas para mais dez Estados. Já existem indícios de que a mesma falcatrua, depois de ter sido testado e dado certo em Brasília, funcionou também em Goiás, São Paulo e Paraná. Bancos oficiais desses Estados estão na mira dos procuradores.

Ampliando as investigações da Operação Aquarela, da Polícia Federal, o Ministério Público do Distrito Federal descobriu que o Banco Regional de Brasília era usado em um megaesquema de lavagem de dinheiro via cartões corporativos. O MP descobriu indícios de que o grupo ligado ao senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) movimentou, no BRB, cerca de R$ 2 bilhões e 700 milhões de reais. As investigações já apontam desvio de um montante em torno de R$ 100 milhões. Mas a operação pode ter produzido um rombo de R$ 270 milhões.
Nos últimos quatro anos, só no Distrito Federal, a movimentação financeira total dos cartões corporativos girou em torno de R$ 2,7 bilhões. Os cartões eram distribuídos a um seleto grupo que gravita em torno de Roriz. Os investigadores suspeitam que pelo menos 10% do total era dinheiro de corrupção, lavado e distribuído entre pessoas que estão no foco das investigações.