sexta-feira, julho 13, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

LEMBRANDO SÉRGIO PORTO...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Sérgio Marcus Rangel Porto, carioca,(1923-1968), foi cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro. Era mais conhecido por seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta.

Sérgio começou sua carreira jornalística no final dos anos 40, atuando em publicações como as revistas Sombra e Manchete e os jornais Última Hora, Tribuna da Imprensa e Diário Carioca. Foi aí que surgiu Stanislaw (inspirado no personagem Serafim Ponte Grande de Oswald de Andrade) e suas crônicas satíricas e críticas. Porto também contribuiu com publicações sobre música e escreveu shows musicais para boates, além de compor a música "Samba do Crioulo Doido" para o Quarteto em Cy.

Conhecedor de Música Popular Brasileira e jazz, ele definia a verdadeira MPB pela sigla MPBB - Música Popular Bem Brasileira. Era boêmio, de um admirável senso de humor e sua aparência de homem sisudo escondia um intelectual peculiar capaz de fazer piadas corrosivas contra a ditadura militar e o moralismo social vigente, que fazem parte do FEBEAPÁ - Festival de Besteiras Que Assola o País, uma de suas maiores criações.

FEBEAPÁ tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar já presente nos primeiros Atos Institucionais (que tinham a sugestível sigla de AI). Um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião (anos 60).

Satirizando o colunista Jacinto de Thormes (pseudônimo de Maneco Muller), Porto, na pele de Stanislaw, criou uma seção chamada "As Certinhas do Lalau", onde cada edição falava de uma musa da temporada, e muitas vedetes e atrizes foram eleitas "certinhas" pela pena admirável do jornalista.

Alcançou a fama por seu senso de humor refinado e a crítica mordaz aos costumes nos livros "Tia Zulmira e Eu" e "FEBEAPÁ". Sua jornada diária nunca era inferior a 15 horas de trabalho; escrevia para o rádio, para a TV, onde chegou a apresentar programas, e também para revistas e jornais, além de idealizar seus livros. O excesso de obrigações seria demais para o cardíaco Sérgio, que morreu de infarto aos 45 anos de idade.

Porto não viveu para presenciar o Ato Institucional Número Cinco, mas em sua memória um grupo de jornalistas e intelectuais fundou o semanário O Pasquim, em 1969.

Mas Sérgio Porto não cabia em si mesmo. Era tudo isso, mas era muito mais. Sua inteligência e sagacidade deixaram um vazio na cultura brasileira que, certamente, tão cedo não aparecerá alguém que com ele rivalize. Morreu novo, deixou-nos cedo demais.

Quase não tivemos tempo de aprender mais, mas ainda assim aprendemos muito. Hoje, se vivo fosse, por certo, o arsenal de “motivos” para o seu FEBEAPÁ seria descomunal. Nunca na historia do Brasil foram produzidas tantas “besteiras”, tanto lixo e tanta mediocridade como se tem visto. Não por outra razão, cada dia mais caímos em ranking que medem os ganhos de civilização.

O mundo segue em frente, enquanto nós, como se vivêssemos uma triste sina, insistimos em seguir na direção oposta.

Hoje lembrei-me de Sérgio ao ler a pérola produzida pela assessoria do empresário Nenê Constantino, aquele que teria emprestado a Joaquim Roriz a bagatela de R$ 300,0 mil para a compra de uma novilha. Desde que o caso veio à tona, o empresário se manteve quieto. Nenhuma palavra, nenhuma declaração. Nada. Não que a gente quisesse que ele nos confirmasse ou negasse a história do Roriz. Nada disso. Queríamos apenas que ele nos dissesse que destino teria dado ao troco de R$ 1,9 milhões que foi o quanto sobrou do cheque descontado, abatido o valor do alegado empréstimo. Pois bem, o Correio Braziliense noticiou o segue. Em tempo: a simples notícia já dispensaria qualquer comentário. É uma piada, ou a tentativa de quererem nos taxar de idiotas. A versão é uma piada infeliz. Acredito que tão cedo não teremos algo tão hilário e surreal. Porém impossível resistir. Assim, ainda acrescentaremos alguma coisa para tornar esta “bizarra” um pouco “exótica” além do que já é.

Nenê fez depósito de R$ 1,9 milhões
Correio Braziliense

O Ministério Público do Distrito Federal recebeu do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) uma informação para ser incluída na investigação da Operação Aquarela. No último dia 3 foi registrado depósito no Banco do Brasil, de R$ 1.931.155,60, em nome do empresário Nenê Constantino. O valor coincide exatamente com a diferença entre o cheque de R$ 2.231.155,60, descontado em 13 de março no Banco de Brasília (BRB), e os R$ 300 mil que o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB) alega ter tomado emprestado de Constantino. Roriz renunciou ao mandato por causa da transação considerada suspeita pelo MPDF e pelo corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP). O peemedebista abriu mão do mandato para não enfrentar processo de cassação.
Quase quatro meses se passaram entre o dia em que o cheque foi descontado pelo então presidente do BRB Tarcísio Franklim e o depósito no início do mês. Durante todo esse tempo, Constantino ficou calado sobre o que teria feito com o restante do dinheiro. Ontem, a assessoria do empresário divulgou nota: "O dinheiro, por simples comodidade de minha parte, ficou guardado em espécie e devidamente contabilizado. No entanto, em função de toda a polêmica, para evitar distorções ainda maiores, resolvi depositá-lo em agência bancária do Banco do Brasil onde possuo conta corrente, o que fiz no último dia 3 de julho, num valor total de R$ 1.931.155,60", informou.

Bezerra
Roriz alega que recorreu a Constantino porque estava sem dinheiro para quitar a compra de uma bezerra, arrematada em leilão no ano passado. O empresário teria topado fazer o empréstimo, mas, segundo o ex-parlamentar, entregou um cheque nominal a ele no valor de R$ 2,2 milhões, dos quais deveriam ser descontados os R$ 300 mil que o peemedebista estaria precisando. Roriz foi flagrado em escutas telefônicas da Operação Aquarela, no dia 13 de março, conversando com o então presidente do BRB Tarcísio Franklim de Moura sobre a partilha do dinheiro. Eles discutiram a possibilidade de levar o montante para o escritório de Nenê Constantino.
Em entrevista ao Correio, antes da renúncia ao mandato, o chefe de gabinete de Roriz, Valério Neves, sustentou que o dinheiro foi transportado em carro-forte para a Nely Transportes, no Setor de Transportes de Cargas, e não para o escritório de Constantino.
Valério chegou a afirmar que o empresário não queria o dinheiro em seu escritório, mas o assessor disse pouco depois que retirou os R$ 300 mil de Roriz e entregou pessoalmente ao empresário o restante.
O MPDF investiga o caso. Os promotores querem descobrir se os recursos foram parar nas mãos de outras pessoas, além de Roriz, que teria ficado com R$ 271 mil e repassado R$ 29 mil a Benjamin Roriz, também a título de empréstimo.

Ou seja, não bastava a história de Roriz ser uma grosseira picaretagem, e ainda o empresário Nenê Constantino, que pode ser tudo menos maluco e rasgador de dinheiro, vem e nos diz que apanhou mais de R$ 1,9 milhão, em espécie, guardou no cofre (ou da empresa ou de sua casa, isto a nota não esclarece), e lá deixou esta “pequena” fortuna descansando por exatos 112 dias, sem pensar em aplicar, ou simplesmente retorna-lo ao banco ( o que já seria uma heresia, pois uma sobra destas deve ser investida, princípio básico de qualquer empresário picareta quanto mais um do porte de Nenê), e assim, de uma hora para outra, e em razão das polêmicas do caso Roriz, resolveu deposita-lo ao mesmo Banco do Brasil contra o qual emitira o cheque original, e justo um dia antes da renúncia de Roriz ao mandato de senador ?
Convenhamos, ou Nenê está nadando em tanto dinheiro que sequer dá importância para uns trocados ou está nos taxando a todos por perfeitos imbecis. Melhor faria se ao invés da lorota contada através de nota divulgada por sua assessoria, permanece calado e em silêncio. Pelo menos não faria papel tão ridículo e grosseiro com a história que tentou nos contar e enrolar.