por José Marcio Mendonça, Estadão online
O governo negou, enquanto pôde, a possibilidade, anunciada por empresas privadas do setor e por especialistas não governamentais, de o Brasil vir a enfrentar um novo apagão energético nos próximos dois ou três anos, tão ou mais grave do que o ocorrido sob Fernando Henrique Cardoso.
Para o Instituto Acende Brasil o risco de racionamento em 2011 é hoje de 32%, elevadíssimo. Se a economia crescer mais do que vem crescendo e se houver alguma escassez de chuva, esse risco aumenta e os prováveis gargalos energéticos podem surgir antes.
O caos aéreo, também negado veementemente pelas "autoridades" setoriais, até que uma segunda catástrofe escancarou os problemas existentes na área, parece ter despertado pelo menos o presidente Lula.
Esta tarde ele comanda, como anunciou com exclusividade o "Estadão", uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para fazer um balanço atual da situação, analisar a trajetória da oferta de eletricidade para os próximos anos e traçar uma estratégia para aumentar mais rapidamente esta oferta.
Não dá para esperar e ficar jogando a culpa de quase tudo no Ibama, pela demora de liberar licenças ambientais para a construção de novas usinas. O que está em jogo é o crescimento de toda a economia nacional. E é preciso correr, pois uma usina hidrelétrica, mesmo depois de autorizada, não produz energia antes de cinco ou seis anos.
As duas do Rio Madeira, por exemplo, mesmo se iniciadas de fato nos próximos meses - o que não é certo ainda, pois depois da novela Ibama pode surgir uma outra novela, a da disputa judicial entre empresas interessadas no projeto - somente terão eletricidade para vender em 2013.
Além do Ibama, a besta fera do momento no setor energético, pode sobrar também para a Petrobrás nessas novas discussões. A estatal está sendo acusada de dificultar o fornecimento de gás natural para as usinas que pretendem usar este tipo de combustível, de maturação mais rápida.
Além de não garantir o gás, a empresa estaria querendo cobrar por ele um preço que inviabilizaria os projetos ou forçaria a cobrança de tarifas muito elevadas dos consumidores. A empresa, naturalmente, nega a existência desses senões. Porém, é sintomático o fato de no último leilão de energia nova nenhuma usina a gás ter comercializado eletricidade futura. Apenas usinas movidas a óleo, mais poluentes, fizeram vendas.
Há algum tempo, o presidente da Petrobrás e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ainda muito influente no setor que dirigiu até ganhar o posto deixado por José Dirceu, não rezam pela mesma cartilha. Não se sabe se apenas por causa da questão do gás ou se também por divergências em relação à formação da diretoria da Petrobrás e suas subsidiárias.
Mesmo com todos esses temores, o presidente Lula finalmente convidou o ex-prefeito do Rio de Janeiro e atual secretário de Cultura do Estado, Luís Paulo Conde, para assumir a direção de Furnas. Um reivindicação do PMDB fluminense para não criar obstáculos ao projeto de emenda constitucional de prorrogação da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU).
Conde é um conceituado arquiteto e urbanista e foi um prefeito com algumas idéias inovadores para a cidade, embora nem todas tenham sido aplicadas. Não tem, contudo, nenhuma familiaridade com a área energética. Guardadas as devidas proporções, pode vir a ser o Milton Zuanazzi do setor energético.Mas, no momento, para o governo vale mais uma CPMF não mão do que uma lâmpada apagada em 2010 ou 2011.
O governo negou, enquanto pôde, a possibilidade, anunciada por empresas privadas do setor e por especialistas não governamentais, de o Brasil vir a enfrentar um novo apagão energético nos próximos dois ou três anos, tão ou mais grave do que o ocorrido sob Fernando Henrique Cardoso.
Para o Instituto Acende Brasil o risco de racionamento em 2011 é hoje de 32%, elevadíssimo. Se a economia crescer mais do que vem crescendo e se houver alguma escassez de chuva, esse risco aumenta e os prováveis gargalos energéticos podem surgir antes.
O caos aéreo, também negado veementemente pelas "autoridades" setoriais, até que uma segunda catástrofe escancarou os problemas existentes na área, parece ter despertado pelo menos o presidente Lula.
Esta tarde ele comanda, como anunciou com exclusividade o "Estadão", uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para fazer um balanço atual da situação, analisar a trajetória da oferta de eletricidade para os próximos anos e traçar uma estratégia para aumentar mais rapidamente esta oferta.
Não dá para esperar e ficar jogando a culpa de quase tudo no Ibama, pela demora de liberar licenças ambientais para a construção de novas usinas. O que está em jogo é o crescimento de toda a economia nacional. E é preciso correr, pois uma usina hidrelétrica, mesmo depois de autorizada, não produz energia antes de cinco ou seis anos.
As duas do Rio Madeira, por exemplo, mesmo se iniciadas de fato nos próximos meses - o que não é certo ainda, pois depois da novela Ibama pode surgir uma outra novela, a da disputa judicial entre empresas interessadas no projeto - somente terão eletricidade para vender em 2013.
Além do Ibama, a besta fera do momento no setor energético, pode sobrar também para a Petrobrás nessas novas discussões. A estatal está sendo acusada de dificultar o fornecimento de gás natural para as usinas que pretendem usar este tipo de combustível, de maturação mais rápida.
Além de não garantir o gás, a empresa estaria querendo cobrar por ele um preço que inviabilizaria os projetos ou forçaria a cobrança de tarifas muito elevadas dos consumidores. A empresa, naturalmente, nega a existência desses senões. Porém, é sintomático o fato de no último leilão de energia nova nenhuma usina a gás ter comercializado eletricidade futura. Apenas usinas movidas a óleo, mais poluentes, fizeram vendas.
Há algum tempo, o presidente da Petrobrás e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ainda muito influente no setor que dirigiu até ganhar o posto deixado por José Dirceu, não rezam pela mesma cartilha. Não se sabe se apenas por causa da questão do gás ou se também por divergências em relação à formação da diretoria da Petrobrás e suas subsidiárias.
Mesmo com todos esses temores, o presidente Lula finalmente convidou o ex-prefeito do Rio de Janeiro e atual secretário de Cultura do Estado, Luís Paulo Conde, para assumir a direção de Furnas. Um reivindicação do PMDB fluminense para não criar obstáculos ao projeto de emenda constitucional de prorrogação da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU).
Conde é um conceituado arquiteto e urbanista e foi um prefeito com algumas idéias inovadores para a cidade, embora nem todas tenham sido aplicadas. Não tem, contudo, nenhuma familiaridade com a área energética. Guardadas as devidas proporções, pode vir a ser o Milton Zuanazzi do setor energético.Mas, no momento, para o governo vale mais uma CPMF não mão do que uma lâmpada apagada em 2010 ou 2011.