Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
No caso da TAM, Jobim, ex-presidente desse Supremo, se exibe com palavras
A crise brasileira não tem apenas uma origem e um fator de complicação. Ela é tão grave que se multiplica, e assim, todos os aspectos são preferenciais. Apagão aéreo, mensalão, corrupção, DÍVIDAS gigantescas pagas com pontualidade, impostos cada vez mais colossais, chantagem contra o governo (aceita pelo próprio presidente), quase tudo acabando no Supremo.
Lembrando então a frase famosa de Auro Moura Andrade, presidente do Senado: "Japona não é toga". E se não é toga nem japona, o que pode surgir desse julgamento que começa dominado pela controvérsia (?) explícita e implícita?
Continua, ininterrupto, o drama das vítimas do último e maior desastre da aviação brasileira. A tragédia matou 99 pessoas em 1996, se repete agora em 2007, com 199 vítimas insubstituíveis. E as centenas ou milhares que não perderam a vida mas são também insubstituíveis na dor, no sofrimento visível e invisível, personagens que tiveram sua existência transformada pela irresponsabilidade, imprudência e incompetência de quem comandava ou atuava no setor?
Agora, mais de um mês decorrido, transcorrido, sofrido, inconformado, nada aconteceu. O que dizer a essa multidão de parentes e amigos, que além da perda irrecuperável, têm também a perda de tempo e de confiança, não acreditam em ninguém? Não podem nem se fortalecer na esperança, governo e TAM só fabricam desesperança.
A TAM de 2007 é a mesma de 1996, com mais 11 anos de revolta contra o descaso e a injustiça. Ouço de muitos lados, a alegação da impunidade, da irresponsabilidade, da hipocrisia: "Não é hora de falar em indenização. A TAM está tão abatida quanto os parentes das vítimas". Qual é a hora de falar em indenização? 11 anos perdidos com a mesma imprudência e perplexidade, se repetirão agora?
Temos que falar em indenização, sim, não é a prioridade de ninguém, mas tem que ser ou deveria ser a prioridade da TAM. Pela promessa voluntária ou pela pressão e determinação do governo. Só que este, parece parceiro da TAM nessa irresponsabilidade ou trilhando apenas o caminho do desconhecimento das leis e dos direitos.
Agora, parentes e amigos se desesperam, o que faz o governo? Diz que "jamais houve outro igual a mim", e não faz nada. Tirou o ministro da Defesa, (omisso), trocou o presidente da Infraero, (incompetente e que segundo membros da CPI, "amarelou"), aceita a demissão da diretora da ANAC. (Comprometida.) E tudo fica na mesma.
As chamadas autoridades, tumultuam o ambiente, se devoram vorazmente, mas não conseguem chegar a 1 por cento de realizações. No bojo da investigação, surgiram indícios de corrupção não surpreendente, e a certeza de lucros monumentais das empresas. Por que o governo não age com decisão e determinação, e garante: a TAM (e a Gol) não poderá voar mais enquanto não pagar o que deve às vítimas? Por que não usa o Poder que tem?
O ministro salvador da lavoura, irresponsável na constituinte (Legislativo), irresponsável no Supremo, (Judiciário) sendo obrigado a se aposentar, assume agora (no Executivo), e na certa não vai fazer nada, como não fez a vida toda. Sem grandeza, desloca o debate para o conforto dos aviões, "não tenho como me ajeitar quando viajo". Dizem que a hora não é de discutir indenização, então vamos lutar apenas para que as pernas do ministro não fiquem tão apertadas?
PS - Exibicionista, anacrônico, troglodita e palavroso, estarrece o País, como se fosse um dicionarista e não um ministro nomeado para resolver. E diz, em plena televisão: "O importante não é a segurança e sim a P-E-R-C-E-P-Ç-Ã-O da segurança".
PS 2 - Não é o momento de demitir esse ministro inconveniente? Não pode ser ministro sem ter o mínimo de P-E-R-C-E-P-Ç-Ã-O das suas atribuições.
No caso da TAM, Jobim, ex-presidente desse Supremo, se exibe com palavras
A crise brasileira não tem apenas uma origem e um fator de complicação. Ela é tão grave que se multiplica, e assim, todos os aspectos são preferenciais. Apagão aéreo, mensalão, corrupção, DÍVIDAS gigantescas pagas com pontualidade, impostos cada vez mais colossais, chantagem contra o governo (aceita pelo próprio presidente), quase tudo acabando no Supremo.
Lembrando então a frase famosa de Auro Moura Andrade, presidente do Senado: "Japona não é toga". E se não é toga nem japona, o que pode surgir desse julgamento que começa dominado pela controvérsia (?) explícita e implícita?
Continua, ininterrupto, o drama das vítimas do último e maior desastre da aviação brasileira. A tragédia matou 99 pessoas em 1996, se repete agora em 2007, com 199 vítimas insubstituíveis. E as centenas ou milhares que não perderam a vida mas são também insubstituíveis na dor, no sofrimento visível e invisível, personagens que tiveram sua existência transformada pela irresponsabilidade, imprudência e incompetência de quem comandava ou atuava no setor?
Agora, mais de um mês decorrido, transcorrido, sofrido, inconformado, nada aconteceu. O que dizer a essa multidão de parentes e amigos, que além da perda irrecuperável, têm também a perda de tempo e de confiança, não acreditam em ninguém? Não podem nem se fortalecer na esperança, governo e TAM só fabricam desesperança.
A TAM de 2007 é a mesma de 1996, com mais 11 anos de revolta contra o descaso e a injustiça. Ouço de muitos lados, a alegação da impunidade, da irresponsabilidade, da hipocrisia: "Não é hora de falar em indenização. A TAM está tão abatida quanto os parentes das vítimas". Qual é a hora de falar em indenização? 11 anos perdidos com a mesma imprudência e perplexidade, se repetirão agora?
Temos que falar em indenização, sim, não é a prioridade de ninguém, mas tem que ser ou deveria ser a prioridade da TAM. Pela promessa voluntária ou pela pressão e determinação do governo. Só que este, parece parceiro da TAM nessa irresponsabilidade ou trilhando apenas o caminho do desconhecimento das leis e dos direitos.
Agora, parentes e amigos se desesperam, o que faz o governo? Diz que "jamais houve outro igual a mim", e não faz nada. Tirou o ministro da Defesa, (omisso), trocou o presidente da Infraero, (incompetente e que segundo membros da CPI, "amarelou"), aceita a demissão da diretora da ANAC. (Comprometida.) E tudo fica na mesma.
As chamadas autoridades, tumultuam o ambiente, se devoram vorazmente, mas não conseguem chegar a 1 por cento de realizações. No bojo da investigação, surgiram indícios de corrupção não surpreendente, e a certeza de lucros monumentais das empresas. Por que o governo não age com decisão e determinação, e garante: a TAM (e a Gol) não poderá voar mais enquanto não pagar o que deve às vítimas? Por que não usa o Poder que tem?
O ministro salvador da lavoura, irresponsável na constituinte (Legislativo), irresponsável no Supremo, (Judiciário) sendo obrigado a se aposentar, assume agora (no Executivo), e na certa não vai fazer nada, como não fez a vida toda. Sem grandeza, desloca o debate para o conforto dos aviões, "não tenho como me ajeitar quando viajo". Dizem que a hora não é de discutir indenização, então vamos lutar apenas para que as pernas do ministro não fiquem tão apertadas?
PS - Exibicionista, anacrônico, troglodita e palavroso, estarrece o País, como se fosse um dicionarista e não um ministro nomeado para resolver. E diz, em plena televisão: "O importante não é a segurança e sim a P-E-R-C-E-P-Ç-Ã-O da segurança".
PS 2 - Não é o momento de demitir esse ministro inconveniente? Não pode ser ministro sem ter o mínimo de P-E-R-C-E-P-Ç-Ã-O das suas atribuições.