terça-feira, agosto 07, 2007

É a política, estúpido!

Reinaldo Azevedo

A frase “É a economia, estúpido” virou o abre-te sésamo de quem tem preguiça de pensar e não abre um livro de política nem a porrete. A ser assim, sempre que a economia vai bem, o governo é popular e ganha a eleição; sempre que vai mal, o contrário.

E isso simplesmente não é verdade. Trata-se de uma mistificação, de uma facilidade, logo abraçada no Brasil. Preguiça é com a gente mesmo. A frase, dita por um assessor do então candidato Clinton tinha uma validade específica e negava-se a si mesma. Explico-me. Quando disse “É a economia, estúpido”, estava dizendo que era chegada a hora de politizar a economia. O Brasil faz isso desde a crise do regime militar. Não há qualquer novidade no procedimento.Em política, desde sempre, “é a política, estúpido”.

Na VEJA desta semana, escrevo um artigo sobre o papel das oposições. Digo ali que elas precisam aprender a fazer política sem crise econômica — que é o corriqueiro nos países civilizados. Até porque sempre haverá alguma economia, ora melhor, ora pior. Depende de como se “politiza” o tema.

A frase do assessor de Clinton só serve para iludir cretinos e é biombo dos que querem disfarçar o seu lulismo irrefreável. Com ela, aplicam uma injeção de proteína botulínica das oposições, que se vêem paralisadas.

Tenho mais nojo do governismo envergonhado do que de Paulo Henrique Amorim, que o exerce sem vergonha nenhuma. Como aqueles outros consideram de mau tom apoiar o governo — temem a pecha de oficialistas —, evitam elogiá-lo e preferem esculhambar quem o critica.

Quer dizer que 7% do PIB são destinados ao pagamento de juros? A culpa é da classe média? É ela quem faz política econômica? Ou, por outra, ela deveria deixar de pôr o seu dinheirinho no DI só para não coonestar a política monetária de Henrique Meirelles? Aliás, a política de Meirelles existe porque ele é um homem mau, que gosta de encher as burras dos banqueiros de dinheiro? Se eu achasse isso, escreveria isso. Por que quem acha não escreve?Estamos lidando com esquizofrênicos. Os esquizofrênicos do lulo-petismo. A classe média que vai à rua estaria contra o Bolsa Família, quando, segundo alguns gênios, deveria estar contra o Banco Central. Sacaram o fundo regressivo da crítica? Essa gente, de fato, acha que Lula ainda é pouco petista.

Huuummm. Recomendo, se me permitem, a leitura do meu artigo na VEJA. Está lá um pequeno elenco de temas políticos que dividem as opiniões em qualquer democracia do mundo com economia estável. Temas que têm sido evitados pelas oposições e que têm sido levados às ruas pelos que se opõem a Lula.Em política, será sempre a política. Estúpido!