Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Não é de agora que percebo haver uma espécie de Síndrome de Estocolmo de parte do petê em relação à ditadura militar que vigorou no Brasil no período de 64 a 85. E isto chama muito atenção a partir do momento em que o governo começou a adotar algumas das estratégias dos militares para implantar e consolidar seu regime, sem que a sociedade, a princípio, esboçasse alguma resistência.
Claro, com o tempo, a repressão se tornou tão violenta quanto odiosa. Talvez por isso, o petê que nasceu naqueles tempos idos, de tão perseguido e reprimido, tenha desenvolvido este sentimento de simpatia pelo regime de exceção. Na verdade, é bom notar, que ambos se assemelham: ambos são ditatoriais, embora um seja de direita, no caso dos militares, e outro seja de esquerda, no caso os petistas.
Em várias ocasiões as ações do governo Lula lembram muito esta semelhança com o regime militar. Aliás, é mais fácil a gente ouvir Lula criticar e desqualificar o governo FHC, de quem herdou a estabilidade política e econômica, a estrutura dos programas sociais e o equilíbrio fiscal, (mesmo que não confesse) do que ouvi-lo recriminar os anos de chumbo. Talvez Lula até seja grato aos militares que o prenderam: isto lhe rende hoje uma bolsa ditadura em torno de R$ 4,5 mil. Fácil, fácil.
Esta associação com a tal síndrome se casou com um episódio, também daqueles duros tempos, a Operação Condor, a partir da deportação dos boxeadores cubanos, de volta ao braços do ditador sanguinário Fidel Castro.
Vale, então, lembrar o conceito da síndrome, e um resumo do que foi a operação condor.
A Síndrome de Estocolmo
A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu raptor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador.
A síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg do Kreditbanken em Norrmalmstorg, Estocolmo que durou de 23 de agosto a 28 de agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus raptores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Duas das vítimas se casaram com os seqüestradores após o término do processo. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e se referiu à síndrome durante uma reportagem. Ele foi então adotado por muitos psicólogos no mundo todo.
Caso brasileiro notório foi o do sequestro da filha de Sílvio Santos, Patrícia Abravanel, que, ao dar entrevistas, lembrava com afeto dos seus raptores Essa solidariedade pode algumas vezes se tornar uma verdadeira cumplicidade, com os presos chegando a ajudar os raptores a alcançar seus objetivos ou a fugir da polícia.
Operação Condor
A Operação Condor foi uma colaboração entre os vários regimes militares da América do Sul — Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai — para coordenar a repressão a opositores de esquerda ("subversivos"), montada a partir do início dos anos 1970 e durou até a onda de redemocratização na década seguinte. O movimento foi liderado por militares da extrema direita da América Latina. A operação foi batizada com o nome do condor, ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas.
A função principal era destruir todos aqueles que eram considerados adversários políticos perigosos aos sistemas ditatoriais montados na América Latina. O primeiro passo da Operação Condor foi executar a imediata unificação de esforços de todos os aparatos repressivos das ditaduras que haviam se instalado. Foi comprovado em 1992, por meio da divulgação de documentos da polícia secreta do Paraguai da existência do terrorismo de estado implantado em todo o cone sul da América do Sul.
Em 1978, ocorreu um caso famoso chamado de o "Seqüestro dos Uruguaios", em Porto Alegre com o sequestro de Lilian Celiberti e Universindo Diaz, casal uruguaio residente no Brasil, pelas polícias do Uruguai e brasileira, numa operação conjunta. O caso foi revelado através de uma ligação anônima recebida pelo diretor da sucursal da Veja em Porto Alegre, Luiz Claudio Cunha, que ao tentar verificar a denuncia, acabou por testemunhar o sequestro.
O seqüestro dos uruguaios em Porto Alegre acabou sendo o único fracasso de repercussão internacional da Operação Condor, entre centenas de ações clandestinas das forças de repressão das ditaduras do Cone Sul da América Latina, responsáveis por milhares de mortos e desaparecidos no período 1975-1985. Um quadro sobre a repressão política na região, montado pelo jornalista brasileiro Nilson Mariano, faz uma estimativa sobre o número de mortos e desaparecidos naquela década: 297 no Uruguai, 366 no Brasil, 2.000 no Paraguai, 3.196 no Chile e 30.000 na Argentina (9). Os números dos ‘Arquivos do Terror’ - um conjunto de 60 mil documentos, pesando quatro toneladas e somando 593 mil páginas micro filmadas - descobertos pelo ex-preso político paraguaio Martín Almada na cidade de Lambaré, Paraguai, em 1992, são ainda mais expressivos: no total, o saldo da Operação Condor no Cone Sul, chegaria a 50.000 mortos, 30.000 desaparecidos e 400.000 presos (10).
O PT, os Cubanos e a Operação Condor – o retorno
Durante os recentes Jogos Pan Americanos, os boxeadores cubanos abandonaram as instalações das delegações. Depois, foram recapturados pelo serviço de inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública — um órgão do Ministério da Justiça e bem mais próximo da Presidência da República do que a própria Polícia Federal.
Não é de agora que percebo haver uma espécie de Síndrome de Estocolmo de parte do petê em relação à ditadura militar que vigorou no Brasil no período de 64 a 85. E isto chama muito atenção a partir do momento em que o governo começou a adotar algumas das estratégias dos militares para implantar e consolidar seu regime, sem que a sociedade, a princípio, esboçasse alguma resistência.
Claro, com o tempo, a repressão se tornou tão violenta quanto odiosa. Talvez por isso, o petê que nasceu naqueles tempos idos, de tão perseguido e reprimido, tenha desenvolvido este sentimento de simpatia pelo regime de exceção. Na verdade, é bom notar, que ambos se assemelham: ambos são ditatoriais, embora um seja de direita, no caso dos militares, e outro seja de esquerda, no caso os petistas.
Em várias ocasiões as ações do governo Lula lembram muito esta semelhança com o regime militar. Aliás, é mais fácil a gente ouvir Lula criticar e desqualificar o governo FHC, de quem herdou a estabilidade política e econômica, a estrutura dos programas sociais e o equilíbrio fiscal, (mesmo que não confesse) do que ouvi-lo recriminar os anos de chumbo. Talvez Lula até seja grato aos militares que o prenderam: isto lhe rende hoje uma bolsa ditadura em torno de R$ 4,5 mil. Fácil, fácil.
Esta associação com a tal síndrome se casou com um episódio, também daqueles duros tempos, a Operação Condor, a partir da deportação dos boxeadores cubanos, de volta ao braços do ditador sanguinário Fidel Castro.
Vale, então, lembrar o conceito da síndrome, e um resumo do que foi a operação condor.
A Síndrome de Estocolmo
A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu raptor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador.
A síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg do Kreditbanken em Norrmalmstorg, Estocolmo que durou de 23 de agosto a 28 de agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus raptores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Duas das vítimas se casaram com os seqüestradores após o término do processo. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e se referiu à síndrome durante uma reportagem. Ele foi então adotado por muitos psicólogos no mundo todo.
Caso brasileiro notório foi o do sequestro da filha de Sílvio Santos, Patrícia Abravanel, que, ao dar entrevistas, lembrava com afeto dos seus raptores Essa solidariedade pode algumas vezes se tornar uma verdadeira cumplicidade, com os presos chegando a ajudar os raptores a alcançar seus objetivos ou a fugir da polícia.
Operação Condor
A Operação Condor foi uma colaboração entre os vários regimes militares da América do Sul — Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai — para coordenar a repressão a opositores de esquerda ("subversivos"), montada a partir do início dos anos 1970 e durou até a onda de redemocratização na década seguinte. O movimento foi liderado por militares da extrema direita da América Latina. A operação foi batizada com o nome do condor, ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas.
A função principal era destruir todos aqueles que eram considerados adversários políticos perigosos aos sistemas ditatoriais montados na América Latina. O primeiro passo da Operação Condor foi executar a imediata unificação de esforços de todos os aparatos repressivos das ditaduras que haviam se instalado. Foi comprovado em 1992, por meio da divulgação de documentos da polícia secreta do Paraguai da existência do terrorismo de estado implantado em todo o cone sul da América do Sul.
Em 1978, ocorreu um caso famoso chamado de o "Seqüestro dos Uruguaios", em Porto Alegre com o sequestro de Lilian Celiberti e Universindo Diaz, casal uruguaio residente no Brasil, pelas polícias do Uruguai e brasileira, numa operação conjunta. O caso foi revelado através de uma ligação anônima recebida pelo diretor da sucursal da Veja em Porto Alegre, Luiz Claudio Cunha, que ao tentar verificar a denuncia, acabou por testemunhar o sequestro.
O seqüestro dos uruguaios em Porto Alegre acabou sendo o único fracasso de repercussão internacional da Operação Condor, entre centenas de ações clandestinas das forças de repressão das ditaduras do Cone Sul da América Latina, responsáveis por milhares de mortos e desaparecidos no período 1975-1985. Um quadro sobre a repressão política na região, montado pelo jornalista brasileiro Nilson Mariano, faz uma estimativa sobre o número de mortos e desaparecidos naquela década: 297 no Uruguai, 366 no Brasil, 2.000 no Paraguai, 3.196 no Chile e 30.000 na Argentina (9). Os números dos ‘Arquivos do Terror’ - um conjunto de 60 mil documentos, pesando quatro toneladas e somando 593 mil páginas micro filmadas - descobertos pelo ex-preso político paraguaio Martín Almada na cidade de Lambaré, Paraguai, em 1992, são ainda mais expressivos: no total, o saldo da Operação Condor no Cone Sul, chegaria a 50.000 mortos, 30.000 desaparecidos e 400.000 presos (10).
O PT, os Cubanos e a Operação Condor – o retorno
Durante os recentes Jogos Pan Americanos, os boxeadores cubanos abandonaram as instalações das delegações. Depois, foram recapturados pelo serviço de inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública — um órgão do Ministério da Justiça e bem mais próximo da Presidência da República do que a própria Polícia Federal.
Mas isto é normal ? No caso do Brasil, não. No primeiro mandato de Lula ocorreu um episódio sui generis conhecido como o caso Medina, guerrilheiro das FARCs, condenado por diversos crimes e que fugiu para o Brasil, aqui pedindo asilo político, concedido pelo Governo Lula. Notem um detalhe interessante: os cubanos não eram criminosos, apenas tentaram asilar-se no Brasil, enquanto Medina era réu confesso e já condenado na Colômbia. A diferença é que as FARCs fazem parte do Foro de São Paulo, da qual Lula é fundador e foi presidente, assim como Fidel Castro.
Ou seja, se a Operação Condor havia sido uma associação dos regimes militares ditatoriais, mas de extrema direita, o que agora vemos é sua versão à esquerda. No fundo, o contexto é o mesmo: caçar fugitivos dos regimes de exceção. Lula fez um favor ao camarada Fidel Castro. E, em contrapartida, já prestara um outro favor, em sentido contrário, ao camarada Medina. A lembrar, Camilo Collazzos, também conhecido como Padre Olivério Medina, chegou a participar de reunião com petistas numa chácara nos arredores de Brasília, ocasião em que, segundo um agente da Abin, teria acenado com US$ 5 milhões para a campanha de Lula.
É, na sua Operação Condor com os boxeadores cubanos, Lula dá vazão à sua síndrome de Estocolmo, e mostra que entre o regime militar e o governo Lula, há muitas mais semelhanças do que imaginam nossos pensadores “engajados”. Ah, isto tem nome: democracia socialista. Ou bem uma coisa, ou bem outra, não é mesmo?
Agora respondam: quem é golpista, quem dá chute no traseiro das liberdades e do estado de direito tentando disseminar a idiotização de seus povos e o aniquilamento à livre manifestação do pensamento, ou aqueles que recriminam e protestam com este estado de coisas?