Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Em Morro Agudo, a 80 quilômetros de Ribeirão Preto, em São Paulo, um fazendeiro e chefe político, muito ativo e de muito prestígio, era analfabeto. Tinha um empregado que lia as coisas para ele.
Um dia, o fazendeiro arranjou uma namorada, brigou com a mulher, separaram-se, foram para a Justiça. E de repente chegou uma carta da mulher, de inúmeras folhas. Ele tinha certeza de que ela estava passando a limpo (ou a sujo) os longos anos de vida em comum. Não podia dar ao empregado para ler, chamou o melhor amigo: - Você pode ler esta carta para mim? Eu sei que ela vem relembrando tudo, contando tudo, falando de tudo. Então, você leia para mim, mas, por favor, tape os ouvidos para não ouvir nada.
Caos aéreo
Lula quer governar o País tapando os ouvidos. Ele sempre diz que não sabe de nada, não ouviu nada. Nem as verdades nem as vaias, que estão virando esporte nacional. Se vaia desse medalha de ouro, o País ganhava o Pan.
A última do campeão nacional do cinismo foi dizer que nunca tinha ouvido falar em caos aéreo. A imprensa arrancou-lhe a máscara, republicando o artigo ("Morte anunciada do transporte aéreo"), evidentemente não escrito por ele, mas que assinou na "Gazeta Mercantil" em 7 de janeiro de 2002, no começo de mais uma campanha presidencial, e que começava assim: "Até quando, senhor presidente? A crise da aviação brasileira, que vem se arrastando há muitos anos, atinge um estágio terminal. A recente paralisação dos vôos da Transbrasil é mais um presságio".
O artigo não era nenhuma contribuição ao debate aéreo. Era um prego com estopa, uma jogada de lobby, a serviço do advogado da Transbrasil Roberto Teixeira, seu compadre e dono da casa em que há quase dez ele morava, sem pagar um tostão. O artigo era um mês gráfico do aluguel.
AGU e Itamaraty
O governo tirou um homem sério, jurista renomado, Álvaro Ribeiro da Costa, da AGU (Advocacia Geral da União) e pôs lá um advogado de porta de partido, leguleio do PT, o José Antonio Dias Tóffoli, que já chegou com uma insaciável gula ancestral. Está preparando um anteprojeto de lei criando a "Procuradoria Especial Internacional", mais uma boca-rica para o PT: "Caberia à AGU a criação de Escritórios Independentes (sic) no exterior, para dar a palavra final nos acordos internacionais, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio. Ou seja, para que um tratado firmado entre o presidente brasileiro e um chefe de Estado estrangeiro seja assinado, o texto precisaria de um parecer prévio da Advocacia Geral da União" ("O Globo").
O PT não se contenta com as roças de negócios e maracutaias que plantou em cada ministério e estatal, e ainda quer embaixadinhas de picaretagem lá fora para garimpar chantagens e comissões. Já pensaram nos mensaleiros José Dirceu, Delubio, Marcos Valério, a "quadrilha", negociando jabaculês na Itália, na Espanha, na Venezuela, na Bolívia, em Portugal, etc., com banqueiros e cocaleiros, em nome da Advocacia Geral da União?
Para que serve então o Itamaraty, uma das raras instituições que honram o Estado brasileiro? Celso Amorim vai criar gansos no lago do Paranoá?
Cágados
Está na hora de tirar aquela mulher de olhos vendados simbolizando a Justiça, na Praça dos Três Poderes, e pôr lá um enxundioso e lerdo cágado.
Sete anos depois (isso mesmo, s-e-t-e), o Supremo Tribunal julgou uma liminar pedida pelo PT no governo Fernando Henrique, exatamente contra a criação de fundações no serviço público, que agora o PT defende e quer. Mas não se avexem. Se a liminar levou 7 anos para ser julgada, a decisão final possivelmente virá daqui a 70 anos.
Motel e caixa d'água
O Rio realmente é diferente de São Paulo. Lá, liberaram a construção de um motel de 12 andares bem na cabeceira da pista de Congonhas. Se houver problemas, o avião descerá docemente sobre macios colchões de amor.
Já no Rio a prefeitura de Duque de Caxias autorizou a construtora Grafisa a levantar dois grandes prédios de 16 andares bem na rota de pouso e decolagem do Galeão, mas a Anac conseguiu uma vitória. Tirou as caixas d'água do telhado. Está garantido que ninguém se afogará na caixa d'água.
Aeroporto
O humor popular descobriu mais uma dificuldade para o governo decidir ampliar o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo.É que Lula prefere Viracopos.
Ombudsman
Tereza, a Incrivinel, picotou a gramática em sua coluna no "Globo": "Foram 12 os adjetivos (sic) usados pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) contra a conduta do governo na crise aérea: vergonha, descalabro, inércia, irresponsabilidade, incompetência, negligência, ineficiência, falta de autoridade, indignidade, má gestão, falta de compostura, desumanidade".
O vício de despejar adjetivos elogiosos sobre o governo reprovou a Tereza no Enem da língua. Substantivo é o que é. Adjetivo é o que se quer que seja.
Em Morro Agudo, a 80 quilômetros de Ribeirão Preto, em São Paulo, um fazendeiro e chefe político, muito ativo e de muito prestígio, era analfabeto. Tinha um empregado que lia as coisas para ele.
Um dia, o fazendeiro arranjou uma namorada, brigou com a mulher, separaram-se, foram para a Justiça. E de repente chegou uma carta da mulher, de inúmeras folhas. Ele tinha certeza de que ela estava passando a limpo (ou a sujo) os longos anos de vida em comum. Não podia dar ao empregado para ler, chamou o melhor amigo: - Você pode ler esta carta para mim? Eu sei que ela vem relembrando tudo, contando tudo, falando de tudo. Então, você leia para mim, mas, por favor, tape os ouvidos para não ouvir nada.
Caos aéreo
Lula quer governar o País tapando os ouvidos. Ele sempre diz que não sabe de nada, não ouviu nada. Nem as verdades nem as vaias, que estão virando esporte nacional. Se vaia desse medalha de ouro, o País ganhava o Pan.
A última do campeão nacional do cinismo foi dizer que nunca tinha ouvido falar em caos aéreo. A imprensa arrancou-lhe a máscara, republicando o artigo ("Morte anunciada do transporte aéreo"), evidentemente não escrito por ele, mas que assinou na "Gazeta Mercantil" em 7 de janeiro de 2002, no começo de mais uma campanha presidencial, e que começava assim: "Até quando, senhor presidente? A crise da aviação brasileira, que vem se arrastando há muitos anos, atinge um estágio terminal. A recente paralisação dos vôos da Transbrasil é mais um presságio".
O artigo não era nenhuma contribuição ao debate aéreo. Era um prego com estopa, uma jogada de lobby, a serviço do advogado da Transbrasil Roberto Teixeira, seu compadre e dono da casa em que há quase dez ele morava, sem pagar um tostão. O artigo era um mês gráfico do aluguel.
AGU e Itamaraty
O governo tirou um homem sério, jurista renomado, Álvaro Ribeiro da Costa, da AGU (Advocacia Geral da União) e pôs lá um advogado de porta de partido, leguleio do PT, o José Antonio Dias Tóffoli, que já chegou com uma insaciável gula ancestral. Está preparando um anteprojeto de lei criando a "Procuradoria Especial Internacional", mais uma boca-rica para o PT: "Caberia à AGU a criação de Escritórios Independentes (sic) no exterior, para dar a palavra final nos acordos internacionais, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio. Ou seja, para que um tratado firmado entre o presidente brasileiro e um chefe de Estado estrangeiro seja assinado, o texto precisaria de um parecer prévio da Advocacia Geral da União" ("O Globo").
O PT não se contenta com as roças de negócios e maracutaias que plantou em cada ministério e estatal, e ainda quer embaixadinhas de picaretagem lá fora para garimpar chantagens e comissões. Já pensaram nos mensaleiros José Dirceu, Delubio, Marcos Valério, a "quadrilha", negociando jabaculês na Itália, na Espanha, na Venezuela, na Bolívia, em Portugal, etc., com banqueiros e cocaleiros, em nome da Advocacia Geral da União?
Para que serve então o Itamaraty, uma das raras instituições que honram o Estado brasileiro? Celso Amorim vai criar gansos no lago do Paranoá?
Cágados
Está na hora de tirar aquela mulher de olhos vendados simbolizando a Justiça, na Praça dos Três Poderes, e pôr lá um enxundioso e lerdo cágado.
Sete anos depois (isso mesmo, s-e-t-e), o Supremo Tribunal julgou uma liminar pedida pelo PT no governo Fernando Henrique, exatamente contra a criação de fundações no serviço público, que agora o PT defende e quer. Mas não se avexem. Se a liminar levou 7 anos para ser julgada, a decisão final possivelmente virá daqui a 70 anos.
Motel e caixa d'água
O Rio realmente é diferente de São Paulo. Lá, liberaram a construção de um motel de 12 andares bem na cabeceira da pista de Congonhas. Se houver problemas, o avião descerá docemente sobre macios colchões de amor.
Já no Rio a prefeitura de Duque de Caxias autorizou a construtora Grafisa a levantar dois grandes prédios de 16 andares bem na rota de pouso e decolagem do Galeão, mas a Anac conseguiu uma vitória. Tirou as caixas d'água do telhado. Está garantido que ninguém se afogará na caixa d'água.
Aeroporto
O humor popular descobriu mais uma dificuldade para o governo decidir ampliar o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo.É que Lula prefere Viracopos.
Ombudsman
Tereza, a Incrivinel, picotou a gramática em sua coluna no "Globo": "Foram 12 os adjetivos (sic) usados pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) contra a conduta do governo na crise aérea: vergonha, descalabro, inércia, irresponsabilidade, incompetência, negligência, ineficiência, falta de autoridade, indignidade, má gestão, falta de compostura, desumanidade".
O vício de despejar adjetivos elogiosos sobre o governo reprovou a Tereza no Enem da língua. Substantivo é o que é. Adjetivo é o que se quer que seja.