quarta-feira, setembro 26, 2007

CPI: deputados se irritam com relatório

O deputado Vic Pires (DEM-PA) classificou o relatório do deputado Marco Maia (PT-RS) na CPI do Apagão Aéreo como uma "frouxidão sem tamanho". Para Vic Pires, o parecer está a serviço do PT e dos que estão na Agência Nacional de Aviação Civil. Também insatisfeita com o relatório, a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), pretende apresentar voto em separado pedindo indiciamento de todos diretores da Anac e da Infraero, responsável por liberar a pista de Congonhas no dia do acidente com o vôo da TAM. Luciana disse que a situação é "indecente", referindo-se ao fato de os controladores de vôo terem sido os únicos brasileiros indiciados pelo parecer de Maia. Gustavo Fruet (PSDB-PR) também criticou o texto do relator. "Do jeito que está, não dá para aprovar o relatório". Para Fruet, o documento é omisso, pois não foi conclusivo em relação às situações apontadas na CPI e sem efeito em relação ao acidente com o avião da Gol.

Mas os deputados da oposição esperavam o quê, um libelo condenatório da ação de omissão e irresponsabilidade do governo Lula? E escrita por um deputado petista ? Ora, é quererem demais de gente lacaia a serviço do que mandou o poderoso chefão de toda a quadrilha.

Desde o início os trabalhos foram direcionados para que chegasse a conclusão de que não há conclusão para se concluir. De que os mortos da Gol e TAM morreram porque quiseram. De que as falcatruas cometidas na INFRAERO foram apenas pequenos arranhões que em nada contribuíram para os acidentes, para os apagões, para a humilhação imposta aos passageiros, e de que a ANAC é uma agência comandada por gente que sabe tudo de aviação comercial civil e todos são extremamente competentes. Nada a declarar.

Da mesma forma como a Polícia Federal concluiu o inquérito do dossiê anti-tucano da forma mais vergonhosa possível. Houve crime, houve uma bufunfa de R$ 1,7 milhão, mas eles não “conseguiram” a origem de tanta grana que deve ter caído do céu de pára-quedas como doação do espírito santo para o programa FOME ZERO.

Assim, estranhar que o Marco Maia faça um relatório vagabundo e pilantra não pode ser nenhuma surpresa. Ele está ali para isto mesmo: não relatar crimes, não apontar culpados, não incriminar as chefias, não descobrir nem relatar nada. É o relatório beatificando os crimes e os criminosos. Marco Maia não passa de um assessor de belzebus, atuando em prol dos companheiros do crime organizado instalados no Planalto e na República.

E tanto é verdadeira a tese de que o relatório da CPI do Apagão foi “encomendado” e que a base governista atou no sentido de impedir que as canalhices fossem investigadas, que a própria CGU dá o caminho das pedras.

Foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira a decisão da CGU (Controladoria Geral da União) de punir quatro funcionários da Infraero suspeitos de envolvimento em irregularidades em processos de licitação. As penalidades variam entre suspensão de 30 dias e demissão.

Os servidores Fernando Brendaglia de Almeida (superintendente de planejamento) e Napoleão Lopes Guimarães Neto (advogado) deverão ter seus contratos rescindidos sob alegação de prática de improbidade administrativa. Já as funcionárias Márcia Chaves (da assessoria jurídica) e Maria José de Andrade (responsável pelo controle interno), cumprirão suspensão de 30 dias.
A comissão de sindicância afirmou que Almeida, Guimarães Neto e Chaves envolveram-se na concessão, sem licitação, de área para posto de combustíveis no aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Maria José de Andrade é acusada de aprovar relatórios do ex-diretor Financeiro da Infraero, com quem mantinha relação conjugal, em 2004 e 2005.

É preciso se dizer mais alguma coisa ? E olhem que isto é só um pequeno fiapo de um turbilhão que se deixou de investigar na CPI. Outro caminho, há pelo menos uma dúzia de relatórios do TCU sobre as irregularidades e patifarias cometidas na INFRAERO, principalmente na gestão de Carlos Wilson e que a CPI simplesmente ignorou.