segunda-feira, setembro 10, 2007

Viúva de Toninho do PT diz que teme ameaças

Rose Mary de Souza, Redação Terra

A psicóloga Roseana Garcia, viúva do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, se mudou de Campinas há cerca de quatro anos e foi morar na capital paulista temendo por sua segurança após ser ameaçada. Ainda hoje, quase seis anos após a morte de Toninho, ela diz ter medo e temer pela segurança de sua filha.

Roseana, que está em Campinas para atos em lembrança à morte do prefeito, discorda da Promotoria que aponta o seqüestrador Wanderson Neuton de Paula Lima, o Andinho, como responsável pela morte de Toninho. Ela pede a reabertura das investigações. Andinho cumpre pena em um presídio no interior de São Paulo e nega ter matado o ex-prefeito. Sua condenação chegou a quase 70 anos. O juiz do Tribunal do Júri de Campinas deve se pronunciar nos próximos dias.

Toninho foi assassinado em 10 de setembro de 2001. O caso ainda corre nos tribunais. A Justiça não conseguiu determinar a motivação e o autor do tiro que tirou a vida do arquiteto, que tinha 49 anos. Toninho foi eleito com 59,79% de votos para administrar o município com quase 1 milhão de habitantes.

Cerimônias
Parentes e amigos reuniu-se na manhã de domingo, na avenida Mackenzie, local onde o ex-prefeito foi alvejado dentro de seu carro. À noite, às 19h, foi celebrada uma missa na Igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro Proença, a pouco metros da casa em que a família morava.

"Estou cada vez mais convencida que foi um crime de mando, do crime organizado. Cada vez fica mais claro que o estilo de Antonio era incompátivel", afirma Roseana. "É um crime que ninguém consegue resolver. O Antonio iria atrapalhar as maracutaias de muita gente. Ele era destemido até demais", comenta pontuando cada palavra.

Para Roseana, a cidade que o seu marido administrou por nove meses concentra nichos da criminalidade. "A violência é cavalar", diz. "Basta procurar em arquivos e encontrar ações do narcotráfico, roubo de cargas, lavagem de dinheiro, gente graúda envolvida", enumera ela, assim como sustentou em depoimento na CPI dos Bingos na Câmara dos Deputados.

Morte de Toninho do PT foi tramada, diz testemunha
Em depoimento à Promotoria e à Polícia Civil, um sushiman da região de Campinas, no interior de São Paulo, diz que presenciou, sem que fosse notado, três reuniões em uma casa de bingo onde teria sido tramada a morte do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, morto em 10 de setembro de 2001. A testemunha, que usa o codinome de "Jack", declarou ter medo de ser assassinado, informa a Folha de S.Paulo.

A polícia, no entanto, sustenta a tese de que o prefeito foi vítima de um crime comum. Toninho do PT teria atrapalhado a fuga da quadrilha do seqüestrador Andinho e, por isso, foi assassinado.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) espera que o sushiman preste depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos sobre as declarações feitas, diz o jornal paulista.

A edição do jornal O Estado de S.Paulo do último dia 10 revelou que o depoimento pode ser secreto. A viúva de Toninho, Roseana Garcia, afirmou à CPI que a Polícia Civil e o Ministério Público de Campinas não levaram as declarações de "Jack" a sério.

A comissão já aprovou uma espécie de apoio à decisão do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de pedir que a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humanos investigue a "chacina" de quatro jovens em Caraguatatuba, dois deles acusados pela polícia de serem os matadores de Toninho.

De iniciativa do senador Eduardo Suplicy, a proposta objetiva transferir a investigação do assassinato de Toninho para a Polícia Federal, quatro anos depois do crime.

A declaração de Roseana de que foram retomados pela prefeitura de Campinas contratos suspeitos após a morte de seu marido foram contestadas pela prefeita petista que o substituiu, Izalene Tiene, e pelo consórcio Ecocamp, de limpeza pública.

Em nota, a ex-prefeita disse que Toninho, quando assumiu, fez uma renegociação do contrato de limpeza, que passou de R$ 133 milhões para R$ 93 milhões. Segundo ela, os serviços que não foram executados pela empresa passaram a ser feitos por servidores temporários, pelo período de um ano.

O consórcio Ecocamp afirmou que o acordo firmado no dia 13 de julho de 2001, "de forma bastante transparente, contemplou os interesses das partes envolvidas e suas bases estão em vigência até hoje, inclusive com relação ao preço".

A CPI dos Bingos também aprovou requerimento de Suplicy convocando para depor a proprietária da empresa de transporte urbano Rosângela Gabrilli. Em depoimento ao Ministério Público, ela revelou que a empresa era extorquida pela prefeitura de Santo André, na gestão de Celso Daniel, para manter as linhas de ônibus.

Família de Toninho do PT tenta incluir testemunha
A família do prefeito de Campinas assassinado em 2001, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, solicitou para que uma testemunha que liga o caso ao suposto esquema de corrupção no contrato do lixo da cidade seja ouvida em juízo. A família do ex-prefeito petista contesta a versão do Ministério Público (MP), que não aponta motivação para o crime.

O MP pede que o seqüestrador Wanderson de Paula Lima, o Andinho, seja levado a júri popular pelo crime de homicídio. Já a viúva e o irmão de Toninho alegam em documento entregue à Justiça que a acusação do MP necessita de "mais robusta comprovação", de acordo com o jornal Folha de S. Paulo.