Fausto Wolff , Jornal do Brasil
Eu ia escrever "desesperador", mas cheguei à conclusão de que é só "chato". Desesperador será o dia em que eu jogar o computador fora para substituí-lo por meu cachorro. Diariamente, depois das abluções matinais (agora já escrevi abluções, velho sonho jamais realizado e não volto atrás), ligo o computador e espero meia hora, porque tenho Velox. Passada a meia hora, mais de 30 moças das mais diversas nacionalidades se oferecem para aumentar o meu pênis. Liguei para o meu provedor e disse a eles, depois de dois dias ao telefone, que pagava para não receber spams - coisa que não sei bem o que é e que se multiplicam como corruptos no Senado. Informaram-me que as moças se rebelaram e, da Finlândia ao Senegal, querem porque querem aumentar o pênis de todo mundo, o que vem despertando a ira de veteranas ligas feministas.
Como não tenho dinheiro para a enfermeira e minha mulher deu um tempo, Nataniel Jebão emprestou-me seu velho mordomo, sir Anthony Hopkins. Peço a ele que me traga um pedaço de queijo limburgo. Como ele é bem mais velho que eu, perguntei se não seria bom ele anotar o que o médico havia recomendado. Ele olha para mim, de cima a baixo, e não diz nada. Peço-lhe que ponha uma fatia de presunto de Parma e ele finge não ouvir. "Bote do lado um pouco de mostarda de Dijon, mas anote no caderninho." Mais uma vez ele me olha com aquele olhar que os coronéis britânicos reservavam aos párias. Trinta minutos depois voltou com um prato com duas bolas de sorvete e calda de chocolate. Olhei e tive de reclamar.
- Está vendo? Eu sabia que você ia esquecer o wafle(*).
Não vejo mais televisão porque aquelas meninas falam muito depressa e se atrapalham para ler no tele-prompter as bobagens que fingem ser de sua autoria. Coitadinhas, só podem deixar o comercial de lado se uma bomba cair na Barra. Caísse em Austin poderia esperar. Ao preparar-me para ler os jornais lembrei-me da recomendação da minha editora, a Kathia, que consegue ser belíssima e saber o que é hipérbole. Segundo ela, ando muito pesado e os leitores também merecem um pouco do light side of life. Passei os olhos pelas primeiras páginas e já estava chorando. É sério, as crianças que passam pela minha janela puxam as mães pelas saias e dizem: "Olha o homem que chora". E ele não tem nada a ver com o sorridente homem do Victor Hugo.
Quase tudo o que dizem as primeiras páginas eu já havia publicado 15 anos atrás. Por exemplo: "Elite sustenta o tráfico". Ninguém fez nada. Agora que sabem, os policiais, por exemplo, poderiam dar uns rasantes por certas coberturas do Leblon, Ipanema e Barra. Só matem os garçons. Caso contrário, vocês vão ver como dói um Codi... cilo.
Bom, acho que até aqui consegui fazer uma coluna tão leve quanto o cérebro do Mangabeira Unger. Agora, como o espaço está acabando, vou fazer alguns pequenos comentários.
*** Parece que a CPMF vai mesmo passar, pois houve um acordo entre o governo e o PSDB. O governo não diz quantos votos o PSDB comprou para eleger o Azeredo governador de Minas e o PSDB vota pela CPMF, sem a qual a Casa Branca fecha. Hugo Chávez ofereceu um dinheiro emprestado ao sr. Luiz Silva, mas este disse que o povo brasileiro está preparado para mais este sacrifício.
*** Enquanto entrevistava um modelo Homem-Aranha na Casa Rolas, o Capitão Joban atacou o pessoal da Anac, que não respondeu imediatamente. Vai conferenciar com Hugo Chávez antes de dar uma resposta definitiva.
*** O arroz com feijão está 20% mais caro. O presidente Hugo Chávez ofereceu-se para cobrir a diferença, mas o Brasil preferiu adotar o método comunista chinês, o célebre arroz com arroz.
*** Raul Castro ouviu falar que havia uma crise na saúde brasileira - mas de onde é que esse pessoal tira essas coisas? - e ofereceu-se para mandar médicos e enfermeiros. O sr. Luiz Silva, porém, respondeu que prefere improvisar. "Já estamos usando papelão e ataduras no lugar de talas e perfuradoras nas minicirurgias cerebrais. Preferimos perdoar a dívida do Congo e mandar soldados pra o Haiti."
*** Pobres da Zona Norte, subúrbios e favelas do Rio queixam-se que nem na hora da morte - bala pedida, assalto, vingança policial - são lembrados. Nunca saem nas primeiras páginas e, quando saem, é sempre em uma reles coluna. O presidente Chávez ofereceu-se para noticiar em primeira página não só os nomes como as fotos dos mortos brasileiros pobres, mas seus parentes disseram que ninguém lê venezuelês.
*** Me despeço com uma pergunta: se não criminalizarmos os pobres quem nos deixará criminalizar os ricos?
(*) Esta piada do velhinho e do seu mordomo me foi enviada pelo leitor, e a esta altura amigo, Alfredo Pereira Santos
Eu ia escrever "desesperador", mas cheguei à conclusão de que é só "chato". Desesperador será o dia em que eu jogar o computador fora para substituí-lo por meu cachorro. Diariamente, depois das abluções matinais (agora já escrevi abluções, velho sonho jamais realizado e não volto atrás), ligo o computador e espero meia hora, porque tenho Velox. Passada a meia hora, mais de 30 moças das mais diversas nacionalidades se oferecem para aumentar o meu pênis. Liguei para o meu provedor e disse a eles, depois de dois dias ao telefone, que pagava para não receber spams - coisa que não sei bem o que é e que se multiplicam como corruptos no Senado. Informaram-me que as moças se rebelaram e, da Finlândia ao Senegal, querem porque querem aumentar o pênis de todo mundo, o que vem despertando a ira de veteranas ligas feministas.
Como não tenho dinheiro para a enfermeira e minha mulher deu um tempo, Nataniel Jebão emprestou-me seu velho mordomo, sir Anthony Hopkins. Peço a ele que me traga um pedaço de queijo limburgo. Como ele é bem mais velho que eu, perguntei se não seria bom ele anotar o que o médico havia recomendado. Ele olha para mim, de cima a baixo, e não diz nada. Peço-lhe que ponha uma fatia de presunto de Parma e ele finge não ouvir. "Bote do lado um pouco de mostarda de Dijon, mas anote no caderninho." Mais uma vez ele me olha com aquele olhar que os coronéis britânicos reservavam aos párias. Trinta minutos depois voltou com um prato com duas bolas de sorvete e calda de chocolate. Olhei e tive de reclamar.
- Está vendo? Eu sabia que você ia esquecer o wafle(*).
Não vejo mais televisão porque aquelas meninas falam muito depressa e se atrapalham para ler no tele-prompter as bobagens que fingem ser de sua autoria. Coitadinhas, só podem deixar o comercial de lado se uma bomba cair na Barra. Caísse em Austin poderia esperar. Ao preparar-me para ler os jornais lembrei-me da recomendação da minha editora, a Kathia, que consegue ser belíssima e saber o que é hipérbole. Segundo ela, ando muito pesado e os leitores também merecem um pouco do light side of life. Passei os olhos pelas primeiras páginas e já estava chorando. É sério, as crianças que passam pela minha janela puxam as mães pelas saias e dizem: "Olha o homem que chora". E ele não tem nada a ver com o sorridente homem do Victor Hugo.
Quase tudo o que dizem as primeiras páginas eu já havia publicado 15 anos atrás. Por exemplo: "Elite sustenta o tráfico". Ninguém fez nada. Agora que sabem, os policiais, por exemplo, poderiam dar uns rasantes por certas coberturas do Leblon, Ipanema e Barra. Só matem os garçons. Caso contrário, vocês vão ver como dói um Codi... cilo.
Bom, acho que até aqui consegui fazer uma coluna tão leve quanto o cérebro do Mangabeira Unger. Agora, como o espaço está acabando, vou fazer alguns pequenos comentários.
*** Parece que a CPMF vai mesmo passar, pois houve um acordo entre o governo e o PSDB. O governo não diz quantos votos o PSDB comprou para eleger o Azeredo governador de Minas e o PSDB vota pela CPMF, sem a qual a Casa Branca fecha. Hugo Chávez ofereceu um dinheiro emprestado ao sr. Luiz Silva, mas este disse que o povo brasileiro está preparado para mais este sacrifício.
*** Enquanto entrevistava um modelo Homem-Aranha na Casa Rolas, o Capitão Joban atacou o pessoal da Anac, que não respondeu imediatamente. Vai conferenciar com Hugo Chávez antes de dar uma resposta definitiva.
*** O arroz com feijão está 20% mais caro. O presidente Hugo Chávez ofereceu-se para cobrir a diferença, mas o Brasil preferiu adotar o método comunista chinês, o célebre arroz com arroz.
*** Raul Castro ouviu falar que havia uma crise na saúde brasileira - mas de onde é que esse pessoal tira essas coisas? - e ofereceu-se para mandar médicos e enfermeiros. O sr. Luiz Silva, porém, respondeu que prefere improvisar. "Já estamos usando papelão e ataduras no lugar de talas e perfuradoras nas minicirurgias cerebrais. Preferimos perdoar a dívida do Congo e mandar soldados pra o Haiti."
*** Pobres da Zona Norte, subúrbios e favelas do Rio queixam-se que nem na hora da morte - bala pedida, assalto, vingança policial - são lembrados. Nunca saem nas primeiras páginas e, quando saem, é sempre em uma reles coluna. O presidente Chávez ofereceu-se para noticiar em primeira página não só os nomes como as fotos dos mortos brasileiros pobres, mas seus parentes disseram que ninguém lê venezuelês.
*** Me despeço com uma pergunta: se não criminalizarmos os pobres quem nos deixará criminalizar os ricos?
(*) Esta piada do velhinho e do seu mordomo me foi enviada pelo leitor, e a esta altura amigo, Alfredo Pereira Santos