Marsílea Gombata, Jornal do Brasil
Eleito para implantar reformas sociais distantes do neoliberalismo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, luta pela missão chamada Socialismo do século 21 e não aceita alternativas. Sob o lema "Pátria, socialismo ou morte", Chávez divide o país em fãs e opositores, que o acusam de manter uma postura de tendências fascistas. Um destes é Teodoro Petkoff, que não poupa sua fúria para acusar o presidente de tentar controlar todos os setores do Estado para moldar uma nova ideologia apoiada na figura de Simón Bolívar. Convidado especial do 31º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, em Caxambu (MG), o ex-integrante do Partido Comunista e do Movimento ao Socialismo (MAS) mostra preocupação com o totalitarismo de Chávez e torce para vê-lo derrotado em uma eleição democrática. Petkoff acredita que o jornalismo venezuelano "é exercido com muita coragem" e tem papel crítico fundamental na Venezuela atual, para lutar "contra a hegemonia da comunicação" proposta por Chávez.
Como avalia o atual contexto da Venezuela?
– É preocupante. Com o reforço da figura pessoal de Chávez, o projeto político que existia desapareceu com a possibilidade de reeleição in-finita. Chávez colocou o país num pré-totalitarismo e isso resultou na unificação da cultura, da educação, no controle das organizações de direitos humanos e numa hegemonia dos meios de comunicação. Não existe pensamento político que não seja oficial e há um “avassalamento” do país. Não sei se o objetivo é trans-formar a Venezuela em Cuba mas, para mim, quando se fala em mu-dança social é preciso ter instituições representativas e democracia.
As tendências do governo minam a liberdade de expressão? Você teme pelo Tal Cual?
– Ainda não se pode falar nisso. Hegemonia dos meios de comunicação não é como o monopólio, nos moldes soviéticos. Há grande aparato dos meios estatais e redução dos privados. Não há censura prévia, mas há auto-censura, pois o governo ainda coexiste com os veículos independentes. A liberdade de expressão não está liquidada mas, sim, pressionada. Ainda há espaço para a postura crítica e independente. E torço para que isso continue.
Chávez é criticado por ser populista. Mas seu governo não tem mérito na saúde e educação?
– Certamente, os programas sociais de Chávez, que ele chama de missões, chegam aos mais humildes. Mas ele não inventou a política social no país e há um problema sério: os programas sociais não estão articulados com desenvolvimento econômico e se reduzem a assistencialismo. Não combatem a pobreza.
Nas últimas eleições, você quase concorreu pela oposição. Ainda planeja isso? Há alguém capaz de derrotar Chávez?
–Foi um manifesto,pois não havia oposição e eu quis enfrentá-lo. Mas não penso mais. Espero que continuem a aparecer políticos capazes de desafiar Chávez, como Manuel Rosales, governador do Estado de Zulia, do partido Um Novo Tempo. Precisamos de referências. Há um buraco no projeto chavista.
O que derrotaria Chávez? Quais seriam as conseqüências e lições?
–Torço para que isso ocorra de forma democrática e que ele seja derrotado pela maioria que busca a democracia. Num futuro próximo, há incerteza e conflito. Por outro lado, o fervor dos chavistas está mais atenuado do que antes. Isso porque o governo é muito incompetente e há pressão de setores sociais insatisfeitos, que acusam governantes de corrupção e desvio de riqueza do petróleo. É revoltante ver os carros de luxo e ternos Armani dos políticos. A propaganda dos programas sociais é ótima, mas a prática é outra.
Eleito para implantar reformas sociais distantes do neoliberalismo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, luta pela missão chamada Socialismo do século 21 e não aceita alternativas. Sob o lema "Pátria, socialismo ou morte", Chávez divide o país em fãs e opositores, que o acusam de manter uma postura de tendências fascistas. Um destes é Teodoro Petkoff, que não poupa sua fúria para acusar o presidente de tentar controlar todos os setores do Estado para moldar uma nova ideologia apoiada na figura de Simón Bolívar. Convidado especial do 31º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, em Caxambu (MG), o ex-integrante do Partido Comunista e do Movimento ao Socialismo (MAS) mostra preocupação com o totalitarismo de Chávez e torce para vê-lo derrotado em uma eleição democrática. Petkoff acredita que o jornalismo venezuelano "é exercido com muita coragem" e tem papel crítico fundamental na Venezuela atual, para lutar "contra a hegemonia da comunicação" proposta por Chávez.
Como avalia o atual contexto da Venezuela?
– É preocupante. Com o reforço da figura pessoal de Chávez, o projeto político que existia desapareceu com a possibilidade de reeleição in-finita. Chávez colocou o país num pré-totalitarismo e isso resultou na unificação da cultura, da educação, no controle das organizações de direitos humanos e numa hegemonia dos meios de comunicação. Não existe pensamento político que não seja oficial e há um “avassalamento” do país. Não sei se o objetivo é trans-formar a Venezuela em Cuba mas, para mim, quando se fala em mu-dança social é preciso ter instituições representativas e democracia.
As tendências do governo minam a liberdade de expressão? Você teme pelo Tal Cual?
– Ainda não se pode falar nisso. Hegemonia dos meios de comunicação não é como o monopólio, nos moldes soviéticos. Há grande aparato dos meios estatais e redução dos privados. Não há censura prévia, mas há auto-censura, pois o governo ainda coexiste com os veículos independentes. A liberdade de expressão não está liquidada mas, sim, pressionada. Ainda há espaço para a postura crítica e independente. E torço para que isso continue.
Chávez é criticado por ser populista. Mas seu governo não tem mérito na saúde e educação?
– Certamente, os programas sociais de Chávez, que ele chama de missões, chegam aos mais humildes. Mas ele não inventou a política social no país e há um problema sério: os programas sociais não estão articulados com desenvolvimento econômico e se reduzem a assistencialismo. Não combatem a pobreza.
Nas últimas eleições, você quase concorreu pela oposição. Ainda planeja isso? Há alguém capaz de derrotar Chávez?
–Foi um manifesto,pois não havia oposição e eu quis enfrentá-lo. Mas não penso mais. Espero que continuem a aparecer políticos capazes de desafiar Chávez, como Manuel Rosales, governador do Estado de Zulia, do partido Um Novo Tempo. Precisamos de referências. Há um buraco no projeto chavista.
O que derrotaria Chávez? Quais seriam as conseqüências e lições?
–Torço para que isso ocorra de forma democrática e que ele seja derrotado pela maioria que busca a democracia. Num futuro próximo, há incerteza e conflito. Por outro lado, o fervor dos chavistas está mais atenuado do que antes. Isso porque o governo é muito incompetente e há pressão de setores sociais insatisfeitos, que acusam governantes de corrupção e desvio de riqueza do petróleo. É revoltante ver os carros de luxo e ternos Armani dos políticos. A propaganda dos programas sociais é ótima, mas a prática é outra.