Jornal do Brasil
A queda no orçamento da do Programa de Contenção de Encostas da prefeitura pode ser a explicação para o dia de caos que o Rio viveu ontem por conta do deslizamento de pelo menos 7 mil toneladas de terra sobre duas de suas galerias, provocando seu fechamento. Informações recolhidas do próprio município indicam que, em 1996, último ano do primeiro mandato de Cesar Maia, a verba para obras em encostas era de R$ 55 milhões. No terceiro mandato, caiu para R$ 10 milhões em 2005 e mas ainda este ano: R$ 7,5 milhões. Uma inspeção do Tribunal de Contas do Município no mesmo programa mostra números semelhantes e vai além.
Na análise dos 10 anos do programa, entre 1996 e 2006, os auditores encontraram obras de baixo risco que foram adiadas, outras urgentes que ficaram paradas e carência de pessoal para vistoria de obras públicas. A conseqüência de tamanho descaso acabou acertando em cheio duas das galerias do Rebouças, o que deu um nó no trânsito. Da Barra à Zona Norte, passando pela Avenida Brasil, foi difícil chegar ao trabalho e voltar para casa.
Em Mesquita, Ronaldo Ribeiro, de nove anos, morreu. As autoridades preferiram trocar acusações. Na prefeitura, que administra o Rebouças e a contenção de encostas, o alvo era a Cedae que, segundo Cesar Maia, causou os deslizamentos devido ao rompimento de uma tubulação. O presidente da empresa, Wagner Victer, rebateu: "Só se foi um encanamento como o que leva água à minha cozinha". Em meio ao jogo de empurra, a população sofreu. Só a Defesa Civil municipal recebeu mais de 200 chamados - uma casa desabou na Providência e, na sede do Iaserj, na Cruz Vermelha, uma das paredes caiu.
Em praticamente todos os bairros o que se viu foram bueiros destampados, ruas alagadas e rios e canais transbordando. Faltou luz em vários pontos da cidade. Geólogos dizem que queimadas na mata em cima do túnel, há dez dias, podem ter facilitado o deslizamento. A previsão é de que o Rebouças seja reaberto no sábado.
Várias perguntas e uma só resposta
André Balocco, Editor de Cidade
Cesar Maia que me perdoe, mas se a culpa pelo deslizamento de pelo menos 7 mil toneladas de terra sobre as galerias centrais do Túnel Rebouças não for da prefeitura, de quem seria? Com a vossa licença, vamos aos fatos que, por coincidência, têm a mesma resposta: quem administra o Túnel Rebouças? Quem é responsável por evitar o desmatamento? E a favelização irresponsável da cidade, como a que vemos acontecer a galope na Rua Sacopã, e que não é evitada por "falta de verbas" para unificar os parques limítrofes? Por que a Geo-Rio, que cuida de nossas encostas, não interveio assim que recebeu a informação sobre o incêndio que destruira a cobertura vegetal acima da galeria? Ah, e quem deve evitar queimadas para a construção de novos barracos? Uma coisa, senhor prefeito, posso lhe garantir: não sou eu.
A queda no orçamento da do Programa de Contenção de Encostas da prefeitura pode ser a explicação para o dia de caos que o Rio viveu ontem por conta do deslizamento de pelo menos 7 mil toneladas de terra sobre duas de suas galerias, provocando seu fechamento. Informações recolhidas do próprio município indicam que, em 1996, último ano do primeiro mandato de Cesar Maia, a verba para obras em encostas era de R$ 55 milhões. No terceiro mandato, caiu para R$ 10 milhões em 2005 e mas ainda este ano: R$ 7,5 milhões. Uma inspeção do Tribunal de Contas do Município no mesmo programa mostra números semelhantes e vai além.
Na análise dos 10 anos do programa, entre 1996 e 2006, os auditores encontraram obras de baixo risco que foram adiadas, outras urgentes que ficaram paradas e carência de pessoal para vistoria de obras públicas. A conseqüência de tamanho descaso acabou acertando em cheio duas das galerias do Rebouças, o que deu um nó no trânsito. Da Barra à Zona Norte, passando pela Avenida Brasil, foi difícil chegar ao trabalho e voltar para casa.
Em Mesquita, Ronaldo Ribeiro, de nove anos, morreu. As autoridades preferiram trocar acusações. Na prefeitura, que administra o Rebouças e a contenção de encostas, o alvo era a Cedae que, segundo Cesar Maia, causou os deslizamentos devido ao rompimento de uma tubulação. O presidente da empresa, Wagner Victer, rebateu: "Só se foi um encanamento como o que leva água à minha cozinha". Em meio ao jogo de empurra, a população sofreu. Só a Defesa Civil municipal recebeu mais de 200 chamados - uma casa desabou na Providência e, na sede do Iaserj, na Cruz Vermelha, uma das paredes caiu.
Em praticamente todos os bairros o que se viu foram bueiros destampados, ruas alagadas e rios e canais transbordando. Faltou luz em vários pontos da cidade. Geólogos dizem que queimadas na mata em cima do túnel, há dez dias, podem ter facilitado o deslizamento. A previsão é de que o Rebouças seja reaberto no sábado.
Várias perguntas e uma só resposta
André Balocco, Editor de Cidade
Cesar Maia que me perdoe, mas se a culpa pelo deslizamento de pelo menos 7 mil toneladas de terra sobre as galerias centrais do Túnel Rebouças não for da prefeitura, de quem seria? Com a vossa licença, vamos aos fatos que, por coincidência, têm a mesma resposta: quem administra o Túnel Rebouças? Quem é responsável por evitar o desmatamento? E a favelização irresponsável da cidade, como a que vemos acontecer a galope na Rua Sacopã, e que não é evitada por "falta de verbas" para unificar os parques limítrofes? Por que a Geo-Rio, que cuida de nossas encostas, não interveio assim que recebeu a informação sobre o incêndio que destruira a cobertura vegetal acima da galeria? Ah, e quem deve evitar queimadas para a construção de novos barracos? Uma coisa, senhor prefeito, posso lhe garantir: não sou eu.