domingo, março 30, 2008

ENQUANTO ISSO...

Dengue: ministério contesta volta de vírus tipo 4
Agência Brasil

O Ministério da Saúde contestou em nota divulgada hoje que o vírus tipo 4 da dengue (o DENV-4) tenha voltado a infectar pacientes no Amazonas. Um artigo publicado por pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas na revista científica Emerging Infectious Diseases afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, após exames sorológicos e testes moleculares.

Segundo o ministério, "no Brasil, somente os de 1 a 3 circulam em território nacional. Não há evidência concreta de que o DEN 4 está presente no País".

A nota explica ainda que, para se certificar da existência do vírus no Brasil, as amostras utilizadas pela fundação foram testadas novamente. "Dois laboratórios de referência nacional re-testaram essas amostras pelas técnicas de cultura viral e PCR e o sorotipo DENV3 foi detectado em seis amostras pela técnica de PCR e três amostras foram negativas. O produto da PCR foi seqüenciado confirmando os resultados de dengue sorotipo 3 (DENV3)", ressalta o documento.

De acordo com o Ministério da Saúde, o resultado das novas verificações foi que "em nenhuma das amostras testadas houve confirmação de títulos de anticorpos para o sorotipo DENV4".

Mesmo assim, três unidades sentinelas para isolamento viral foram implantadas no município de Manaus com o objetivo de monitorar a circulação viral na região, sem nenhuma detecção do tipo 4 até o presente momento, informa a nota.

Caso o vírus tipo 4 tivesse efetivamente presente na população de Manaus, acrescenta a nota do ministério, a situação epidemiológica seria muito diferente da verificada atualmente, ou seja, haveria uma transmissão com predominância desse tipo, o que não ocorre.

Enquanto isso...
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Infectologista: mais 3 centros confirmam dengue tipo 4

A infectologista Maria Paula Mourão, doutora em doenças tropicais, afirmou hoje que o estudo realizado por cientistas da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT) teve seus resultados confirmados por outros três centros de pesquisa que eram parceiras no estudo, como Universidade Federal do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Universidade de Porto Rico. O relatório aponta a presença da dengue tipo 4 em Manaus e foi contestado em nota pelo Ministério da Saúde.

"Eles usaram a mesma metodologia de nossa pesquisa, mas cada um em seu laboratório, e chegaram ao mesmo resultado", afirmou, sobre o estudo realizado entre 2005 e 2007 que ganhou repercussão depois de publicado em revista científica internacional.

Maria Paula informou que o artigo divulgado na Emerging Infectious Diseases é resultado da análise de 128 amostras de sangue de pacientes que procuraram a instituição com sintomas de febre aguda, tiveram diagnóstico negativo para os exames de malária e foram submetidos aos exames de dengue.

Nas análises, os vírus da dengue foram isolados a fim de serem identificados quanto a sua tipagem. "De todas as amostras analisadas, três delas deram resultado positivo para dengue tipo 4", contou, ao lembrar que o último caso desse tipo de dengue foi registrado no país há 26 anos, em Roraima.

A pesquisa foi concluída em agosto do ano passado e os resultados, informados às Secretarias de Saúde de Manaus e do Amazonas e ao Ministério da Saúde.

Entre outubro e novembro, técnicos do ministério coletaram em Manaus cerca de 50 novas amostras, incluindo sangue de pacientes adultos e de crianças com quadro clínico com suspeita de dengue, para avaliação em laboratórios de referência nacional, como o Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA) e na Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ).

"O objetivo era ver se havia outra indicação de dengue tipo 4", disse Maria Paula, que alegou não ter recebido o retorno disso. Ela afirmou, no entanto, que a descoberta de um novo tipo de dengue no Brasil representa apenas que a população brasileira tem mais uma chance de se expor à doença.

"Não existe qualquer relação de gravidade entre o tipo de vírus de dengue e a apresentação clínica da doença. Se os indivíduos não forem picados por mosquitos infectados, não vão adquirir vírus nenhum e nem a doença. O que faz a diferença é a situação de defesa do indivíduo. Se ele já foi exposto outras vezes a infecções por dengue, tem mais chances de ter a doença grave", ressaltou.

Para a infectologista, a entrada do vírus no País independe das ações integradas de saúde, já que "os vírus se transportam através das pessoas, ou seja, pessoas picadas por mosquitos infectados poderão levar a doença por onde forem. O que depende das ações de saúde é o controle do mosquito transmissor".

No Amazonas, neste ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, registrou, até quinta-feira, 1.221 casos suspeitos de dengue clássica e 55 confirmados de dengue hemorrágica (três mortes).

Sobre a nota em que o Ministério da Saúde contesta os resultados da pesquisa, dizendo que, no Brasil, somente os vírus de 1 a 3 circulam em território nacional e que, portanto, não há evidencia concreta de que o vírus tipo 4 esteja presente no País, Maria Paula Mourão ressaltou que a divergência entre a Fundação de Vigilância em Saúde do Estado e o ministério se deve a um erro no acondicionamento das amostras durante o transporte até o Rio de Janeiro.

"Não temos dúvidas de nossos resultados, mas o ministério sim. Os resultados no Rio de Janeiro ficaram comprometidos porque as amostras não foram submetidas às baixas temperaturas que deveriam para serem analisadas", concluiu.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Ontem, reproduzimos reportagem do Jornal do Brasil sobre a infecção com Dengue do tipo 4, do qual vale registrar e destacar o seguinte trecho:

De acordo com estudo de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, o vírus tipo 4 (o DENV-4) voltou a infectar pacientes da região, depois de 25 anos sem registros do vírus no Brasil.

O artigo, publicado na revista científica 'Emerging Infectious Diseases', afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, depois de exames sorológicos e testes moleculares. O mais alarmante é que as pessoas que já contraíram qualquer dos três tipos de vírus da dengue no país não estão imunes ao tipo 4 - e ainda estão mais vulneráveis à dengue hemorrágica.


Que moral pode ter o Ministério da Saúde do Mosquito, para contestar o estudo? Que pesquisa de campo foi feita e por qual especialista ou estudioso para o Ministério sair por aí desmentindo pesquisadores sérios que estão inclusive prestando um serviço de altíssimo valor, ao prevenir as autoridades sanitárias para o perigo que corre a população brasileira?

Menos mal, que cientistas não se curvam ao viés de certos políticos ou certas autoridades, preocupadíssimas muito mais em captar votos do que serem úteis ao país que os sustentam ! Deste modo, outro três centros de estudos vem a público proclamar que não apenas os primeiros estudos se confirmaram, como também, os 4 casos inicialmente detectados são reais.

É de se esperar que o senhor Temporão, tão omisso em relação ao Rio de Janeiro, deixe de firulas e tome as medidas emergenciais necessárias para evitar que o Tipo 4 da dengue se dissemine e acabe infectando a população brasileira. Isto seria bem mais do que catastrófico...Bastam 45 mil infectados com mais de 100 mortes, ou o ministro ainda considera tal situação “sob controle”?

Não é por nada, não, mas seria muito bom que o mosquito desse uma experimentada nos sangues do Maia, do Cabral e do Temporão, não precisava matar, só para eles sentirem um pouquinho do sofrimento que eles relegaram a população carioca ter que passar....

No próximo post, mais um triste capitulo sobre como nossas “autoridades” tratam a saúde publica no Brasil.