Adelson Elias Vasconcellos
Várias vezes alertamos aqui que, a exemplo do que os militares no tempo da ditadura fizeram, o governo petista trabalharia incessantemente na manipulação de estatísticas como forma de propaganda do “regime”. Para quem viveu (e sofreu) as agruras vividas naquele período 1964-1985, se lembrará que um dos próceres e especialista na manipulação de dados, era ninguém menos do que Delfim Neto, que hoje posa de “democrático” mas, que foi o homem forte da economia naqueles idos tempos. E que já foram muito tarde.
O Brasil experimentou no período da ditadura uma das maiores concentrações de renda de sua história. Era de Delfim a mágica frase de que “é preciso aumentar o bolo para depois repartir”. Ocorre que o bolo que eles mostravam ao país era um bolo que nunca crescia. Assim, a massa salarial foi achatada da classe média para baixo.
Com a redemocratização, outro flagelo: a inflação sem controle, que corroía o poder de compra de todos. Parte da perda histórica foi recuperada com o Plano Real que trouxe para o mercado de consumo milhões de brasileiros que, mesmo tendo algum dinheiro, não conseguiam acompanhar a evolução acelerada de preços.
Ainda fruto do achatamento e concentração de renda, é bom lembrar, a pirâmide social foi se fragmentando com o tempo. Na Classe A, havia os ricos muito ricos, e depois, num grau menor, os simplesmente ricos.
Na Classe Média produziu-se o mesmo fenômeno, e até com maior intensidade. Havia alta que passou a ser representada pela Classe B, depois vinham a média e a baixa classe média. A antiga Classe C, que reunia os pobres, desceu alguns degraus, e passou a ser representada pelas Classes D e, mais tarde, a E. Na D, eram trabalhadores com pouca formação escolar, mas toda ela trabalhadora, percebendo baixos salários. A Classe E recebeu os miseráveis, desempregados ou simplesmente trabalhadores informais como camelôs, vendedores de doces, pipoca, quinquilharias de toda a sorte e gênero, e assim por diante.
Nesta semana, o Instituto Ipsos divulgou uma pesquisa no mínimo curiosa e para a qual precisamos analisar com muita calma, porque ela embute um resultado final um tanto distorcido e não condizente com a realidade brasileira.
Diz a pesquisa que a Classe Média se tornou a maioria da população. Será ? Interessante é que nem o IBGE, com todo o seu aparato técnico, conseguiu chegar a esta mesma conclusão. Enfim, vamos em frente.
Diz a pesquisa que as classes D/E reduziram-se de 93 milhões em 2005, para 73 milhões em 2007. A Classe C, ao contrário, saltou de 62 milhões em 2005 para 86 milhões em 2007. Ou seja, enquanto uma diminui em 20 milhões, a outra cresceu em 24 milhões. Ora, há uma diferença considerável de 4 milhões de pessoas que não vieram das classes D/E, provavelmente, pessoas que estavam nas classes A/B e que perderam renda, patrimônio ou o que mais possa caracterizar, em 2 anos, terem caído seu padrão.
Aí é começa o rolo. A pesquisa simplesmente não informa quantas pessoas haviam nas classes A e B nem em 2005 tampouco em 2007. Portanto, fica difícil a gente tentar fechar a conta.
Para tentar saber as quantidades das classes A/B, precisei recorrer ao IBGE. Em seu site, há um arquivo no padrão excel, de um levantamento enviado ao TCU em novembro de 2007, com a contagem por municípios, do total da população brasileira estimada em 2007. Temos lá, 183.989.711 de habitantes.
Pois bem, de posse do total de habitantes do país, já podemos chegar ao resultado final. Para 2007, a pirâmide social da população brasileira estava assim composta:
Classes A/B – 24 milhões
Classe C - 86 milhões
Classes D/E – 73 milhões
E aí a coisa começa a ficar esquisita. Porque a ser verdadeira a pesquisa da Ipsos, as Classes A/B representariam pouco mais de 13% da população brasileira atual. Historicamente, este total nunca atravessou a barreira de 5%. Convenhamos que tem rico demais neste resultado final, mais do que, repito, historicamente se tem apurado, inclusive o próprio IBGE.
Mas, vá lá, consideremos que os totais acima divididos em classes sócio-econômicas, apesar de esquisitos, estejam certos, que sejam estes mesmos.
Aí fomos analisar os números que a pesquisa considerou para definir quem pertence a esta ou aquela classe. Confesso que levei um susto. E, uma vez refeito, comecei a entender o quão distorcido o resultado acabou se apresentando.
A pesquisa considerou a renda média para fazer seus cálculos. Para as classes D/E a renda média saltou de R$ 545,00 em 2005 para R$ 580,00 em 2007. A renda da Classe Média se manteve estável durante os anos de 2005, 2006 e 2007: R$ 1.100,00. E, nas Classes A/B, a renda média decresceu de R$ 2.484,00 para R$ 2.217,00, uma perda de 11%.
Sabendo-se que o salário mínimo em 2007 foi de R$ 380,00, considerar classe A/B pessoas com rendimento médio equivalentes a menos de 6 salários ??? Isto é alguma piada ? Considerar classe média pessoas com menos de 3 salários mínimos ? Isto é alguma brincadeira de faz de conta ???
É claro que a artilharia do governo Lula já saiu Brasil afora soltando rojão e comemorando, a tal ponto que, a princesinha de Brasilia, aquela da Casa Civil que está empacada no PAC, a moça do dossiê apelidado de “levantamento de um banco de dados”, já saiu trovejando que “Lula transformou o Brasil em um país de classe média”.
Sinceramente, fica difícil de se tentar fazer alguma interpretação do porquê o pessoal da Ipsos cometeu este horroroso engano. É preciso que esta gente entenda que a renda média brasileira não é nem de perto próxima a renda per capita que se considera em outros tipos de estatísticas. O sujeito dizer que é classe média quem ganha menos de três salários é uma heresia. Isto não custeia nem a escola do filho, quando mais a manutenção de um padrão de vida de bom padrão, sabendo-se que além de escola particular, a classe média tem seu imóvel próprio, muito bem localizado, um ou dois automóveis, e toda a sorte de conforto que sua renda de CLASSE MÉDIA lhe pode proporcionar. Achatar, artificialmente, esta renda média acabará que logo, logo todos seremos classe média. Não haverá pobreza no país. Convenhamos isto precisa ser corrigido porque trará prejuízo pra muito gente.
Se esta é a situação da classe média considerada pela pesquisa, pior ainda quando se tenta classificar a renda média das Classes A/B. Reparem, além de perderem 11% de seus ganhos nos últimos três anos, para esta camada da população foi estabelecida a renda, em 2007, de R$ 2.217,00, ou seja, pouco mais de 5 salários mínimos.
Perguntinha simples e ingênua: em que categoria o Instituto Ipsos classificaria, por exemplo, a classe política brasileira, que é numerosa, e que percebe acima de R$ 10.000,00 por mês? Ou os nossos magistrados, com renda mensal superior a R$ 20.000,00? Classes AA e BB?
E a improcedência destes resultados ficou ainda mais visível diante da informação dada pelo IBGE, de que, de acordo com o PNAD, 25 % população é beneficiária de programas sociais do governo, ou seja, caso não haja fraudes nem maquiagem, estes beneficiários tem renda média mensal abaixo de R$ 120,00, e sendo 25% do total, eles somam um batalhão de 46 milhões de pessoas. Sem dúvida, alguém escorregou feio nos resultados.
O pior é o uso político cretino que o governo Lula capitaliza a partir de informações que, conforme vimos acima, são absolutamente falsas. Será que eles não sabem matemática ? Pelo visto nem se preocupam, basta medirmos do que se compõem o eleitorado que o aprova, de acordo com a escolaridade.
É triste alguém construir uma biografia sob estruturas mentirosas. O povo brasileiro está idolatrando um engodo, uma mentira, uma mistificação. Não é a toa que Delfim se tornou o consultor particular de Lula. O homem forte da economia da ditadura, sem dúvida, deve ter muita coisa para ensinar ao Luiz Inácio, principalmente, as mais sórdidas.
Várias vezes alertamos aqui que, a exemplo do que os militares no tempo da ditadura fizeram, o governo petista trabalharia incessantemente na manipulação de estatísticas como forma de propaganda do “regime”. Para quem viveu (e sofreu) as agruras vividas naquele período 1964-1985, se lembrará que um dos próceres e especialista na manipulação de dados, era ninguém menos do que Delfim Neto, que hoje posa de “democrático” mas, que foi o homem forte da economia naqueles idos tempos. E que já foram muito tarde.
O Brasil experimentou no período da ditadura uma das maiores concentrações de renda de sua história. Era de Delfim a mágica frase de que “é preciso aumentar o bolo para depois repartir”. Ocorre que o bolo que eles mostravam ao país era um bolo que nunca crescia. Assim, a massa salarial foi achatada da classe média para baixo.
Com a redemocratização, outro flagelo: a inflação sem controle, que corroía o poder de compra de todos. Parte da perda histórica foi recuperada com o Plano Real que trouxe para o mercado de consumo milhões de brasileiros que, mesmo tendo algum dinheiro, não conseguiam acompanhar a evolução acelerada de preços.
Ainda fruto do achatamento e concentração de renda, é bom lembrar, a pirâmide social foi se fragmentando com o tempo. Na Classe A, havia os ricos muito ricos, e depois, num grau menor, os simplesmente ricos.
Na Classe Média produziu-se o mesmo fenômeno, e até com maior intensidade. Havia alta que passou a ser representada pela Classe B, depois vinham a média e a baixa classe média. A antiga Classe C, que reunia os pobres, desceu alguns degraus, e passou a ser representada pelas Classes D e, mais tarde, a E. Na D, eram trabalhadores com pouca formação escolar, mas toda ela trabalhadora, percebendo baixos salários. A Classe E recebeu os miseráveis, desempregados ou simplesmente trabalhadores informais como camelôs, vendedores de doces, pipoca, quinquilharias de toda a sorte e gênero, e assim por diante.
Nesta semana, o Instituto Ipsos divulgou uma pesquisa no mínimo curiosa e para a qual precisamos analisar com muita calma, porque ela embute um resultado final um tanto distorcido e não condizente com a realidade brasileira.
Diz a pesquisa que a Classe Média se tornou a maioria da população. Será ? Interessante é que nem o IBGE, com todo o seu aparato técnico, conseguiu chegar a esta mesma conclusão. Enfim, vamos em frente.
Diz a pesquisa que as classes D/E reduziram-se de 93 milhões em 2005, para 73 milhões em 2007. A Classe C, ao contrário, saltou de 62 milhões em 2005 para 86 milhões em 2007. Ou seja, enquanto uma diminui em 20 milhões, a outra cresceu em 24 milhões. Ora, há uma diferença considerável de 4 milhões de pessoas que não vieram das classes D/E, provavelmente, pessoas que estavam nas classes A/B e que perderam renda, patrimônio ou o que mais possa caracterizar, em 2 anos, terem caído seu padrão.
Aí é começa o rolo. A pesquisa simplesmente não informa quantas pessoas haviam nas classes A e B nem em 2005 tampouco em 2007. Portanto, fica difícil a gente tentar fechar a conta.
Para tentar saber as quantidades das classes A/B, precisei recorrer ao IBGE. Em seu site, há um arquivo no padrão excel, de um levantamento enviado ao TCU em novembro de 2007, com a contagem por municípios, do total da população brasileira estimada em 2007. Temos lá, 183.989.711 de habitantes.
Pois bem, de posse do total de habitantes do país, já podemos chegar ao resultado final. Para 2007, a pirâmide social da população brasileira estava assim composta:
Classes A/B – 24 milhões
Classe C - 86 milhões
Classes D/E – 73 milhões
E aí a coisa começa a ficar esquisita. Porque a ser verdadeira a pesquisa da Ipsos, as Classes A/B representariam pouco mais de 13% da população brasileira atual. Historicamente, este total nunca atravessou a barreira de 5%. Convenhamos que tem rico demais neste resultado final, mais do que, repito, historicamente se tem apurado, inclusive o próprio IBGE.
Mas, vá lá, consideremos que os totais acima divididos em classes sócio-econômicas, apesar de esquisitos, estejam certos, que sejam estes mesmos.
Aí fomos analisar os números que a pesquisa considerou para definir quem pertence a esta ou aquela classe. Confesso que levei um susto. E, uma vez refeito, comecei a entender o quão distorcido o resultado acabou se apresentando.
A pesquisa considerou a renda média para fazer seus cálculos. Para as classes D/E a renda média saltou de R$ 545,00 em 2005 para R$ 580,00 em 2007. A renda da Classe Média se manteve estável durante os anos de 2005, 2006 e 2007: R$ 1.100,00. E, nas Classes A/B, a renda média decresceu de R$ 2.484,00 para R$ 2.217,00, uma perda de 11%.
Sabendo-se que o salário mínimo em 2007 foi de R$ 380,00, considerar classe A/B pessoas com rendimento médio equivalentes a menos de 6 salários ??? Isto é alguma piada ? Considerar classe média pessoas com menos de 3 salários mínimos ? Isto é alguma brincadeira de faz de conta ???
É claro que a artilharia do governo Lula já saiu Brasil afora soltando rojão e comemorando, a tal ponto que, a princesinha de Brasilia, aquela da Casa Civil que está empacada no PAC, a moça do dossiê apelidado de “levantamento de um banco de dados”, já saiu trovejando que “Lula transformou o Brasil em um país de classe média”.
Sinceramente, fica difícil de se tentar fazer alguma interpretação do porquê o pessoal da Ipsos cometeu este horroroso engano. É preciso que esta gente entenda que a renda média brasileira não é nem de perto próxima a renda per capita que se considera em outros tipos de estatísticas. O sujeito dizer que é classe média quem ganha menos de três salários é uma heresia. Isto não custeia nem a escola do filho, quando mais a manutenção de um padrão de vida de bom padrão, sabendo-se que além de escola particular, a classe média tem seu imóvel próprio, muito bem localizado, um ou dois automóveis, e toda a sorte de conforto que sua renda de CLASSE MÉDIA lhe pode proporcionar. Achatar, artificialmente, esta renda média acabará que logo, logo todos seremos classe média. Não haverá pobreza no país. Convenhamos isto precisa ser corrigido porque trará prejuízo pra muito gente.
Se esta é a situação da classe média considerada pela pesquisa, pior ainda quando se tenta classificar a renda média das Classes A/B. Reparem, além de perderem 11% de seus ganhos nos últimos três anos, para esta camada da população foi estabelecida a renda, em 2007, de R$ 2.217,00, ou seja, pouco mais de 5 salários mínimos.
Perguntinha simples e ingênua: em que categoria o Instituto Ipsos classificaria, por exemplo, a classe política brasileira, que é numerosa, e que percebe acima de R$ 10.000,00 por mês? Ou os nossos magistrados, com renda mensal superior a R$ 20.000,00? Classes AA e BB?
E a improcedência destes resultados ficou ainda mais visível diante da informação dada pelo IBGE, de que, de acordo com o PNAD, 25 % população é beneficiária de programas sociais do governo, ou seja, caso não haja fraudes nem maquiagem, estes beneficiários tem renda média mensal abaixo de R$ 120,00, e sendo 25% do total, eles somam um batalhão de 46 milhões de pessoas. Sem dúvida, alguém escorregou feio nos resultados.
O pior é o uso político cretino que o governo Lula capitaliza a partir de informações que, conforme vimos acima, são absolutamente falsas. Será que eles não sabem matemática ? Pelo visto nem se preocupam, basta medirmos do que se compõem o eleitorado que o aprova, de acordo com a escolaridade.
É triste alguém construir uma biografia sob estruturas mentirosas. O povo brasileiro está idolatrando um engodo, uma mentira, uma mistificação. Não é a toa que Delfim se tornou o consultor particular de Lula. O homem forte da economia da ditadura, sem dúvida, deve ter muita coisa para ensinar ao Luiz Inácio, principalmente, as mais sórdidas.