quinta-feira, março 27, 2008

ISP: norte e oeste do Rio têm aumento nos crimes

Thiago Prado, O Dia

As regiões da capital que têm menos policiais militares por habitante são as que apresentaram os maiores índices de assaltos na comparação de 2007 com o ano anterior. A relação óbvia entre ausência de policiais e aumento da ação dos criminosos parece não ser levada em conta para o planejamento da segurança. Como demonstram os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) e do Departamento Geral de Pessoal (DGP) da PM, as zonas norte e oeste registraram crescimento da criminalidade superior às unidades da zona sul - onde o patrulhamento ostensivo, se não é o ideal, aproxima-se do padrão de um policial para cada 250 moradores, considerado ideal por órgãos de segurança.

As autoridades dos órgãos responsáveis pela distribuição do efetivo novamente não se pronunciaram. A PM não quis se manifestar sobre o critério para organizar a tropa. Já a Secretaria de Segurança informou apenas que há um esforço para melhorar o patrulhamento da zona norte.

Não é o que mostram os números do ISP e do DGP. O índice de roubo a transeuntes no estado explodiu em 2007, subindo 28,4% em relação a 2006. Nos batalhões de Bangu (14º BPM) e Maré (22º BPM), os assaltos superam em muito a média do resto do Rio e chegam a 50% de aumento. A unidade sediada na Linha Vermelha perdeu 35 PMs de março de 2007 para o mesmo mês deste ano. Já a unidade da Zona Oeste chegou a ganhar 10 homens em um ano, mas continua com a relação de um PM para cada 1.386,64 moradores.

As regiões de Olaria, Jacarepaguá e Tijuca, que, na teoria, estariam recebendo atenção especial, também viram os roubos a transeuntes subir acima da média. Os três batalhões estão entre os últimos na reação de PMs por habitante.

As unidades da zona sul também vêem o crescimento dos assaltos, mas em ritmo bem menor que os outros. As três unidades da região se aproximam do padrão ideal de distribuição e, assim, tiveram as seguintes proporções no aumento de roubos a transeuntes: 2º BPM (Botafogo) com 2,33%, 19º BPM (Copacabana) com 12,54% e 23º BPM (Leblon) 14,9%.

Os batalhões do centro - praça Harmonia (com 72,50 habitantes por PM) e praça Tiradentes (80,01) - são a exceção. Apesar de estarem dentro do padrão de distribuição de efetivo, tiveram aumentos expressivos nos assaltos (40,88% e 44,39%, respectivamente) em um ano. A justificativa pode estar em dois fatores: na área há poucos moradores, mas grande população flutuante, e ainda perdeu policiais no ano passado com a extinção do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran).

Ontem, O Dia mostrou a distribuição do efetivo no Estado. Apenas cinco estão dentro do patamar considerado ideal. O levantamento indicou ainda que o total de 39 mil homens anunciado com freqüência pelas autoridades está errado: hoje, na verdade, há exatos 37.802 praças e oficiais.

Méier registrou mais roubos e assassinatos
Na área do Méier, onde há uma das piores relações de PM por habitante na capital, houve crescimento de roubos a pedestre e de homicídios. O número contrasta com a tendência de queda dos assassinatos no estado na comparação de 2006 com 2007. Estácio, Tijuca, Olaria e Maré também viram crescer o mesmo tipo de ocorrência de forma significativa.

Em um ano, o batalhão até aumentou seu efetivo de 643 para 703 homens. Mesmo assim, a área tem ainda apenas um policial para cada 798,12 moradores. Em 2007, o Méier registrou 199 homicídios, 33 a mais do que em 2006 - aumento de 19,98%. Já os assaltos cresceram 14,69% no período.

Há cerca de 15 dias, a Papelaria Daroya, que funciona há dez anos na Rua Constança Barbosa, foi roubada pela primeira vez. Em plena luz do dia, por volta das 16h, um homem de cerca de 40 anos pediu uma lista de material escolar. Quando o atendente Flavio Pereira, 32 anos, levou o cliente ao caixa, foi anunciado o assalto.

"Ele pediu celulares e mandou todos sentarem no chão enquanto pegava o dinheiro", contou o atendente. "Ficamos ali uns 15 minutos", completou. O ladrão levou cerca de R$ 250 e cartões telefônicos. A dona da loja, que preferiu não se identificar, não prestou queixa na delegacia por medo de sofrer represálias.


***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Apesar de quatro planos de segurança lançados pelo governo federal atual, apesar de todo o teatro encenado pelo governador do Rio, a violência não tem jeito de diminuir. Não seria mais fácil, mais barato e mais eficiente, pelo menos, adotarem a filosofia praticada em São Paulo e quem vem dando resultados, com a queda gradual e sistemática da violência ? E sabe qual a filosofia ? Além de maciço investimento em segurança e aparelhamento e treinamento das forças policiais, lá segue-se a máxima de que lugar de bandido é na cadeia. Parece simples, e é, porém os resultados provam de que não se precisa armar circo, teatro ou palanque para discursos vazios. É preciso apenas trabalhar fazendo o que precisa ser feito e da maneira certa. Só isso!!!