Jornal do Brasil
.
A proximidade do primeiro teste eleitoral sem a candidatura de Lula para puxar a carroça da legenda, açulou o receio dos dirigentes petistas – entorpecidos pelo súbito enriquecimento com a vasta distribuição de ministérios, secretárias e a jóia de ouro e diamante das autarquias invadidas nos avanços a todas as vagas disponíveis ou criadas – para o risco de uma derrota nas urnas municipais que acabe com a festança ou crie embaraços à fruição do deslumbramento do poder.
A proximidade do primeiro teste eleitoral sem a candidatura de Lula para puxar a carroça da legenda, açulou o receio dos dirigentes petistas – entorpecidos pelo súbito enriquecimento com a vasta distribuição de ministérios, secretárias e a jóia de ouro e diamante das autarquias invadidas nos avanços a todas as vagas disponíveis ou criadas – para o risco de uma derrota nas urnas municipais que acabe com a festança ou crie embaraços à fruição do deslumbramento do poder.
Desculpa-se a fraqueza humana, mas, até o limite do bom senso e da compostura. No momento, a histeria, nos níveis diversos da moléstia, espalha-se do Palácio do Planalto pelos muitos cômodos ocupados pelo PT e contamina os aliados.
O comportamento do presidente Lula na reunião do Conselho Político é francamente assustador. No enquadramento do governo e da base parlamentar na disciplina de tropa em tempo de guerra, atropela as mais comezinhas normas da civilizada convivência política.
Para começo do papo, exigiu da maioria governista, negociada com pagamento à vista das melhores fatias do bolo do poder, que aprove sem tugir nem mugir, as 14 medidas provisórias que trancam a pauta do Congresso, paralisado há meses, no conformismo abúlico de quem digere o farto banquete com o bolso recheado.
Para não ser acusado de intransigente, admite negociar mudanças na tramitação das MPs, propostas pela emenda constitucional engasgada no Congresso. Mas, deixa explícito que não aceita conversa sobre mudança no trancamento da pauta que engasga o Congresso.
Passou o recado à oposição: senão vergar o espinhaço agora, aceitando as condições impostas pelo governo, a maioria acionará o trator para esmagar resistências suicidas. Para isto é maioria, e sabe-se a que alto custo.
O governo livrou-se dos restos de constrangimento e entrou a todo vapor na campanha eleitoral. Não dá um passo, não pensa em outra coisa além da cooptação dos votos que fortaleçam os acertos com aliados e até adversários para o supremo objetivo da eleição do sucessor de Lula nas urnas de 2010. Claro, não quer perder. Ou, mais claro, não pode perder nem agora nem na eleição de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, pois o esquema de controle do poder não tem limite para terminar.
Mas, o assanhamento passa da conta e, como tudo em dose exagerada, acaba fazendo bobagens. A arrogância embrulhada no medo de um insucesso inspirou o código de bobagens editado pelo diretório nacional do PT, com ou sem a prévia aprovação presidencial. É um primor de prepotência e de desconhecimento das diferenças entre eleições nacionais e municipais.
Das alturas da soberba, cutucada pela aliança tecida em Minas pela habilidade do governador tucano Aécio Neves - neto e aluno de Tancredo Neves, o presidente que não tomou posse – entre o PSDB e prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel em torno de um candidato comum, o diretório nacional do PT decidiu assumir o comando do partido.
Nos itens do código de normas sobre o que é permitido e o que é proibido, e que parece copiado de regulamento disciplinar de colégio interno de outros tempos, o petista municipal fica avisado que alianças com os inimigos do DEM e do PSDB, só com expressa autorização da executiva nacional. E, desde logo, com os explícitos vetos aos casos em que "ficar entendido que progride a tese da aliança programática para o futuro", como esclarece, na sua linguagem repolhuda, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh.
Esta peneira esburacada não será obedecida em um único município. Ainda bem para o PT. Pois, do contrário, liquidaria com a base municipal da legenda