segunda-feira, abril 21, 2008

Diretor da Fiesp reforça as críticas de Heleno

Guilherme Botelho

Encurralado pelo governo e pela cúpula do Exército, o general Augusto Heleno obteve ontem importante apoio logístico à sua guerra particular contra a demarcação da área da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. O empresário Jairo Cândido, diretor do Departamento de Defesa da Federação das Indsustrias de São Paulo (Fiesp), cerrou fileiras com o general ao tachar de equivocado o projeto do governo.

– Falando em nome da indústria, confirmo absolutamente as palavras de Augusto Heleno. Acho que a verdade às vezes dói. Odeio essa diferença entre sociedade civil e sociedade militar. Somos todos sociedade brasileira. Se o presidente não gostar do que eu falo, o problema é dele – atacou Cândido, no último dia do seminário Brasil, Ameaças a sua Soberania, oraganizado pelo Clube Militar do Rio de Janeiro.

O empresário criticou a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou o general Heleno.

– Não se chama a atenção de um oficial do Exército dessa maneira – protestou.

De acordo com Cândido, os empresários não se conformam com a maneira como a demarcação foi feita

– Essa demarcação em faixa de fronteira é um absurdo. Quem já foi lá, de um certo ponto para cima, sabe que não há floresta, é só serrado. Vamos proteger serrado?

O empresário citou alguns exemplos de desmando na região, entre os quais o fato de um estrada federal fechar durante a noite, para não atrapalhar a população indígena.

Em outra palestra, o almirante Marcos Martins Torres queixou-se do atual orçamento das Forças Armadas.

– Na América do Sul, temos condições de dissuadir. Já em questões que envolvam a disputa por água-doce ou petróleo, com grandes potências, estamos desenvolvendo alternativas.