segunda-feira, abril 21, 2008

PDT, DEM e governador de RR apóiam militar

Hudson Corrêa, Maria Clara Cabral, Folha de São Paulo

O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), afirmou ontem "pensar da mesma forma" que o general Augusto Heleno. O militar recebeu apoio também dos partidos DEM e PDT.
Comandante militar da Amazônia, o general critica a demarcação da terra indígena Raposa/Serra do Sol em Roraima e classifica a política indigenista de "lamentável e caótica".

"Eu penso da mesma forma [que o general]. Entendo que o Exército brasileiro tem legitimidade para opinar com relação a questão de soberania e segurança nacional. A política indígena não está correta", disse o governador. Ele disse que vai mobilizar "políticos da Amazônia" para rever a demarcação.

Segundo Anchieta Júnior, o ministro Nelson Jobim (Defesa), quando ocupava a pasta da Justiça (1995 a 1997), defendia que a terra indígena de 1,7 milhão de hectares fosse demarcada de forma não contínua. "A nossa posição é que se crie uma demarcação em forma de ilhas e não contínua, como foi orientado por Nelson Jobim, quando era ministro da Justiça."

Procurada, a assessoria de Jobim não telefonou de volta. O governador recebeu, em encontro anteontem em Boa Vista (RR), apoio do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), pediu que o general Heleno seja convidado a falar em sessão reservada da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ele disse concordar com as críticas, mas afirmou que Heleno errou ao falar publicamente.

"A pretexto de transformar tribos em supostas nações independentes, ONGs estrangeiras interessadas em consolidar a invasão do território nacional, agem livremente na reserva, que faz fronteira com a Venezuela e a Guiana", disse em nota o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ). O presidente do PDT, Vieira da Cunha (RS), da base do governo, pede uma revisão da política de demarcação de reservas indígenas.

Coordenador do Conselho Indígena de Roraima, o índio macuxi Dionito de Souza rebateu o general: "Os indígenas não têm fronteira. Mas, já que apareceu essa idéia do branco, então o indígena precisa ter seu pedaço de terra".

"Se está errada [a política de terra indígena], foi o branco que criou. Antes da invasão dos brancos, não se pensava em território. Se a política está errada, é conseqüência do passado, não de ontem nem do [governo] Lula", disse Souza. Para ele, não há risco à soberania com áreas indígenas na fronteira.