Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no encontro com a Comissão Nacional de Política Indigenista, que o governo federal vai manter a demarcação de forma contínua na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ele recomendou ao presidente da Funai e aos ministros da Justiça (Tarso Genro) e do Meio Ambiente (Marina Silva), que formem um comitê junto com os índios para conversar com os ministros do Supremo Tribunal Federal, que analisam a questão, para defender a demarcação.
Com relação às declarações do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, contra a demarcação contínua, o presidente, segundo os participantes, disse que vai conversar com militares para que revejam essa posição.
Segundo Marcos Xucuru, membro da Comissão Nacional de Política Indígena, essa posição dos militares é lamentável, porque joga a sociedade contra os indígenas. "Não somos uma ameaça à soberania nacional. Ao contrário, tem os índios que servem o Exército. Somos parte disso e queremos defender o nosso território", afirmou.
O presidente Lula determinou também a criação de uma comissão para levantar todas as queixas dos índios em relação às políticas públicas de saúde e educação, e acompanhá-las de perto para ver o que está sendo feito. O assessor especial do presidente, Cesar Alvarez, vai chefiar a comissão.
"Senti firmeza do presidente. Estamos confiantes de que vai manter a homologação", disse o cacique macuxi Jaci José de Souza, da Raposa Serra do Sol, que participou da reunião com Lula.
Viagem
O general Heleno viajou no início da tarde de ontem de Manaus para Brasília. A agenda dos encontros não foi divulgada, mas segundo fontes do Planalto e da Defesa, ele deveria se encontrar no início da noite com o comandante do Exército, general Enzo Peri, e com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
A intenção do Planalto era ordenar que Heleno parasse de falar em público sobre políticas oficiais, mas sem pedir que ele retirasse o que dissera no Rio. O que mais incomodou Lula foi ele ter dito que não serve ao governo, mas ao Estado brasileiro.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Voltou a afirmar o que já alertara antes: Lula, por não ter autoridade legal para se sobrepor a uma decisão contrária do STF que está com o caso sob sua alçada, está incitando a população indígena a uma rebeldia injustificada. E o que é pior: sua “promessa”, por ser dependente ainda de decisão judicial, poderá provocar um conflito de terríveis conseqüências.
O que é lamentável, neste caso, é que para quem se julga o “pai dos pobres” está simplesmente ignorando a situação em que se encontram atualmente centenas de famílias sob a ameaça de despejo, e sem que até agora ele se tenha importado um mínimo que fosse com o seu destino.
Chega a ser repulsiva e criminosa tal insistência, tanto que sua decisão em manter a demarcação contínua e insistir na desocupação levantar graves suspeitas de que o que está em jogo não são os pretensos direitos dos índios, mas sim outros que foge ao interesse do país.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no encontro com a Comissão Nacional de Política Indigenista, que o governo federal vai manter a demarcação de forma contínua na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ele recomendou ao presidente da Funai e aos ministros da Justiça (Tarso Genro) e do Meio Ambiente (Marina Silva), que formem um comitê junto com os índios para conversar com os ministros do Supremo Tribunal Federal, que analisam a questão, para defender a demarcação.
Com relação às declarações do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno, contra a demarcação contínua, o presidente, segundo os participantes, disse que vai conversar com militares para que revejam essa posição.
Segundo Marcos Xucuru, membro da Comissão Nacional de Política Indígena, essa posição dos militares é lamentável, porque joga a sociedade contra os indígenas. "Não somos uma ameaça à soberania nacional. Ao contrário, tem os índios que servem o Exército. Somos parte disso e queremos defender o nosso território", afirmou.
O presidente Lula determinou também a criação de uma comissão para levantar todas as queixas dos índios em relação às políticas públicas de saúde e educação, e acompanhá-las de perto para ver o que está sendo feito. O assessor especial do presidente, Cesar Alvarez, vai chefiar a comissão.
"Senti firmeza do presidente. Estamos confiantes de que vai manter a homologação", disse o cacique macuxi Jaci José de Souza, da Raposa Serra do Sol, que participou da reunião com Lula.
Viagem
O general Heleno viajou no início da tarde de ontem de Manaus para Brasília. A agenda dos encontros não foi divulgada, mas segundo fontes do Planalto e da Defesa, ele deveria se encontrar no início da noite com o comandante do Exército, general Enzo Peri, e com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
A intenção do Planalto era ordenar que Heleno parasse de falar em público sobre políticas oficiais, mas sem pedir que ele retirasse o que dissera no Rio. O que mais incomodou Lula foi ele ter dito que não serve ao governo, mas ao Estado brasileiro.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Voltou a afirmar o que já alertara antes: Lula, por não ter autoridade legal para se sobrepor a uma decisão contrária do STF que está com o caso sob sua alçada, está incitando a população indígena a uma rebeldia injustificada. E o que é pior: sua “promessa”, por ser dependente ainda de decisão judicial, poderá provocar um conflito de terríveis conseqüências.
O que é lamentável, neste caso, é que para quem se julga o “pai dos pobres” está simplesmente ignorando a situação em que se encontram atualmente centenas de famílias sob a ameaça de despejo, e sem que até agora ele se tenha importado um mínimo que fosse com o seu destino.
Chega a ser repulsiva e criminosa tal insistência, tanto que sua decisão em manter a demarcação contínua e insistir na desocupação levantar graves suspeitas de que o que está em jogo não são os pretensos direitos dos índios, mas sim outros que foge ao interesse do país.