Adelson Elias Vasconcellos
Um presidente da República não precisa, obrigatoriamente, ter domínio pleno sobre todos as matérias e assuntos que envolve seu mandato. Caso por exemplo da economia, onde a polêmica é permanente.
Contudo, depois de um certo tempo, o mínimo que se exige de um presidente, é que mantenha uma certa prudência antes de deitar falação sobre um assunto que muito pouco domínio e conhecimento especialista ele tem.
Lamentavelmente, não é o caso de Lula. O pior é que sempre ele escolhe a hora e local inadequados para dizer suas baboseiras.
Em viagem à Holanda, Lula resolveu ser o Lula que conhecemos e, mais uma vez, perdeu uma excelente oportunidade de não agredir a inteligência alheia.
Indagado sobre a inflação de alimentos, que é um fenômeno global, começou por culpar a inflação brasileira pelos aumentos do leite e do feijão. Depois, se prolongou na asneira ao dizer que os preços dos alimentos estão subindo porque os pobres estão comendo mais. E, finalmente, para repouso dos nossos ouvidos, aconselhou ser necessário aumentar a produção e que ninguém lhe falasse que a culpa é dos bio-combustíveis, numa referência direta à crítica feita pelo presidente Sarkozy, da França, culpando os incentivos que o governo brasileiro concede aos produtores de cana, que reduziriam as áreas de plantio de alimento para substituí-las pelo cultivo da cana de açúcar, e que fato estaria provocando a elevação de preços.
Inflação, seja de que gênero for, não se dá por conta de um cenário apenas. A soma de um conjunto provoca sim um tendência de elevação, que é precisamente o que está acontecendo agora.
Começo pelo ponto central. As esquerdas que sempre demonizaram a globalização por todos os pecados do mundo, jamais consideraram que é justamente por conta dela, que o mundo viveu uma prosperidade nos últimos anos, como jamais se vira em um círculo tão prolongado. Deste modo, a exceção de alguns países africanos e o Haiti coitado de guerra no Caribe, os demais puderam expandir seu negócios e suas economias num ritmo alucinante. Na Ásia, as locomotivas deste progresso foram principalmente China e Índia, na Europa, a Rússia, e na América, impulsos expressivos tiveram México, os EUA, Canadá e Chile. Até a Argentina, quebrada e falida, sofreu um impulso de crescimento que lhe deu um pouco de paz social. O Brasil, porque comandado neste período por Lula e sua gangue, perdeu excelentes oportunidades. Cresceu, é bem verdade, mas muito aquém do que seu potencial e necessidade requereriam.
Assim, China e Índia, por não serem tradicionais países plantadores de alimentos, como o Brasil por exemplo, passaram a ter grandes consumos e foram busca-los no exterior. Dada a grandiosidade de suas populações os volumes de compra colaboraram diretamente para a elevação das commodities. Nesta, o Brasil foi favorecido.
Além disto, apesar da imensa campanha mundial para o desenvolvimento de novas fontes de energia, renováveis e limpas, o petróleo é ainda o oxigênio da economia mundial. Se analisarmos que, há cerca de um ano atrás o preço do barril estava na casa de 50 dólares/barril, e hoje praticamente dobrou este valor, pode-se imaginar o impacto que tal elevação provocou nos preços. Aqui, ainda saímos favorecidos. Porque se o preço do petróleo sobe e encarece os custos de produção, por outro, provocam elevação do preço no mercado internacional.
Além disto, e isto é inegável, seja na França, Brasil ou Estados Unidos, muitos deixaram de plantar alimentos e passaram a plantar canola, milho e cana de açúcar. Exatamente nesta ordem. Em conseqüência, houve queda de produção que, aliada ao grande volume de compras por parte de Índia e China, reduziram drasticamente os estoques reguladores de vários itens.
Mas apenas isto não explica a inflação mundial sobre os alimentos. No caso particular do Brasil, a alta aconteceu por fatores climáticos, e ainda se manterão neste nível nos próximos meses. As secas no Sul já provocaram quedas nas produções de soja e milho. E as chuvas no Nordeste, provocarão aumentos nas frutas, principalmente. Não apenas feijão e leite são os “carrascos” da inflação, até porque seus preços nos últimos meses até caíram, o que demonstra que o “econmista” Lula se acha levemente defasado nas suas informações sobre o mercado. O nosso vilão do momento, aliado aos problemas da estiagem no Sul e enchentes no Nordeste, é a farinha de trigo. Nosso consumo requer 10 milhões de toneladas contra uma produção local de apenas 4 milhões de toneladas. Assim, somos grandes dependentes de importações. Enquanto a Argentina cumpriu os acordos feitos com o Brasil no âmbito do Mercosul, os preços por aqui se mantiveram ajustados. Porém, de olho nos preços do mercado internacional, a Argentina simplesmente quebrou o ajustado, o que nos obrigou a buscar trigo em outros mercados ao preço do dia.
Lula quer saber por que o preço dos alimentos subiu? Então que se informe melhor e leia jornais. Pelo menos ficará menos propenso a falar de coisas que não conhece e, em conseqüência, não desmoralizará o país lá fora.
Repare que o fenômeno da alta não se reduz a um motivo apenas. É um conjunto de fatores que colaboraram para a situação atual. E, se ainda não bastassem eles todos, há que se considerar, ainda, a crise americana. Muito embora ela não atinja diretamente os países emergentes, grandes produtores de comodities, por conta da ação do Banco Central deles que injetou expressivos recursos no mercado para a crise não se alastrar para o restante do mundo, a falta de confiança dos investidores acabam provocando um fuga de capitais em busca de novos lucros. Assim, a corrida do outro hoje é sim o mercado de comodities. E aqui também o país acaba ganhando.
O que se lamenta é que, antes, enquanto o mundo inteiro navegava nas águas da prosperidade mundial, o Brasil mancava e andava devagar demais. E, agora, continua perdendo oportunidades por inúmeras contingências internas, frutos da cegueira de seus governantes que insistem em andar na contramão.
Parte desta cegueira é analisada por Carlos Sardenberg no post anterior, dando um pequeno pedaço das imensas dificuldades que a burocracia estatal acarreta para os empresários daqui.
No campo de alimentos, muito embora Lula tenha pedido que não se falasse dos bio-combustíveis como sendo um dos vilões, o fato é que precisamos falar e alertar para aquilo que Lula não quer aceitar, mas que é uma realidade da qual não podemos fugir. Como vimos acima, não é apenas culpa do Brasil, temos França e Estados Unidos como cúmplices. Claro que Sarkozy culpará o Brasil, Bush provavelmente culpará a França e Lula culpará talvez FHC.
Mas isto não esconde o problema criado. Quanto a aumentar a produção, provavelmente apenas o Brasil tenha terra suficiente para bancar este aumento. Mas, antes, precisará fazer um pacto com São Pedro para mandar chuva e sol em épocas certas, do contrário, teremos quebras nas safras que elevarão os preços. E, somente neste caso, não precisaremos falar de bio-combustíveis...
Um presidente da República não precisa, obrigatoriamente, ter domínio pleno sobre todos as matérias e assuntos que envolve seu mandato. Caso por exemplo da economia, onde a polêmica é permanente.
Contudo, depois de um certo tempo, o mínimo que se exige de um presidente, é que mantenha uma certa prudência antes de deitar falação sobre um assunto que muito pouco domínio e conhecimento especialista ele tem.
Lamentavelmente, não é o caso de Lula. O pior é que sempre ele escolhe a hora e local inadequados para dizer suas baboseiras.
Em viagem à Holanda, Lula resolveu ser o Lula que conhecemos e, mais uma vez, perdeu uma excelente oportunidade de não agredir a inteligência alheia.
Indagado sobre a inflação de alimentos, que é um fenômeno global, começou por culpar a inflação brasileira pelos aumentos do leite e do feijão. Depois, se prolongou na asneira ao dizer que os preços dos alimentos estão subindo porque os pobres estão comendo mais. E, finalmente, para repouso dos nossos ouvidos, aconselhou ser necessário aumentar a produção e que ninguém lhe falasse que a culpa é dos bio-combustíveis, numa referência direta à crítica feita pelo presidente Sarkozy, da França, culpando os incentivos que o governo brasileiro concede aos produtores de cana, que reduziriam as áreas de plantio de alimento para substituí-las pelo cultivo da cana de açúcar, e que fato estaria provocando a elevação de preços.
Inflação, seja de que gênero for, não se dá por conta de um cenário apenas. A soma de um conjunto provoca sim um tendência de elevação, que é precisamente o que está acontecendo agora.
Começo pelo ponto central. As esquerdas que sempre demonizaram a globalização por todos os pecados do mundo, jamais consideraram que é justamente por conta dela, que o mundo viveu uma prosperidade nos últimos anos, como jamais se vira em um círculo tão prolongado. Deste modo, a exceção de alguns países africanos e o Haiti coitado de guerra no Caribe, os demais puderam expandir seu negócios e suas economias num ritmo alucinante. Na Ásia, as locomotivas deste progresso foram principalmente China e Índia, na Europa, a Rússia, e na América, impulsos expressivos tiveram México, os EUA, Canadá e Chile. Até a Argentina, quebrada e falida, sofreu um impulso de crescimento que lhe deu um pouco de paz social. O Brasil, porque comandado neste período por Lula e sua gangue, perdeu excelentes oportunidades. Cresceu, é bem verdade, mas muito aquém do que seu potencial e necessidade requereriam.
Assim, China e Índia, por não serem tradicionais países plantadores de alimentos, como o Brasil por exemplo, passaram a ter grandes consumos e foram busca-los no exterior. Dada a grandiosidade de suas populações os volumes de compra colaboraram diretamente para a elevação das commodities. Nesta, o Brasil foi favorecido.
Além disto, apesar da imensa campanha mundial para o desenvolvimento de novas fontes de energia, renováveis e limpas, o petróleo é ainda o oxigênio da economia mundial. Se analisarmos que, há cerca de um ano atrás o preço do barril estava na casa de 50 dólares/barril, e hoje praticamente dobrou este valor, pode-se imaginar o impacto que tal elevação provocou nos preços. Aqui, ainda saímos favorecidos. Porque se o preço do petróleo sobe e encarece os custos de produção, por outro, provocam elevação do preço no mercado internacional.
Além disto, e isto é inegável, seja na França, Brasil ou Estados Unidos, muitos deixaram de plantar alimentos e passaram a plantar canola, milho e cana de açúcar. Exatamente nesta ordem. Em conseqüência, houve queda de produção que, aliada ao grande volume de compras por parte de Índia e China, reduziram drasticamente os estoques reguladores de vários itens.
Mas apenas isto não explica a inflação mundial sobre os alimentos. No caso particular do Brasil, a alta aconteceu por fatores climáticos, e ainda se manterão neste nível nos próximos meses. As secas no Sul já provocaram quedas nas produções de soja e milho. E as chuvas no Nordeste, provocarão aumentos nas frutas, principalmente. Não apenas feijão e leite são os “carrascos” da inflação, até porque seus preços nos últimos meses até caíram, o que demonstra que o “econmista” Lula se acha levemente defasado nas suas informações sobre o mercado. O nosso vilão do momento, aliado aos problemas da estiagem no Sul e enchentes no Nordeste, é a farinha de trigo. Nosso consumo requer 10 milhões de toneladas contra uma produção local de apenas 4 milhões de toneladas. Assim, somos grandes dependentes de importações. Enquanto a Argentina cumpriu os acordos feitos com o Brasil no âmbito do Mercosul, os preços por aqui se mantiveram ajustados. Porém, de olho nos preços do mercado internacional, a Argentina simplesmente quebrou o ajustado, o que nos obrigou a buscar trigo em outros mercados ao preço do dia.
Lula quer saber por que o preço dos alimentos subiu? Então que se informe melhor e leia jornais. Pelo menos ficará menos propenso a falar de coisas que não conhece e, em conseqüência, não desmoralizará o país lá fora.
Repare que o fenômeno da alta não se reduz a um motivo apenas. É um conjunto de fatores que colaboraram para a situação atual. E, se ainda não bastassem eles todos, há que se considerar, ainda, a crise americana. Muito embora ela não atinja diretamente os países emergentes, grandes produtores de comodities, por conta da ação do Banco Central deles que injetou expressivos recursos no mercado para a crise não se alastrar para o restante do mundo, a falta de confiança dos investidores acabam provocando um fuga de capitais em busca de novos lucros. Assim, a corrida do outro hoje é sim o mercado de comodities. E aqui também o país acaba ganhando.
O que se lamenta é que, antes, enquanto o mundo inteiro navegava nas águas da prosperidade mundial, o Brasil mancava e andava devagar demais. E, agora, continua perdendo oportunidades por inúmeras contingências internas, frutos da cegueira de seus governantes que insistem em andar na contramão.
Parte desta cegueira é analisada por Carlos Sardenberg no post anterior, dando um pequeno pedaço das imensas dificuldades que a burocracia estatal acarreta para os empresários daqui.
No campo de alimentos, muito embora Lula tenha pedido que não se falasse dos bio-combustíveis como sendo um dos vilões, o fato é que precisamos falar e alertar para aquilo que Lula não quer aceitar, mas que é uma realidade da qual não podemos fugir. Como vimos acima, não é apenas culpa do Brasil, temos França e Estados Unidos como cúmplices. Claro que Sarkozy culpará o Brasil, Bush provavelmente culpará a França e Lula culpará talvez FHC.
Mas isto não esconde o problema criado. Quanto a aumentar a produção, provavelmente apenas o Brasil tenha terra suficiente para bancar este aumento. Mas, antes, precisará fazer um pacto com São Pedro para mandar chuva e sol em épocas certas, do contrário, teremos quebras nas safras que elevarão os preços. E, somente neste caso, não precisaremos falar de bio-combustíveis...