Nesta semana, quando foi criada a CPI no Senado, para investigar e apurar irregularidades e abusos no uso de cartões corporativos, Lula acusou a oposição de não ter cumprido acordo de não instalar outra CPI. Contudo, esqueceu que, a cessão da presidência da CPI ao PSDB, não estipulava que também ele não deixaria que se apurasse coisa alguma.
Como os governistas insistissem em obstaculizar toda e qualquer ação no sentido de se investigar sua próprias contas e ainda por cima tentou intimidar a oposição a desistir de seu intento com a divulgação de um dossiê criminoso, os partidos de oposição não precisavam mais apenas eles cumprirem a sua parte no acordo. Todo e qualquer acordo, implica que, para os dois lados, haverá obrigações a serem satisfeitas.
Já na questão do imposto sindical, Lula não cumprira com o que havia acertado com os partidos de oposição. Portanto, conforme artigo que escrevemos, Lula não tem moral alguma para exigir aquilo que ele próprio não faz: cumprimento de acordos.
Hoje, tivemos mais uma prova de que a palavra do presidente não um pneu furado: uma vez mais prometeu, fez propaganda da promessa com direito a discurso e solenidade palanqueira, e não cumpriu. Prometeu aumentar o valor das bolsas de pesquisa a partir de março. Ficou na promessa.
Aliás, chamo a atenção para todos os pacs que vão sendo lançados Brasil afora. Neles sempre há um caminhão de promessas. A experiência tem mostrado que tais promessas normalmente não são cumpridas. Ocorre que elas, ao serem feitas, já cumprem o seu real papel, que é servir como chamada marqueteira. São usadas apenas como instrumento de propaganda, raramente chegando a concretizar-se. Ou então, ao se ler de como se compõem a promessa, logo nos damos conta de que não está oferecendo absolutamente nada. Um exemplo disto foi o pac da educação que acenava com um piso salarial para os professores a ser atingido em ... 2011. Mas isto não é revelado com o mesmo impacto como a propaganda destaca a promessa em si.
Seria interessante que, sempre que estivermos diante de um pac, a gente o olhasse com lupa de boa potência. A manchete nem sempre revela a verdade do texto. No caso de Lula isto é uma verdade indiscutível.
A reportagem é de Ângela Pinho para a Folha de São Paulo.
Lula descumpre promessa e não reajusta valor de bolsas
A promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de aumentar o valor das bolsas de pesquisa a partir do dia 1º de março não se concretizou para os bolsistas de mestrado e doutorado das duas agências de fomento do governo federal.
A medida fazia parte do "PAC" da Ciência, pacote de medidas para o setor anunciado pelo presidente e pelo ministro Sergio Rezende (Ciência e Tecnologia) no ano passado.
Com o aumento de 20%, a bolsa de mestrado passaria de R$ 940 para R$ 1.130 e a de doutorado, de R$ 1.394 para R$ 1.620. Seria o terceiro reajuste concedido desde 2004 -até então, o valor estava congelado.
Lula justificou o aumento aos cientistas dizendo que o congelamento tira "as condições dos nossos doutores de se formarem lá fora" --"e vocês sabem que não é sempre que o governo aumenta bolsa, não".
Neste ano, porém, o valor repassado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) a partir de março é idêntico ao de fevereiro.
As duas agências de fomento afirmam que a data de reajuste ainda está indefinida.
Elas culpam pela situação os cortes na Lei de Orçamento feitos pelo Congresso e sancionados sem vetos pelo presidente no último dia 24 de março.
A assessoria de comunicação do CNPq afirmou que o reajuste foi confirmado na quarta-feira (9) pelo ministro Rezende, mas o órgão não sabe a partir de quando.
"O mês de início da nova tabela vai depender da recomposição do orçamento do CNPq pelo Executivo, uma vez que o Congresso Nacional reduziu em 10% os recursos para formação e qualificação de recursos humanos em ciência, tecnologia e inovação", diz o texto.
Já Emidio Cantidio de Oliveira Filho, diretor de programas e bolsas da Capes, afirma que "não existe até o momento uma definição do governo federal em relação ao reajuste".
Ele diz que a instituição está à espera de uma "reorganização" do orçamento. Culpou ainda a derrubada pela oposição da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Lula e Rezende também haviam anunciado em novembro do ano passado um aumento no número de bolsas concedidas --de 95 mil para 155 mil em 2010. O CNPq afirmou que o número de bolsas ainda não aumentou, mas que, assim como o reajuste do valor, deve ocorrer após as negociações em torno do orçamento já aprovado.
Como os governistas insistissem em obstaculizar toda e qualquer ação no sentido de se investigar sua próprias contas e ainda por cima tentou intimidar a oposição a desistir de seu intento com a divulgação de um dossiê criminoso, os partidos de oposição não precisavam mais apenas eles cumprirem a sua parte no acordo. Todo e qualquer acordo, implica que, para os dois lados, haverá obrigações a serem satisfeitas.
Já na questão do imposto sindical, Lula não cumprira com o que havia acertado com os partidos de oposição. Portanto, conforme artigo que escrevemos, Lula não tem moral alguma para exigir aquilo que ele próprio não faz: cumprimento de acordos.
Hoje, tivemos mais uma prova de que a palavra do presidente não um pneu furado: uma vez mais prometeu, fez propaganda da promessa com direito a discurso e solenidade palanqueira, e não cumpriu. Prometeu aumentar o valor das bolsas de pesquisa a partir de março. Ficou na promessa.
Aliás, chamo a atenção para todos os pacs que vão sendo lançados Brasil afora. Neles sempre há um caminhão de promessas. A experiência tem mostrado que tais promessas normalmente não são cumpridas. Ocorre que elas, ao serem feitas, já cumprem o seu real papel, que é servir como chamada marqueteira. São usadas apenas como instrumento de propaganda, raramente chegando a concretizar-se. Ou então, ao se ler de como se compõem a promessa, logo nos damos conta de que não está oferecendo absolutamente nada. Um exemplo disto foi o pac da educação que acenava com um piso salarial para os professores a ser atingido em ... 2011. Mas isto não é revelado com o mesmo impacto como a propaganda destaca a promessa em si.
Seria interessante que, sempre que estivermos diante de um pac, a gente o olhasse com lupa de boa potência. A manchete nem sempre revela a verdade do texto. No caso de Lula isto é uma verdade indiscutível.
A reportagem é de Ângela Pinho para a Folha de São Paulo.
Lula descumpre promessa e não reajusta valor de bolsas
A promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de aumentar o valor das bolsas de pesquisa a partir do dia 1º de março não se concretizou para os bolsistas de mestrado e doutorado das duas agências de fomento do governo federal.
A medida fazia parte do "PAC" da Ciência, pacote de medidas para o setor anunciado pelo presidente e pelo ministro Sergio Rezende (Ciência e Tecnologia) no ano passado.
Com o aumento de 20%, a bolsa de mestrado passaria de R$ 940 para R$ 1.130 e a de doutorado, de R$ 1.394 para R$ 1.620. Seria o terceiro reajuste concedido desde 2004 -até então, o valor estava congelado.
Lula justificou o aumento aos cientistas dizendo que o congelamento tira "as condições dos nossos doutores de se formarem lá fora" --"e vocês sabem que não é sempre que o governo aumenta bolsa, não".
Neste ano, porém, o valor repassado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) a partir de março é idêntico ao de fevereiro.
As duas agências de fomento afirmam que a data de reajuste ainda está indefinida.
Elas culpam pela situação os cortes na Lei de Orçamento feitos pelo Congresso e sancionados sem vetos pelo presidente no último dia 24 de março.
A assessoria de comunicação do CNPq afirmou que o reajuste foi confirmado na quarta-feira (9) pelo ministro Rezende, mas o órgão não sabe a partir de quando.
"O mês de início da nova tabela vai depender da recomposição do orçamento do CNPq pelo Executivo, uma vez que o Congresso Nacional reduziu em 10% os recursos para formação e qualificação de recursos humanos em ciência, tecnologia e inovação", diz o texto.
Já Emidio Cantidio de Oliveira Filho, diretor de programas e bolsas da Capes, afirma que "não existe até o momento uma definição do governo federal em relação ao reajuste".
Ele diz que a instituição está à espera de uma "reorganização" do orçamento. Culpou ainda a derrubada pela oposição da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Lula e Rezende também haviam anunciado em novembro do ano passado um aumento no número de bolsas concedidas --de 95 mil para 155 mil em 2010. O CNPq afirmou que o número de bolsas ainda não aumentou, mas que, assim como o reajuste do valor, deve ocorrer após as negociações em torno do orçamento já aprovado.