sábado, maio 31, 2008

Países emergentes têm peso em crise do petróleo

William Waack , Portal G1

A conseqüência imediata da explosão do preço do petróleo é clara e irreversível no curto prazo. É uma inflação global que já se manifesta em aumentos de preços de alimentos, passagens aéreas, fretes marítimos, insumos e produtos finais dos mais variados setores.

No médio prazo há duas interpretações conflitantes. A primeira, contida num relatório da respeitada Agência Internacional de Energia, assume que razões geopolíticas e geológicas levarão inevitavelmente a um crise de suprimento de petróleo. Essa interpretação foi a causa imediata do nervosismo nos mercados de petróleo nesta quinta-feira (22).

A outra interpretação no médio prazo parte do mesmo cenário (inflação de preços, disputa por recursos finitos), mas chega a conclusão bem diferente. O custo crescente do barril do petróleo levará a um resfriamento da economia mundial, que impediria o surgimento de uma crise de suprimento.

É difícil conseguir desempatar essa “briga” de interpretações neste momento. Outros episódios semelhantes de subida do preço do petróleo evidenciaram que custos mais altos viabilizam novas tecnologias e melhor utilização de combustíveis. Na década dos setenta os “choques” de preços e oferta (causados por razões geopolíticas e não geológicas) foram absorvidos por uma fantástica revolução tecnológica – a da era da informação.

Há um fator novo na política internacional do petróleo hoje, e ele é a ascensão dos países emergentes. Economistas assinalam há algum tempo a importância desses estados em evitar que a crise americana se transforme numa crise global. O que começa a ser entendido melhor agora é o peso desses países na disputa pelos mesmos recursos escassos.

É cedo ainda para se falar num “rearranjo geopolítico” –a China como nova super potência não é qualquer novidade–, mas, neste momento, parece suficientemente claro que o caminho dos emergentes estará subordinado em primeiro lugar ao acesso a fontes de energia e (insuspeitado para analistas dois anos atrás) apenas em segundo lugar à abertura de mercados, fluxos de investimento e acordos internacionais de comércio.

Não se trata aqui de pintar em novas cores o conhecido (e discutido) quadro das “guerras por recursos” (água, energia, alimentos). Fatores políticos, religiosos e sociais são igualmente poderosos para se entender conflitos internacionais ou a dificuldade em se obter acordos - como no Oriente Médio, por exemplo.

Mas está claro que os emergentes vão competir, talvez pela primeira vez, pelos mesmos recursos à disposição dos já ricos e desenvolvidos.