Guilherme Fiúza, Revista Época
“Fica claro que a PF trata com neutralidade aqueles que são indiciados da mesma forma em todas as classes sociais.”
Esta frase não está escrita em nenhum panfleto partidário de esquerda. Ela foi dita pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que vem a ser o chefe da Polícia Federal.
Isto quer dizer o seguinte, em bom politiquês: “Somos um governo popular que manda rico para a cadeia.”
Para quem não tinha notado, aí está o DNA da ópera bufa da prisão de Daniel Dantas. Um espetáculo ideológico.
Podem ficar certos: é uma investigação ainda precária, que precisaria avançar mais em sigilo para realmente alcançar sua finalidade. Essa divulgação espalhafatosa e precoce é tudo o que um investigado pode querer. Dá-lhe a chance de se proteger melhor, numa fase em que ainda não há elementos suficientes para condená-lo.
A própria nota oficial da Polícia Federal sobre a Operação Satiagraha (criatividade não falta ao FBI brasileiro) não é coisa de gente séria. Não há nela uma só informação que preste, só literatura de grêmio estudantil: “Os policiais apuraram a existência de uma grande organização criminosa, comandada pelo empresário Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.” Já podem ajudar o Gilberto Braga na próxima novela.
O que esses policiais noveleiros fizeram foi amontoar uma série dessas operações jurídico-financeiras que ocorrem na penumbra no Brasil – como os bailes que os bancos dão no Imposto de Renda, por exemplo, e o governo popular não está nem aí – e tacar-lhes o carimbo espetaculoso de “grande organização criminosa”.
Curiosamente, Marcos Valério, o homem que operou o lado mais sujo desses dutos (a compra de poder político na alta esfera da República) está assistindo a tudo no “Jornal Nacional”, refestelado na poltrona. Deve estar dizendo, como o resto dos brasileiros: “Esse Daniel Dantas é o fim da picada”.
Anotem: uma investigação que poderia ser séria e importante para o Brasil foi transformada em estandarte ideológico, para mostrar em programa eleitoral banqueiro indo em cana.
Resumindo: se Dantas for culpado e escapar impune, os maiores culpados serão Tarso Genro e a Polícia Federal. Quem vai processá-los?
“Fica claro que a PF trata com neutralidade aqueles que são indiciados da mesma forma em todas as classes sociais.”
Esta frase não está escrita em nenhum panfleto partidário de esquerda. Ela foi dita pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que vem a ser o chefe da Polícia Federal.
Isto quer dizer o seguinte, em bom politiquês: “Somos um governo popular que manda rico para a cadeia.”
Para quem não tinha notado, aí está o DNA da ópera bufa da prisão de Daniel Dantas. Um espetáculo ideológico.
Podem ficar certos: é uma investigação ainda precária, que precisaria avançar mais em sigilo para realmente alcançar sua finalidade. Essa divulgação espalhafatosa e precoce é tudo o que um investigado pode querer. Dá-lhe a chance de se proteger melhor, numa fase em que ainda não há elementos suficientes para condená-lo.
A própria nota oficial da Polícia Federal sobre a Operação Satiagraha (criatividade não falta ao FBI brasileiro) não é coisa de gente séria. Não há nela uma só informação que preste, só literatura de grêmio estudantil: “Os policiais apuraram a existência de uma grande organização criminosa, comandada pelo empresário Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.” Já podem ajudar o Gilberto Braga na próxima novela.
O que esses policiais noveleiros fizeram foi amontoar uma série dessas operações jurídico-financeiras que ocorrem na penumbra no Brasil – como os bailes que os bancos dão no Imposto de Renda, por exemplo, e o governo popular não está nem aí – e tacar-lhes o carimbo espetaculoso de “grande organização criminosa”.
Curiosamente, Marcos Valério, o homem que operou o lado mais sujo desses dutos (a compra de poder político na alta esfera da República) está assistindo a tudo no “Jornal Nacional”, refestelado na poltrona. Deve estar dizendo, como o resto dos brasileiros: “Esse Daniel Dantas é o fim da picada”.
Anotem: uma investigação que poderia ser séria e importante para o Brasil foi transformada em estandarte ideológico, para mostrar em programa eleitoral banqueiro indo em cana.
Resumindo: se Dantas for culpado e escapar impune, os maiores culpados serão Tarso Genro e a Polícia Federal. Quem vai processá-los?