sexta-feira, julho 18, 2008

O governador displicente, o secretário imprudente

Helio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Quando é que Beltrame vai embora?

A insegurança do Rio é de tal maneira calamitosa que o cidadão-contribuinte-eleitor não sabe se tem mais medo dos traficantes, das milícias ou dos policiais corruptos. São três vertentes que deveriam começar no secretário de Segurança, um inédito senhor Beltrame, e terminar no conhecido demais, o governador Sérgio Cabral.

Este, itinerante e insensível, só sabe falar depois dos fatos acontecidos. Agir está fora de suas cogitações e até de sua alçada. Quando o jovem Daniel foi morto pelo segurança de uma promotora, disse que isso era um absurdo, não podia acontecer. Não podia, mas aconteceu, o assassino está livre.

Os fatos criminosos e logicamente com enorme repercussão foram se repetindo. E o governador exibindo uma REVOLTA que não se transformou nunca em providência. Quando a polícia deu 31 tiros num carro particular, CONFUNDINDO esse carro com o dos bandidos, ele gritou "isso é um absurdo".

Menos de uma semana depois, a mesma polícia repetia esse crime, CONFUNDIA um carro particular com outro de bandidos (que na verdade nem existia), matou um menino de 3 anos, emocionando a cidade e o País. Nova "REVOLTA" do governador.

E o secretário Beltrame que já deveria estar fora do cargo há muito tempo? É um exibicionista, falastrão, que no seu vocabulário restrito e medíocre tem duas palavras que repete insensatamente: DESPREPARADOS e DESASTRADOS. Se ele é o comandante e dirige uma tropa DESPREPARADA e DESASTRADA, o que faz no cargo?

A cada entrevista, mais disparates desse secretário Beltrame. Garantiu que a solução estaria na criação de uma UNIVERSIDADE (do crime) para melhorar o nível policial. Quanto tempo levaria para formar, montar, inaugurar essa UNIVERSIDADE e melhorar o comportamento da polícia sob seu comando?

Depois, insensato e insensível, garante que "policial tem que revidar, não pode deixar de atirar". Mesmo que não consiga identificar os alvos? Atirem em carros que transportam famílias, nada a ver com bandidos?

Por que, estranhamente, esse incompetente e DESASTRADO Beltrame, inteiramente DESPREPARADO, continua no cargo?

Mas o mais responsável não é o secretário Beltrame e sim o governador itinerante. Em qualquer país do mundo, Beltrame teria sido afastado, atingido pela morte de centenas de inocentes. Sérgio Cabral não toma providências, prefere tomar café da manhã ou almoçar com jornalistas. Aí exibe suas bravatas e suas frases feitas e desfeitas.

Convidou a jornalista Monica Bergamo para almoçar, ela foi, contou na sua página na "Folha Ilustrada" o que aconteceu. O governador itinerante ficou em situação insustentável com o que ela narrou, textualmente. O governador tem que desmentir, ou fica nuzinho (mais ainda?) diante do público que tem pavor dos bandidos e de Sérgio Cabral.

Textual de Sérgio para Monica: "Estou absolutamente seguro quanto ao sucesso da política de confronto direto com os bandidos". Morrem inocentes e ele bravateia. Monica pergunta ao governador: "A morte do menino João Roberto, de 3 anos, metralhado pela polícia, faz parte dessa política?". Cabral fica irritado, usa o tom veemente dos que erram e não reconhecem, responde: "Fazer uma ilação (sic) entre a estupidez de dois policiais e a minha ação de confronto é uma canalhice, cretinice total".

Nova pergunta de Monica Bergamo: "Por que a polícia do Rio matou 528 pessoas só este ano?". Resposta assombrosa do governador: "Nada disso, o que aumentou foi o número de atos de resistência".

Diante da colocação de Sérgio Cabral, cabe a pergunta: o menino de 3 anos resistiu? O administrador Soares da Costa resistiu? E o ortopedista filho do Lidio Toledo resistiu? Ninguém fala mais nele, é o silêncio criminoso dos responsáveis, perdão, IRRESPONSÁVEIS. Parabéns à Monica Bergamo. Jornalismo é para isso.

PS - Depois do tiroteio de ontem no Leblon, Sérgio Cabral afirmou que OS BANDIDOS TÊM QUE SER ENFRENTADOS COM INTELIGÊNCIA. Então ele e Beltrame estão fora.