Kennedy Alencar, Folha Online
Além de uma guerra interna, a descentralização da área de inteligência da PF (Polícia Federal) levou o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da corporação, Luiz Fernando Corrêa, a ter menos controle e informações sobre as operações mais espetaculares _como a que prendeu o banqueiro Daniel Dantas.
No primeiro mandato de Lula, o delegado federal Paulo Lacerda foi colocado na direção da PF pelo então ministro Márcio Thomaz Bastos. Lacerda conferiu a um auxiliar direto, Renato Porciúncula, a centralização das preparações das grandes operações de inteligência da PF. O objetivo de Thomaz Bastos era modernizar a PF, tornando-a uma espécie de FBI brasileiro, mas fazendo isso em etapas. Daí a importância de Lacerda ter o controle de operações sensíveis.
Thomaz Bastos conferiu autonomia a Lacerda, que o informava de preparativos importantes. O então ministro da Justiça informava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando julgava pertinente. Essa fórmula restringiu o vazamento de informações das grandes operações.
No segundo mandato, Thomaz Bastos pediu o boné. Lacerda ficou temporariamente. Tarso queria um auxiliar ligado a ele. Via em Lacerda um homem da confiança do antecessor, o que era verdade. Com a nomeação de Luiz Fernando Corrêa e a ida de Lacerda para a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), houve uma descentralização da inteligência da PF.
As seções estaduais passaram a administrar suas próprias áreas de inteligência com alto grau de independência em relação a Brasília. Resultado: Tarso e Corrêa não conseguiram acompanhar o trabalho do delegado federal Protógenes Queiroz, ligado a Lacerda e faminto por pegar Daniel Dantas.
Mas não foi apenas a Operação Satiagraha que ficou fora do conhecimento da dupla Tarso-Corrêa. A operação Toque de Midas, que fez busca e apreensão na casa e em empresas do Eike Batista, também passou longe de Brasília.
A descentralização aumentou o grau de vazamento de informações a respeito das operações. A Toque de Midas foi mencionada por um agente que é professor numa faculdade de direito no Amapá. Talvez seja recomendável a revisão da descentralização promovida por Tarso.
Corregedoria mais forte
É preciso tornar mais rígida e poderosa a corregedoria da PF. Assim, abusos e excessos da Polícia Federal seriam punidos, criando um efeito que ajudaria a evitar novos casos.
Diligências demoram
Ministros do STF se queixam da PF, dizendo que as diligências que pedem passaram a demorar mais. Isso também é resultado da descentralização da área de inteligência. As superintendências dos Estados ganharam poder com Tarso na mesma proporção em que a direção-geral em Brasília perdeu espaço.
Além de uma guerra interna, a descentralização da área de inteligência da PF (Polícia Federal) levou o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da corporação, Luiz Fernando Corrêa, a ter menos controle e informações sobre as operações mais espetaculares _como a que prendeu o banqueiro Daniel Dantas.
No primeiro mandato de Lula, o delegado federal Paulo Lacerda foi colocado na direção da PF pelo então ministro Márcio Thomaz Bastos. Lacerda conferiu a um auxiliar direto, Renato Porciúncula, a centralização das preparações das grandes operações de inteligência da PF. O objetivo de Thomaz Bastos era modernizar a PF, tornando-a uma espécie de FBI brasileiro, mas fazendo isso em etapas. Daí a importância de Lacerda ter o controle de operações sensíveis.
Thomaz Bastos conferiu autonomia a Lacerda, que o informava de preparativos importantes. O então ministro da Justiça informava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando julgava pertinente. Essa fórmula restringiu o vazamento de informações das grandes operações.
No segundo mandato, Thomaz Bastos pediu o boné. Lacerda ficou temporariamente. Tarso queria um auxiliar ligado a ele. Via em Lacerda um homem da confiança do antecessor, o que era verdade. Com a nomeação de Luiz Fernando Corrêa e a ida de Lacerda para a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), houve uma descentralização da inteligência da PF.
As seções estaduais passaram a administrar suas próprias áreas de inteligência com alto grau de independência em relação a Brasília. Resultado: Tarso e Corrêa não conseguiram acompanhar o trabalho do delegado federal Protógenes Queiroz, ligado a Lacerda e faminto por pegar Daniel Dantas.
Mas não foi apenas a Operação Satiagraha que ficou fora do conhecimento da dupla Tarso-Corrêa. A operação Toque de Midas, que fez busca e apreensão na casa e em empresas do Eike Batista, também passou longe de Brasília.
A descentralização aumentou o grau de vazamento de informações a respeito das operações. A Toque de Midas foi mencionada por um agente que é professor numa faculdade de direito no Amapá. Talvez seja recomendável a revisão da descentralização promovida por Tarso.
Corregedoria mais forte
É preciso tornar mais rígida e poderosa a corregedoria da PF. Assim, abusos e excessos da Polícia Federal seriam punidos, criando um efeito que ajudaria a evitar novos casos.
Diligências demoram
Ministros do STF se queixam da PF, dizendo que as diligências que pedem passaram a demorar mais. Isso também é resultado da descentralização da área de inteligência. As superintendências dos Estados ganharam poder com Tarso na mesma proporção em que a direção-geral em Brasília perdeu espaço.