sexta-feira, outubro 03, 2008

Uma política externa abaixo da linha do equador...

Adelson Elias Vasconcellos

O texto a seguir foi publicado pelo Carlos chagas em sua coluna de hoje na Tribuna da Imprensa:

Imaginou-se, primeiro, tratar-se de uma reunião dos presidentes dos países da América do Sul, um repeteco do Unasul que custa a decolar. Não era. Não estavam convidados os governantes maiores da Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e outros países. Circulou depois que se reuniriam os presidentes da Bacia Amazônica. Também não deu afinal o rio Negro, antes rio Içana, nasce na Colômbia e Álvaro Uribe não estava convocado. Nem os presidentes do Suriname e da Guiana.

Como então explicar a reunião, em Manaus, de Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia, recepcionados pelo presidente Lula?

Objetivos, o encontro teve, mas explicação cerimonial, nenhuma. Serviu para os presidentes da Bolívia e do Equador baixarem a bola e, sob os auspícios do presidente da Venezuela, garantirem ao presidente do Brasil que deixarão de fazer-nos de alvo para a solução de seus problemas internos.

Retorno. Bem, se a reunião serviu para isso, acredito que Lula deva cobrar uma posição de Rafael Correa, tiranete à moda Chavez, que preside o Equador.

Digo isto tendo em vista o rolo que o equatoriano criou com a Odebrecht. Seqüestrou bens da Construtora que colocou sob guarda das Forças Armadas de seu país e, não satisfeito, impediu que cidadãos brasileiros retornassem ao Brasil. Se a tal hidrelétrica apresentou defeitos de estrutura e funcionamento, isto são assuntos técnicos os quais como tal devem ser tratados, mas jamais da forma como o equatoriano o fez, ameaçando, inclusive, o não pagamento do empréstimo contraído junto ao nosso BNDES .

Para que tudo se normalizasse, a Odebrecht aceitou o acordo exigido pelo presidente equatoriano para acabar com impasse. Pois bem, quando tudo parecia se encaminhar para uma solução final, eis que o tiranete dá meia volta e agora já ameaça de expulsão a construtora. Lamentavelmente, a notícia não informa se no Equador ainda permanece algum brasileiro impedido de retornar ao Brasil. De qualquer forma, parece que Lula continua na base do corno manso já que, sejam empresas brasileiras ou até cidadãos brasileiros, são agredidos e vilipendiados, sem poderem contar, sequer, com apoio diplomático da nossa ridícula diplomacia tupiniquim escorraçada por Celso Amorin. Nossa política externa continua abaixo da linha do equador, se que é que vocês entendem o sentido como emprego "linha do equador"...

A notícia é a agência AFP.

Correa quer expulsar Odebrecht do Equador
O Equador manterá as sanções contra a construtora brasileira Odebrecht, cujos bens estão embargados devido à falta de cumprimento de um contrato no país, informou nesta quinta-feira o presidente Rafael Correa, manifestando seu desejo de que a empresa abandone o país.

As instalações da companhia brasileira no Equador estão ocupadas pelo Exército, enquanto o governo exige o pagamento de uma indenização pelos danos causados pela paralisação da hidrelétrica de San Francisco, construída pela Odebrecht e que está fora de operação há quatro meses.

Apesar do decreto presidencial sobre a Odebrecht não determinar a saída da companhia do Equador, Correa falou nesta quinta-feira em "expulsão".

"Estamos analisando, muito seriamente, sua expulsão. Basicamente, estamos analisando questões técnicas, jurídicas e econômicas, mas a principio minha vontade, nosso desejo, é de que não voltem" a trabalhar no Equador.

Segundo Correa, "empresas que enganam o país apenas diante de um ato firme, como a expulsão, reconhecem o que estritamente corresponde ao Estado equatoriano".

O presidente destacou que na semana passada a Odebrecht comunicou sua disposição de aceitar as exigências do Equador sobre a central de San Francisco, que deixou de operar um ano após ser entregue pela empresa brasileira.

Durante a recente reunião em Manaus, Correa conversou sobre o tema com o presidente Luiz Inacio Lula da Silva, que manifestou sua confiança em uma solução negociada e descartou que o problema afete a relação entre os dois países.