sexta-feira, janeiro 23, 2009

De novo: a saúde pública do Nordeste em crise.

Parece praga. A cada ano, os estados nordestinos se cotizam para gerarem, em cadeia, uma crise na saúde pública. Semana passada foi em Pernambuco. Agora, é no Rio Grande do Norte. A notícia é do Jornal Nacional. Retorno ao final para comentar a decisão absurda do Ministério Público.

Natal enfrenta grave crise na saúde
O fim do contrato entre a Secretaria de Saúde do estado e as cooperativas médicas reduziu o número de profissionais nos hospitais da rede particular conveniados ao SUS. Quem sofre é o povo.

A cidade de Natal está enfrentando uma crise grave na saúde. A falta de médicos provocou o adiamento de cerca de mil cirurgias só este mês nos hospitais conveniados do SUS e da rede pública.

O acúmulo de líquido no cérebro de Éveli fez mãe e filha viajarem 300 quilômetros de casa até Natal em busca de atendimento. A cirurgia para inserir um dreno na cabeça da menina de sete meses foi adiada duas vezes.

"Vai fazer um mês que eu estou esperando aqui por essa cirurgia. Dizem que é falta de anestesista, que está difícil", contou a dona de casa Shirley Cavalcanti.

Com a aposentada Maria Lindalva Siqueira não foi diferente. Mesmo com suspeita de ter um câncer na face, a cirurgia foi desmarcada. "Era como esse, não tem aqui uma manchinha? Aí foi aumentando, aumentando".

O fim do contrato, em dezembro, entre a Secretaria de Saúde do estado e as cooperativas médicas reduziu o número de profissionais nos hospitais da rede particular conveniados ao SUS.
O Ministério Público considerou que este tipo de contrato era ilegal e não deveria ser renovado. O governo realizou um concurso, mas os médicos aprovados ainda têm 60 dias para se apresentar. A falta de profissionais provocou o cancelamento de cerca de mil cirurgias desde o início do ano.

"Todo dia eu estou ligando para o hospital e eles dizem que não entraram em acordo", disse uma mulher.

Sem a realização das cirurgias eletivas na rede conveniada, os casos mais graves estão sendo encaminhados aqui para o hospital Walfredo Gurgel, o maior pronto socorro público do estado. O hospital está sobrecarregado com a demanda de pacientes. No fim de semana, um bebê recém-nascido morreu sem que a cirurgia para a desobstrução do intestino fosse realizada.

É o que também preocupa o pedreiro José Lisboa. "Nas pernas, eu não sinto nada.Vou morrer à míngua".

"Eles aqui não estão fazendo nada, porque eu cheguei e o médico só fez olhar e dizer que fizesse um exame magnético", contou a dona de casa Araci Nascimento.

"O fato é que essas pessoas sofrem muito para chegar até esse momento de marcar essa cirurgia e o pobre continua escutando não como a principal resposta quando eles chegam à procura dos direitos deles", declarou o diretor do hospital, Paulo Xavier. Para contornar a crise, o governo do estado vai remanejar médicos e realizar um novo concurso público.

“Vamos dar agilidade a essa contratação de todas as especialidades que não tiveram as vagas preenchidas agora”, disse George Antunes, secretário de Saúde (RN).

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Reparem neste trecho da reportagem: “O Ministério Público considerou que este tipo de contrato era ilegal e não deveria ser renovado. O governo realizou um concurso, mas os médicos aprovados ainda têm 60 dias para se apresentar.”

Santo Deus, será que o Ministério Público não calculou o risco de sua decisão? Não imaginou o estado de abandono a que ficaria entregue a população? Não poderia conceder em recomendar ao Poder Público que o tal contrato pudesse ao menos ser renovado pelo prazo necessário à contratação definitiva dos médicos concursados?

Em nome do quê tal decisão foi tomada? Por certo, senhores, não foi em nome do bem comum, porque o fato de haver vítima fatal por falta de atendimento médico simplesmente por um procuradorzinho de bosta resolveu deixar a rede pública de saúde sem médicos, por conta de contrato ou convênio que ele entendeu ser irregular, é um absurdo ? Uma indecência! Deveria o tal procurador irresponsável pela decisão estúpida ser processado e condenado a indenizar a família da criança que morreu por absoluta omissão causada pela idiotia de um procurador que, antes, deveria zelar pelo bem comum, e não por granjear ibope pessoal para parecer um “justiceiro”. É impressionante a forma criminosa como o Estado trata o cidadão que o sustenta!!!