sexta-feira, janeiro 23, 2009

O abandono da educação

Adelson Elias Vasconcellos

Muito embora o discurso e propaganda oficiais versem o contrário, o fato é que as políticas de educação no Brasil vão de mal a pior. Atestam bem o quadro as posições conquistadas por alunos brasileiros em competições internacionais. Exemplar negativo também se pode ver no nível de analfabetismo brasileiro quando considerado apenas o continente sul-americano. Até o Paraguai está melhor ranqueado!

Já editamos muitos artigos não apenas apontando nossos seculares erros no campo da educação, como também que tais erros não encontram, na esfera política, o menor interesse de serem corrigidos. Lamentavelmente. É um descalabro !

No prazo de apenas sete dias, três notícias, todas relativas ao Mato Grosso, mas que poderiam se relacionar a qualquer outro estado da federação, demonstra bem a enorme distância entre a realidade e a propaganda que tenta nos vender o poder público, e em qualquer esfera.

Comecemos pela de hoje. Manchete do jornal A Gazeta de Cuiabá: “470 MIL ESTUDANTES CORREM O RISCO DE FICAREM SEM AULA”. Sabem por quê? Porque o sindicato dos professores ameaçam uma greve geral antes mesmo das aulas iniciarem ! Incrível, não é mesmo?

Em 2008, editamos uma longa série de artigos em que denunciamos, dentre tanta safadeza cometida no campo da educação, a ação funesta dos sindicatos de professores os quais, desde que passaram a exercer sua influência sobre os professores da rede pública, não apenas contribuíram para empobrecer o nível de ensino, como também acabaram por impor uma estrondosa queda nos índices de qualidade de ensino. Isto começou lá pelo final da década de 70, e de lá para cá, a queda tem sido vertiginosa. Ano após ano, o Brasil inteiro assiste greve abusivas, durando trinta, quarenta até setenta dias ou mais, que provocam um irreparável prejuízo na formação escolar dos nossos estudantes. De nada vale a estupidez de, terminada a greve, “reporem as horas de aula”. Porque tudo é feito no atropelo, sem critério, e sem a menor preocupação com a qualidade do que é ministrado nas salas de aula.

Claro, tem quem defenda as greves e a intromissão cretina dos sindicatos sob a alegação de que se está lutando pela valorização da classe, pela melhoria dos salários, pelas condições. Para quem estudou os níveis básico e fundamental antes deste tempo, olhos postos na história, analisem no que as tais “pautas de reivindicação” melhoraram os níveis de ensino e qualidade dos professores nos últimos vinte anos? Os salários até se deterioraram, as condições de ensino afundaram de vez e nunca tantos professores fugiram para outras profissões como nos últimos anos. Além da perda de valorização, visível e desestimulante, o prejuízo na formação escolar dos estudantes, comprovou-se, tornou-se irreparável. Os cada mais decadentes exames de avaliação são a aprova indiscutível do prejuízo causado.

Outra notícia que pertence ao quadro de ensino do Mato Grosso mas que também espelha a situação por todo o Brasil, é que cerca de 40 mil estudantes da rede publica correm o risco de não encontrarem vagas para estudarem. Basta que nesta época qualquer pessoa visite as escolas públicas para entrevistarem pais e mães fazendo plantão em intermináveis filas para garantirem matrícula para seus filhos ! Quanto custa construir escolas novas, santo Deus ? E a presidência so país ainda quer se justificar com o inchaço de gastos inconseqüentes !!! E. claro, não se pode esquecer dos demais poderes que adoram ostentação em seus gabinetes, dinheiro que se tira e se sonega da educação das novas gerações !!!

E a terceira notícia diz respeito aos tributos incidentes sobre o material escolar. Se tudo que se disse acima já seria desonroso para qualquer governo com um mínimo de vergonha e responsabilidade, a alta carga tributária que é cobrada sobre material escolar básico chega a ser um escárnio ainda maior. Uma simples caneta de plástico, transparente, sofre uma taxação de quase 48% de impostos . Na média, a pesquisa feita pelo Jornal A Gazeta apontou para uma média de 50% de impostos que são cobrados em lápis, réguas, compassos, cadernos, canetas, etc. É de se perguntar: com um poder público com tamanha voracidade tributária sobre custos básicos educacionais, como acreditar que para ele a Educação seja prioritária ? De nada vale criticarem as sempre "odiadas" mensalidades da rede privada. Elas são fruto do descalabro em que se encontra a rede pública. Tivesse o ensino público a qualidade que um dia já teve, e que foi sendo jogado na lata do lixo ao longo do tempo, e se tal qualidade fosse contemplada com vagas suficientes, e por certo a procura pela rede pública obrigaria a rede privada a ter preços menores ! Concorrência é sempre saudável, em qualquer nível e em qualquer atividade! Na atual situação, qualquer pai com um mínimo de interesse em proporcionar ao seu filho uma educação de qualidade e sem deformação, fará qualquer sacrifício para custear os estudos em rede privada. Pelo menos lá terá a certeza de melhor qualidade e a total segurança de que seu filho não terá interrompida sua formação escolar pela ação nefanda de sindicatos politizados, comandados por cretinos e moleques.

Se às três notícias acima a gente for adicionar a indecente manipulação de currículos cada dia mais ideologizados e, claro, sempre à esquerda, mais as péssimas condições de ensino e dos próprios prédios escolares, fica fácil entender a perda que o país experimenta na formação das futuras gerações. E que se note: o prejuízo é monstruoso e irreparável. E acreditem, também: quando se quiser buscar as verdadeiras causas da violência cada dia maior por todo o país, não esqueçam de que a maior de todas é o abandono a que está relegada a educação brasileira. E não se iludam: não existe no mundo país civilizado e desenvolvido com povo analfabeto.

Assim, quando o grande chefe bunda mole se ufana de seu analfabetismo, está contribuindo diretamente para se ter uma criança a menos nas escolas e uma mais nas ruas. Definitivamente, estamos na contramão da História. E para isto não há propaganda e discurso que possam maquiar tão cruel realidade.