sábado, janeiro 24, 2009

ENQUANTO ISSO ...

Bolívia exige teste de Aids de estudantes do Brasil
Josias de Souza, Folha online

Universitários brasileiros residentes na cidade boliviana de Cochabamba vêm recebendo tratamento degradante de autoridades consulares locais.

Para ter o visto de permanência renovado, por exemplo, os estudantes têm de provar, uma vez por ano, que não estão infectados pelo HIV, o vírus da Aids.

A informação foi repassada pelos próprios estudantes a uma delegação de deputados federais que visitou a Bolívia no mês passado.

Raul Jungmann (PPS-PE), um dos integrantes da comitiva, vem publicando em seu blog, desde o final de dezembro, um "diário de viagem".

Neste domingo, sob o título "Aidéticos", Jungmann relata o que ele e seus colegas viram ouviram em Cochabamba.

Estiveram na Univalle (Universidad Privada Del Valle). Há na instituição cerca de 400 brasileiros matriculados. Frequentam o curso de Medicina.

"Todos os anos, temos que nos submeter a um teste de Aids. Sem isso, não nos deixam ficar. Não podemos renovar os nossos vistos", disse um dos alunos.

Surpresos, os deputados quiseram saber se a exigência era estendida a alunos de outras nacionalidades.

"Não temos notícias que outros estudantes, de outros países, também tenham que fazer anualmente o teste de Aids", respondeu outro estudante brasileiro.

Em seu "diário" eletrônico, Jungmann evitou mencionar os nomes dos alunos. Teve receio de submetê-los a retaliações.

O teste anti-Aids não é o único constrangimento imposto aos brasileiros. Para ter os vistos renovados, eles também são vítimas de achaques e humilhações.

Um dos alunos contou que, ao tentar renovar o seu visto de permanência na Bolívia, tivera problemas com o preenchimento do formulário.

O atendente boliviano chamou-o de "brasileiro burro e imbecil". Outra aluna, que Jungmann permitiu-se identificar pelo prenome (Sarah), contou:

"Eu fui fazer um registro e me pediram duas cópias dos meus documentos. Então perguntei por que duas, se uma cópia não bastava..."

"...Aí, o cara falou: 'Agora são quatro'. Eu disse: mas por que? E ele: 'São dezesseis'. Mas... 'São cem agora, moça. Vai querer ou não?' É assim".

Os deputados prometeram levar as queixas dos estudantes às autoridades do governo companheiro de Evo Morales.

Houve queixas também quanto a um velho problema arrostado por brasileiros que se formam em países da América Latina e do Caribe.

De volta ao Brasil, os novos profissionais, a maioria deles médicos, têm dificuldade de validar os diplomas. "Eles são discriminados lá e cá", escreve Jungmann.

Desde meados da década de 90, jovens brasileiros recorrem a faculdades de países vizinhos para fugir do fantasma do vestibular.

Hoje, estima-se que há quase 10 mil brasileiros estudando em países da América Latina e do Caribe. Só na Bolívia, há algo como 6.000.

Submetem-se, por vezes, a um ensino de qualidade precária. E, ao retornar, têm dificuldade para exercer a profissão no Brasil.

Na década de 70, o Brasil firmara um acordo de cooperação acadêmica que previa a validação automática dos diplomas obtidos em países latinos e caribenhos.

Porém, em 1999, sob FHC, o governo pulou fora desse acordo. Desde então, para ter o diploma reconhecido no Brasil, os formandos têm de prestar exames em universidades públicas brasileiras.

É alta a taxa de reprovação. Muitos dos que recebem bomba recorrem ao Judiciário. Sobretudo aqueles que iniciaram seus cursos antes de 1999.

Neste caso, na há propriamente discriminação. Tome-se o exemplo dos médicos. Parece razoável que, antes de clinicar no Brasil, os profissionais formados lá fora provem minimamente as suas aptidões.

Enquanto isso...

- Três em nada:

"Nosso Guia não tem política externa que faça nexo, mas tem três chanceleres.

Um é o titular Celso Amorim. O outro é o assessor especial Marco Aurélio Garcia.

Agora, correndo por baixo, entrou o ministro do sei-lá-o-quê Roberto Mangabeira Unger.

O professor foi a Washington e encontrou-se com um assessor do presidente eleito Barack Obama, cujo nome não revelou.

Dessa conversa resultou uma preciosa informação: "Obama decidiu não se encontrar oficialmente com nenhum representante de outro país antes da posse".

Dias depois Obama reuniu-se com o presidente mexicano Felipe Calderón, com direito a fotografias.

Desse jeito o governo Lula não é apenas "o mais corrupto de nossa história nacional" (nas palavras de Mangabeira). É também o mais estabanado".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O comentário do Gaspari vai na direção certa das patacoadas que a política externa de Lula vem cometendo desde 2003. Faltou dizer,no entanto, que todas as ações se confundem com o pensamento cretino que tomou conta não apenas do Itamaraty, mas de modo geral, de todo o cenário político do país. País que dá abrigo para canalhas assassinos, julgados e condenados pela Justiça legítima de uma país democrático, não age pelo sabor dos ventos e, sim, caracteriza a filosofia criminosa de que se acham investidos os dirigentes deste país.

O caso do italiano Cesare Battisti não foi o primeiro e, por certo, não terá sido o último. O terrorista colombiano, falsamente cognominado de Padre Medina, também se insere neste contexto. E governo que age ao arrepio da legitimidade institucional de nações democráticas, dão um recado direto: a de que aqui, todo o canalha, terrorista e criminoso, que se declarar no mínimo simpatizante com a ideologia esquerdopata, encontrará o paraíso. Poderá, a exemplo de Medina, ter sua família muito bem instalada em empregos federais.

Aliás, como o artigo do Guzzo para a Revista Exame (reproduzido abaixo), bem lembra, a filosofia vigente no governo é de que, desde que não se atinja a popularidade do Grande Chefe, o resto tudo é possível e permitido.

Tanto quanto acontece nas embaixadas brasileiras espalhadas pelo mundo, as da Europa principalmente, brasileiro no exterior não consegue contar com a proteção que lhe é devida. Regra geral, diante de maus tratos e do abuso a que são submetidos, as embaixadas e consulados cruzam os braços e fazem cara de morto.

No caso específico da Bolívia, o mais interessante é que, quando a repressão se faz sentir com todo o seu peso e violência do lado de lá, é para o Brasil que os bolivianos correm buscando salvação. E serve também como alerta para algo que há muito tempo afirmamos: a de que a tal integração latino-americana, sonhada, festejada e comemorada por Lula e seus sequazes, é algo impossível de se obter. Podemos, em alguns momentos, conjugar alguns interesses comuns no plano econômico. Contudo, tirando as poucas conveniências, há uma imensidão que nos separa e, muito mais por eles do que por nós, há um sentimento de certo desprezo e antipatia entre os povos, latinos de um lado, brasileiros de outro, que manterá sempre uma certa reserva quanto a políticas integracionistas.

E, mais doloroso ainda, é ver o quanto o Brasil se rebaixa para quem o atormenta, lhe chuta o traseiro sem dó nem piedade, e o quer distante o mais possível. Fica difícil entender os amores de Lula para com caudilhos ordinários do tipo de Chávez, Morales e Correa, preferindo muito mais atender aos interesses dos vizinhos do que em defender os do país que o elegeu para governar. E digam lá, afinal, no que tal integração, feita na forma como deseja Lula & Cia., irá nos beneficiar diretamente? A resposta é uma só: em absolutamente nada.