segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Presidente palestino descarta diálogo com Hamas

BBC Brasil

Abbas visitou feridos palestinos que recebem tratamento no Egito

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, descartou neste domingo a possibilidade de reconciliação com o Hamas – facção palestina que controla a Faixa de Gaza – a não ser que o Hamas passe a considerar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) a única representante do seu povo.

“Verdadeiramente e honestamente, nenhum diálogo (irá ocorrer) com aqueles que rejeitam a OLP, e eles tem que reconhecer que a OLP é o único legítimo governo do povo palestino. Aí teremos diálogo”, disse Abbas na capital do Egito, Cairo, após se encontrar com palestinos feridos na recente ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

“Eles (o Hamas) assumiram riscos com o sangue do palestinos, com seus destinos, seus sonhos e aspirações de um Estado palestino independente.”

A OLP é um órgão reconhecido internacionalmente como o legítimo representante do povo palestino e é dominada pelo Fatah, a facção política à qual pertence Mahmoud Abbas.

Na semana passada, um dos líderes do Hamas, Khaled Meshaal, disse que a OLP está obsoleta e pediu que ela deixasse de existir, sendo substituída por uma outra autoridade nacional.

O Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007. Abbas mantém o controle sobre a Cisjordânia.

Nesta segunda-feira, Abbas tem um encontro com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, onde devem discutir a situação em Gaza.

O Egito vem mediando um acordo entre Israel e Hamas desde que os dois lados anunciaram uma trégua em 18 de janeiro, depois da ofensiva em mais de mil palestinos morreram na Faixa de Gaza.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Reparem que, enquanto um dos lados, afirma que os terroristas do Hamas “... assumiram riscos com o sangue do palestinos, com seus destinos, seus sonhos e aspirações de um Estado palestino independente.” , o outro, diz que “... a OLP está obsoleta e pediu que ela deixasse de existir, sendo substituída por uma outra autoridade nacional.”

Ora, O primeiro grupo sabe há meios de uma convivência pacífica entre judeus e palestinos, e a deseja por perceber que os conflitos não favorecem seu próprio povo. Já a turma do Hamas, com estes nenhum diálogo é possível, nenhum acordo é respeitado, nenhuma trégua é consentida. Para estes só a guerra é possível, e, em caso de morte, ela é glorificada como o sacrifício necessário. Para eles, a paz só será obtida com a destruição de Israel. Portanto, pelo menos eles não mistificam sua posição.
Pena que grande parte da mídia internacional, pró Hamas, ainda não se deu conta de quem é a verdadeira vítima, e quem são os agressores neste conflito. Para o Hamas, já são dois os seus inimigos: judeus e os palestinos da OLP, ou qualquer outro que fale em paz, deposição de armas, trégua duradoura. Fica, deste modo, impossível qualquer diálogo que tenha por objetivo por fim ao conflito, quando um dos lados, os palestinos do Hamas, só pensam na guerra.