Adelson Elias Vasconcellos
André Petry é colunista da revista VEJA, e, muitas vezes, reproduzimos alguns de seus artigos por externar e expressar opiniões com as quais estávamos de pleno acordo, o que não representa dizer que se deva concordar sempre. Muitas vezes nos sintonizamos na mesma faixa de pensamento e opinião, o que não quer dizer que isto seja regra.
Discordar é o caso de sua coluna de hoje. Sob o título “Lembra-te de Darwin”, ele afirma em dado momento: “...É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência”.
Muitas vezes me fiz a seguinte pergunta (creio que muita gente já a tenha feito também): será que a ciência, de alguma forma, já não comprovou, em diferentes disciplinas, que muitos dos fatos narrados na Bíblia estavam corretos? Ou deveremos tomar a Bíblia apenas como um livro de fantasias?
Ao ler a coluna do Petry, lembrei-me de uma obra que li, pela primeira vez, há mais de vinte anos. Seu autor, o alemão Werner Keller, reuniu numa única obra, o resultado de décadas de escavações realizadas nas regiões mencionadas na Bíblia, compondo um formidável acervo de documentos, testemunhos de um passado longínquo, que vem permitindo aos cientistas acompanhar passo a passo a sequência de fatos narrados no “Livro dos Livros” provando sua veracidade e relacionando-os com outros importantes fatos da história. Para mim tornou-se, confesso, um importante instrumento de pesquisa. O nome da obra é até bem sugestivo: “e a Bíblia tinha razão”.
André Petry é colunista da revista VEJA, e, muitas vezes, reproduzimos alguns de seus artigos por externar e expressar opiniões com as quais estávamos de pleno acordo, o que não representa dizer que se deva concordar sempre. Muitas vezes nos sintonizamos na mesma faixa de pensamento e opinião, o que não quer dizer que isto seja regra.
Discordar é o caso de sua coluna de hoje. Sob o título “Lembra-te de Darwin”, ele afirma em dado momento: “...É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência”.
Muitas vezes me fiz a seguinte pergunta (creio que muita gente já a tenha feito também): será que a ciência, de alguma forma, já não comprovou, em diferentes disciplinas, que muitos dos fatos narrados na Bíblia estavam corretos? Ou deveremos tomar a Bíblia apenas como um livro de fantasias?
Ao ler a coluna do Petry, lembrei-me de uma obra que li, pela primeira vez, há mais de vinte anos. Seu autor, o alemão Werner Keller, reuniu numa única obra, o resultado de décadas de escavações realizadas nas regiões mencionadas na Bíblia, compondo um formidável acervo de documentos, testemunhos de um passado longínquo, que vem permitindo aos cientistas acompanhar passo a passo a sequência de fatos narrados no “Livro dos Livros” provando sua veracidade e relacionando-os com outros importantes fatos da história. Para mim tornou-se, confesso, um importante instrumento de pesquisa. O nome da obra é até bem sugestivo: “e a Bíblia tinha razão”.
Não, a obra não prova a teoria “criacionista”, mas comprova, sem sombra de dúvida, que não se pode descrer de tudo que está escrito e descrito na Bíblia. Muitas vezes, é preciso analisar a obra dentro do contexto histórico em que foi escrita por seus diferentes autores. Não se tinha, à época, os instrumentos de linguagem alicerçados no conhecimento científico, para descrever ou narrar determinados eventos. A consciência humana estava ainda muito distante daquela que hoje conhecemos.
Portanto, que Petry me perdoe, mas ele está confundindo “transmissão de conhecimento” com ciência. Em que a teoria “criacionista” será capaz de, por si só, embrutecer a formação de alguém? Fosse assim, jamais se poderia, em aulas de Física, falar-se das teorias anteriores ao entendimento do seja o universo, ou acaso se deixa de informar que um dia se acreditou que a Terra fosse o centro do universo, por mais que isto, hoje, nos pareça absurdo? Saber disso embrutece quem?
Uma coisa é citar a existência, no passado, de tais e quais teorias tentavam explicar o mundo, a vida, a origem das espécies. Outra, bem diferente, é tentar “fazer” a cabeça dos alunos afirmando-se que tal teoria é a expressão da verdade. Faz bem comparar teorias, faz bem conhecer a história da própria ciência, a evolução do conhecimento. Isto em nada embrutece nem o conhecimento nem tampouco o espírito.
O que talvez o colunista esqueceu de considerar é que, mesmo se tomando por base todo o conhecimento científico hoje existente, com todo o avanço da tecnologia que disponibiliza instrumentos cada vez mais exatos para a percepção da verdade, há, sim, muitas questões em aberto, mesmo na teoria de Darwin.
Sempre que a gente retroceder no tempo em busca da causa primeira de todas as coisas, por mais ciência que se coloque na mesa da discussão, sempre há um dado instante em que as “causas” esbarram ou tocam no ponto inicial. E aí, não há, no momento, ciência que explique. Não se trata de se negar Darwin mas de se buscar a resposta primeira para tudo, ou seja, como tudo começou. Claro, dado o pontapé inicial, o resto se ajusta por si. Mas e daí? Em que saber “como foi” ou “como era” torna-se negativo à formação dos estudantes?
Portanto, que Petry me perdoe, mas ele está confundindo “transmissão de conhecimento” com ciência. Em que a teoria “criacionista” será capaz de, por si só, embrutecer a formação de alguém? Fosse assim, jamais se poderia, em aulas de Física, falar-se das teorias anteriores ao entendimento do seja o universo, ou acaso se deixa de informar que um dia se acreditou que a Terra fosse o centro do universo, por mais que isto, hoje, nos pareça absurdo? Saber disso embrutece quem?
Uma coisa é citar a existência, no passado, de tais e quais teorias tentavam explicar o mundo, a vida, a origem das espécies. Outra, bem diferente, é tentar “fazer” a cabeça dos alunos afirmando-se que tal teoria é a expressão da verdade. Faz bem comparar teorias, faz bem conhecer a história da própria ciência, a evolução do conhecimento. Isto em nada embrutece nem o conhecimento nem tampouco o espírito.
O que talvez o colunista esqueceu de considerar é que, mesmo se tomando por base todo o conhecimento científico hoje existente, com todo o avanço da tecnologia que disponibiliza instrumentos cada vez mais exatos para a percepção da verdade, há, sim, muitas questões em aberto, mesmo na teoria de Darwin.
Sempre que a gente retroceder no tempo em busca da causa primeira de todas as coisas, por mais ciência que se coloque na mesa da discussão, sempre há um dado instante em que as “causas” esbarram ou tocam no ponto inicial. E aí, não há, no momento, ciência que explique. Não se trata de se negar Darwin mas de se buscar a resposta primeira para tudo, ou seja, como tudo começou. Claro, dado o pontapé inicial, o resto se ajusta por si. Mas e daí? Em que saber “como foi” ou “como era” torna-se negativo à formação dos estudantes?
Ocorre que, mesmo que o criacionismo tenha sua origem religiosa, por muitos séculos foi “ensinado” como se ciência fosse. Aliás, em seu texto, Petry informa em uma passagem: “...Em biologia, vale o evolucionismo de Darwin, segundo o qual todos viemos de um ancestral comum, há bilhões de anos, e chegamos até aqui porque passamos no teste da seleção natural. É a melhor (e por acaso a mais bela) explicação que a ciência encontrou sobre a aventura humana na Terra...”. Muito bem, cara pálida, e “este ancestral comum” veio de onde? Quem lhe deu vida? Petry, mesmo em ciência, seja biologia ou física, ou química, não existe acaso. Todo o efeito há de ter uma causa que o produza. Ou terá a ciência moderna mudado tal princípio? Assim, a pergunta permanece em aberto: quem criou o primeiro ser vivo sobre a terra? Ou, vamos avançar mais: quem criou a vida, o seu princípio existencial?
Portanto, informar a existência de uma teoria absurda e que no passado era aceita como expressão da verdade, em nada, mas absolutamente nada mesmo, afeta ou afetará a formação de quem quer que seja. Até porque conhecer o criacionismo em aulas de biologia nunca se soube que tenha afetado a formação de cientistas formados nestas mesmas escolas que o colunista critica. Ou será que as escolas “religiosas” formam só pastores? Nada disso, elas também deram formação à futuros cientistas e, tanto quanto se saiba, suas formações não foram prejudicadas por terem conhecido a teoria criacionista em aulas de biologia. O que é absurdo, e é disto que devemos nos ocupar e preocupar, é uma escola, seja religiosa ou não, ser incompetente, em pleno século 21, de ensinar seus alunos a lerem e escreverem com um mínimo de correção e entendimento, ou, ao menos, saber as quatros operações básicas de matemática. Ou se valer da cadeira da História para transmitir teorias político-partidárias!!! Isto é deformação pura e genuína.
Por fim, tentando demonstrar sua tese, Petry saca o seguinte, em outro trecho: “Quem contrabandeia o criacionismo para as aulas de biologia diz que, em respeito à "liberdade de pensamento", está "mostrando os dois lados" aos alunos. Afinal, são escolas religiosas, confessionais, e os pais podem ter escolhido matricular seus filhos ali exatamente porque o criacionismo é visto como ciência. Pode ser, errar é livre, mas que embrutece não há dúvida.”
Como diria o filósofo inglês, Jack – O Estripador, "vamos por partes": afirmar que é contrabando dar conhecimento da teoria criacionista em aulas de biologia não se trata de pecado. Além do que está dito acima, e mesmo que Petry não aceite, as escolas estão, de fato, “mostrando os dois lados”. Que mal há nisso? Nenhum !!!
E os pais, hoje, senhor Petry, não estão escolhendo (quando podem escolher, é claro) escolas para seus filhos baseados unicamente em fé religiosa. Fazem-no por sua qualidade superior, pela segurança de que seus filhos não ficaram deformados por greves de professores com duração de 30, 40, 70 ou até mais dias. Fazem-no por entenderem que, além da formação intelectual, seus filhos também precisam receber uma formação mais humanística, com a noção de alguns princípios do tipo moral, indispensáveis à formação do caráter de qualquer indivíduo. E saiba ainda que muitos são filhos de pessoas que sequer são religiosos freqüentadores de qualquer crença, alguns até são filhos de cientistas que encaram o criacionismo como aquilo que realmente ele é, uma teoria ultrapassada, sem base científica. Com exceção de uns poucos, a grandiosa maioria dos pais que matriculam seus filhos em escolas religiosas o faz unicamente pela qualidade do ensino, e não por acreditar que o criacionismo seja tomado como ciência.
Assim, conhecer a realidade é melhor do que se deixar guiar apenas por preconceitos, estes sim, injustificáveis. A ninguém, concorde ou não, é dado o direito de negar o conhecimento, seja ele fruto de obra religiosa ou não. A ninguém é concedido permissão para escolher o que devemos conhecer e saber, e, no caso, me parece que Petry vai justamente na direção oposta a tal princípio. Além, é claro, de estabelecer um juízo de valor sobre as escolas religiosas bastante perigoso.