sábado, outubro 31, 2009

Argentina diz que não vai tolerar barreiras comerciais do Brasil

É, mesmo? Nem diga!!! Da Agência France-Press, chega-nos a notícia da “rebeldia” argentina em relação as medidas adotadas pelo governo brasileiro, em represália às constantes retaliações que aquele país tem adotado em relação às nossas exportações.


Muito embora o mais adequado seria um entendimento no campo diplomático, desta vez não se pode censurar a decisão brasileira. Foram muitos os ataques, medidas e erguimento de dificuldades que o país vizinho montou com prejuízo ao comércio bilateral. E olhem que o desaforo portenho já data desde o governo de Fernando Henrique. Apenas para lembrar algo recente, há mais de um ano, a presidente Cristina Kirchner condicionou as importações de mais de cem produtos brasileiros a licenças não automáticas. As autoridades brasileiras preferiram contemporizar. Finalmente, decidiram impor o mesmo licenciamento a cerca de 15 produtos argentinos, incluídos farinha de trigo, frutas e vinho.

Até agora, o Brasil tentou não criar maiores embaraços, porém, há limite prá tudo. Como dissemos em artigo anterior, é bom que a Argentina prove de seu próprio veneno para valorizar e, principalmente, seu parceiro que, aliás, foi como um irmão em que os argentinos tiveram que enfrentar enormes dificuldades econômicas. E, infelizmente, bastou ligeira melhora interna, e parece que eles esqueceram dos benefícios que a relação bi-lateral lhes rendeu.

Não tenho dúvidas de que as arestas logo serão aparadas, porém, é bom que Argentina aprenda, em definitivo, que não pode ficar eternamente cuspindo no prato em que comeu quando precisou.

Segue a notícia da Agência France Press, sobre a irritação dos vizinhos que, como se sabe, não passa de jogo de cena para tirar alguma vantagem. Aliás, seria bom que o Brasil tomasse medidas semelhantes com outros “chorões” que, na necessidade, sabem bater à nossa porta. Depois, se esquecem dos favores e não se furtam de nos acusar de imperialismo, casos como o Paraguai e Bolívia.

A Argentina não vai tolerar que suas exportações, em particular as de produtos perecíveis, sofram entraves comerciais por parte do Brasil, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Economia, Amado Boudou.

A tensão bilateral cresceu esta semana quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva freou importações argentinas de farinha de trigo, azeites, alho, vinho, frutas, rações para animais e caminhões fabricados na Argentina, entre outros produtos.

Dezenas de caminhões ficaram parados na fronteira e portos não puderam transportar as mercadorias para o Brasil.

"Sempre que a Argentina analisou alguma questão do comércio com o Brasil, trabalhou com produtos não-perecíveis para não gerar um grave dano a algum segmento da produção", advertiu o ministro. "É diferente dizer que há um problema com sandálias do que com frutas".

No entanto, ele minimizou o alcance do incidente registrado esta semana ao afirmar que "o problema entre os dois países abrange 6% do total do intercâmbio".

A medida é considerada uma represália às licenças não-automáticas (que atrasam o processo de exportação) que a Argentina implementou como argumento para proteger o emprego, a indústria e a produção frente à crise mundial.

O comércio bilateral somou 30,864 bilhões de dólares em 2008, com 4,347 bilhões de déficit para a Argentina.

Entre janeiro e dezembro deste ano, as exportações brasileira caíram quase 40%, somando 8,28 bilhões de dólares, mas ainda com um saldo positivo de 373 milhões.

As exportações argentinas nesse período caíram 20% e somaram 7,906 bilhões, segundo dados do ministério do Comércio e Indústria brasileiro.