Adelson Elias Vasconcellos
Claro, durante o dia muito se falou sobre o que parece ser o fim da crise institucional naquele país da América Central.
Tudo muito bem, tudo muito bom, mas há duas questões que merecem destaque: primeiro, para quem sonha com o exercício de uma liderança continental, o Brasil perdeu uma grande chance de se mostrar ao mundo com real espírito de grandeza. Ao renegar o presidente interino, e conceder abrigo ao golpista de fato, o tal Zé Laia, o governo Lula se fechou em copas e não aceitou sequer tomar a iniciativa de mediar o confronto.
Ignoramos completamente que Micheletti estava escudado tanto em decisões do Congresso quanto do Judiciário hondurenhos, os quais Zé Laia quis confrontar e dos quais não acatou decisão contrário ao seu interesse vagabundo de perpetuação no poder. Também Lula e Amorim ignoraram solenemente os mandamentos constitucionais daquele país. Se alguém quis golpear as leis e as instituições foi aquele que se depôs a si mesmo.
Foi preciso haver a intervenção equilibrada dos Estados Unidos para que se chegasse a um acordo amigável, mostrando para Amorim e Lula como um líder de fato, sem emocionalismos vagabundos, deve se comportar em relação aos demais países. Bola flora, sem dúvida, principalmente, em terem permitido que a embaixada brasileira, em Tegucigalpa, se transformasse num cortiço, ou num centro de incitação à violência e levantes. De certa forma, houve ingerência em assuntos internos de Honduras pelo governo brasileiro, no que, aliás, está proibido pela nossa própria constituição.
O segundo destaque parte do próprio acordo que foi assinado. .Por ele, quem decidirá pelo retorno, ou não, de Zé Laia ao poder é o congresso hondurenho. E, se tal ocorrer, sua permanência se prolongará até o que o final de seu mandato na condição anterior. Pois bem, e se o Congresso daquele país negar-lhe o retorno? E aceitará pacificamente? Duvido ! Pelo comportamento demonstrado nas últimas semanas, quando sequer respeitou a embaixada brasileira, estejam certos que bufão vai partir para o confronto e promover toda a sorte de agitações. O tempo dirá que o vigarista não passa de mais um candidato vagabundo a caudilho. Felizmente para a Honduras, um aprendiz muito amador.