terça-feira, dezembro 15, 2009

O governo, sem o Lula da propaganda, é um desastre

Adelson Elias Vasconcellos


É chegado o tempo da gorda safra de pesquisas de opinião. No próximo ano, elas se tornarão a coqueluche dos debates em todo o país. Muitos se sentirão contrariados, ou mais aliviados, outros preocupados, outros irritados, e assim por diante. Haverá que conteste alguns resultados, outros dirão que eles são manipuladores da opinião pública, outros sequer lhe darão imp0ortância alguma.

Mas o início desta avalanche já nos faz refletir sobre alguns resultados que, olhados com certa superficialidade, parecem ser contraditórios. Examinados mais sob o ângulo do contexto político-institucional refletem bem a nossa realidade.

Por hoje, vou me deter em analisar alguns aspectos da recente pesquisa do IBOPE. E não sobre as preferências do eleitorado quanto aos candidatos a candidatos na corrida presidencial. Afinal, o índice de votos indecisos ainda é bastante expressivo para serem determinantes de tendências.

Vou me ater isto sim, ao modo como o eleitorado analisa e conceitua o governo Lula.

Semana passada, postamos artigo do cientista político Murilo Aragão, publicado no blog do Noblat. E é dele, do resumo bem apanhado que fez dos resultados da pesquisa, que iremos nos valer para os nossos comentários.

Começo pela aprovação do presidente Lula, que pulou de 81 para 83%. E a confiança saltou de 76 para 78%.

Ora, diante de resultados tão expressivos, seria de se esperar que os resultados produzidos pelo governo Lula refletissem indicadores melhores do que na realidade encontramos. Não, não refletem. Como ainda seria de esperar que as avaliações individualizadas, por setores de atuação como saúde, segurança, educação, programas sociais (a joia da coroa), se alinhasse ao mesmos índices de aprovação da figura do presidente, o que justificaria tanto os 83% de aprovação quanto os 78% de confiança. Mas não é isso que ocorre.

Há uma enorme distância entre o presidente, e o seu governo.l É como se um estivesse divorciado do outro, apesar de serem consequentes.

Vamos lá: a aprovação do governo no combate à fome e à pobreza, por exemplo, caiu de 68% para 60%, em segurança pública, o índice caiu de 42% para 38%, em saúde, a desaprovação aumentou de 54% para 57% e em educação, de 39% para 43%.

Parece ou não contraditório o resultado do IBOPE, quando se compara Lula com seu governo? Por incrível que pareça, tais indicadores tão díspares, a figura DO Presidente, distante do resultado DO governo, explica muita coisa.

Quando o eleitor é consultado sobre a figura presidencial, ele está imaginando o Lula do discurso e da propaganda, se vê diante da ilusão que lhe é vendida, aprecia a figura humana do ex-operário, sarcástico no palanque, e descompromissas do dos erros que ele próprio comete. Tanto o discurso quanto a propaganda insinuam ao eleitor que as virtudes do governo, de 2003, são obras de Lula, e os defeitos são culpa dos outros. E, se a gente for observar que, menos de 5% da população brasileira pode ser, minimamente, considerada como informada, então começa a fazer sentido o resultado da pesquisa do IBOPE. E, nisto, louve-se a competência tanto do discurso quanto da propaganda oficial. Conseguiram separar Lula de seu próprio governo. Com que objetivo? Está claro que o resultado que o governo produz é bom e bem aceito pela população, Lula imediatamente se apropria das ações como méritos seus. Mesmo que não sejam, como veremos. Quando o resultado, porém, é negativo, ele invariavelmente empurra a culpa para os outros, principalmente, é claro, para sua obsessão principal:  FHC.

Agora, quando a pesquisa começa a centrar perguntas em relação às ações do governo de forma específica, como saúde, educação, segurança, etc., aí o eleitor já vota com a consciência daquilo que lhe atinge todo o santo dia, e como tais ações são ruins, a pesquisa acaba revelando a ruindade do governo. É contraditório ? Claro que é, mas se explica justamente pela forma como Lula se comporta nos palanques e como a propaganda induz o eleitor ao catecismo vagabundo das esquerdas, que vou chamar aqui de idolatria.

Presentemente, estou lendo um livro chamado DOSSIÊ HITLER, do jornalista Sérgio Pereira Couto, e sobre o qual falarei mais em outro artigo. É uma obra pequena, de fácil leitura, mas de alguma profundidade. Em especial, poderia, por ora, destacar um capítulo, aquele em que o Sérgio aborda o método de propaganda praticado pelo nazismo, cuja figura central foi Joseph Goebbels, o homem que consagrou como máxima a frase “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Nele, se descreve de forma resumida o método com que o Nazismo se infiltrou na sociedade alemã, e se apoderou do país e suas instituições.

Lendo-se a relação que Hitler mantinha com Goebbels, vê-se atuação idêntica em Franklin Martins, o homem de comunicação do governo Lula e seu chefe. Engana-se quem pensa que alguma coisa saia de dentro do governo, ou até nos discursos, exalando espontaneidade: sempre ocorre prévio estudo estratégico. Tudo é feito e pensado para produzir um determinado resultado. E, com efeito, é assim que tem acontecido.

Por isso, nove vezes fora a propaganda sobre os índices de aprovação de Lula – presidente, prefiro me ater aos resultados indicativos da ação de seu governo sobre o sentimento das pessoas. E, neste sentido, muito pouca coisa fica em pé.

Na série de artigos que postaremos a partir de hoje, vocês perceberão a ruindade suprema da ação de governar destes sete anos de governo Lula. E, muito mais do isso, se surpreenderão entre a enorme diferença de sua aprovação pessoal, com o resultado final de seu trabalho à frente do executivo federal.

Por isso, a preocupação central da propaganda oficial é centrada a partir da figura carismática de Lula com vistas à sua idolatria. Por quê? Porque de um lado, este sentimento pervertido, escamoteia a ruindade das ações práticas de um governo ruim. E, de outra parte, servem para conceder salvo conduto aos governistas para golpearam as instituições democráticas, as liberdades e direitos individuais, e substituir o interesse do Estado, pelo interesse do partido. Método característica e marcantemente esquerdista, aliás modelo e método já em implantação por Chavéz, na Venezuela.

Retornemos aos índices individualizados do governo e vocês verão que muito menos da metade são aprovados pela população.

Mas, claro, não é apenas a propaganda que justificativa os 83% de aprovação, a começar pela ausência de oposição. Até agora não disse a que veio. Continua sem achar o ritmo, sem oferecer um discurso minimamente razoável, continua enfeitando o governo adversário com uma omissão dolorosa. Há, também,  as questões econômicas, que Lula, inteligentemente, soube preservar como herança do governo de FHC. Fato este, por sinal, que recentemente a revista britânica The Economist, e o jornal espanhol El País, souberam identificar. No jornal espanhol, em um perfil assinado pelo próprio primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero, este mesmo afirma: “Pelas mãos deste homem (Lula), seguindo o caminho aberto por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, o Brasil, em apenas 16 anos, deixou de ser o país de um futuro que nunca chegava para converter-se em uma formidável realidade, com um brilhante futuro e uma projeção global e regional cada vez mais relevante".

Ou seja, lá fora, onde a propaganda vigarista não consegue enganar, o reconhecimento ao Brasil começa a partir do governo de Fernando Henrique, do qual Lula é herdeiro direto dos benefícios lá plantados. Não se enxerga o Brasil apenas a partir de Lula, como internamente se tenta vender, e como o própria se apresenta. Até porque, economicamente, o Brasil não sairia do atoleiro em que estava quando Fernando Henrique assumiu em 1995, num exíguo espaço de 7 anos.

Claro que, para Lula e os governistas, os 83% falam mais alto, eles exibem isto a todo o momento como um troféu que justifica o processo de idolatria em curso. Porém, quando se buscam questões mais práticas e objetivas da própria ação de governar, fica claro, e isto a população não esconde e reconhece, que se está muito longe do país maravilhoso que só a propaganda apresenta. É neste sentido que devemos avaliar e analisar o governo Lula que, como se vê, não consegue enganar a ninguém, nem mesmo os desinformados habituais.

Eis aí um caminho amplo para debate na campanha de 2010: mostrar que o governo ruim, de 2003 para cá, pertence a Lula, e a ninguém mais.