terça-feira, dezembro 15, 2009

O terrorismo dos ambientalistas

Adelson Elias Vasconcellos


Repararam que até agora não tocamos aqui no assunto que agita o mundo de uns 10 dias para cá? Estou, claro, me referindo a tal conferência do clima que se realiza em Copenhague, na Dinamarca. Mas depois de ouvir e ler tanto sobre o que se passa, já é possível concluirmos alguma coisa.

É impressionante como o terrorismo do aquecimento tomou conta do mundo! Falo em “terrorismo” porque há sim, um movimento brusco e violento de se falar em aquecimento como ciência determinante dos destinos do mundo. Porém, basta que alguém se aventure em contestar os pseudos - cientistas do fim dos tempos, e pronto!, terá tornado sua vida um inferno. Sim, porque o alarmismo com que doutos conhecedores da ciência e estudiosos trombeteiam suas profecias, calam fundo no coração e mente das pessoas muito mais pelo barulho que produzem do que por sua sensatez científica.

Na década de 70, ao contrário, e eu já estudava na PUC em Porto Alegre, as profecias eram bem outras. Lembro bem de que os cientistas do tempo e os milhares de estudiosos esparramados pelos cinco continentes, reverberavam a cantilena da proximidade de uma nova era glacial. É só conferir. Tem muito arquivo de jornais da época com longas e extensas reportagens e entrevistas do que se vaticinava como o futuro do planeta. Interessante notar que estes “especialistas” traziam tabelas, gráficos, apontamentos e levantamentos históricos para comprovarem suas teorias. Igual ao que se faz hoje, só que em sentido inverso e, claro, na década de 70, havia menos tecnologia. Al Gore que o diga com seu Oscar na mão!

Assim, sem que ninguém consiga explicar a mágica, as tabelas históricas que indicavam a proximidade de nova era glacial, em tão poucos anos, sofreram um reviravolta e passaram a apontar para o aquecimento, etc e tal.

Não, não estou descrendo de ninguém que defende o planeta, o meio ambiente, a natureza. Pelo contrário, acho necessário e saudável que se eduque a humanidade a ser menos consumista, a ter mais respeito para com os animais, a não sujarem os rios, os mares, as ruas, as praças, etc. Sou visceralmente contra às queimadas por empobrecerem o solo e tornar o ar das cidades próximas irrespirável. Contudo, não faço coro ao catastrofismo com que se debate o assunto. Até porque o mundo já viveu um aquecimento idêntico na Idade Média, e nem por isso a vida acabou, o planeta se desmanchou e a civilização humana deixou de existir. Foi um acontecimento natural e, contra o qual nada se pode fazer. Provavelmente, iremos viver um novo período, mas mesmo que o ser humano nada fizesse para contribuir em um décimo por cento na elevação da temperatura do planeta, ainda assim não se poderia evitar que as temperaturas subissem em determinadas partes do mundo.

Portanto, apesar de defensor extremado da natureza, não posso aceitar certas teorias e nem tampouco as atitudes terroristas de certos teóricos justamente por ferirem o bom senso.

Que a atividade humana provoque aumento de temperatura até pode ser. A civilização do automóvel escravizou o ser humano e emporcalhou o meio ambiente. Nas grandes cidades e metrópoles ao redor do mundo, há momentos em que se torna difícil respirar. Isto sim nos prejudica. Também nos são prejudiciais as guerras, e a difusão pelo planeta de armamento nuclear coloca-nos em risco direto de extinção, bastando um maluco qualquer apertar um botão.

O desmatamento inconsequente também altera o comportamento natural dos ecossistemas onde este desmate acontece. Enfim, toda atividade humana provoca alterações no meio, e isto, irá repercutir-se no comportamento do clima.

No Brasil, que possui o maior gado bovino do mundo, agora os coitados passaram também a ser vilões do tal “aquecimento”. Pelo menos há um estudo indicativo deste desastre. O que se irá fazer, matar a boiada a pancadas e enterrá-la para não impregnar o ar que respiramos? Chega a ser ridículo.

Onde quero chegar? É que apesar disto tudo ser perfeitamente válido como estudo, nada infere que o planeta esteja em vias de entrar em ebulição. Como movimento ele é importante na medida em que nos colocará a pensar e criar novos meios de tornar a nossa vida melhor. Mas toda a solução tem preço a pagar, tem prós e contras. O que não se pode é condenar o progresso humano porque ele nos permitiu sair das trevas para uma vida mais saudável, a menos, é claro, para aqueles que defendem a ideia de que todos devemos comer capim, viver de trevas e praticar nossas necessidades fisiológicas na casinha...Se alguém quiser adotar o primitivismo para si, está liberado para fazê-lo, mas não tem o direito de querer impor sua barbárie ao restante da humanidade.

O progresso humano não é um acontecimento determinado a partir da industrialização como outros estudiosos estão apregoando. É fruto de um longo processo de evolução. A cada nova dificuldade de sobrevivência, soubemos buscar na criatividade inteligente que carregamos, as soluções e os meios de superação. Se os combustíveis fósseis são poluidores, tratemos de buscar novas fontes alternativas de produção de energia, bem menos agressivas. E isto é o que se está fazendo. Lembram-se do apagão no Brasil em 2001? Como consequência positiva, vimos que o povo brasileiro aprendeu a consumir apenas o necessário, a desperdiçar menos energia. E este princípio vale para tudo: todas as crises nos deixam lições importantes. Provocam mudanças de hábitos. O padrão de comportamento passa a ser mais racional, menos embrutecido, mais inteligente. Enfim, passamos a adotar posturas mais adequadas à própria existência e sobrevivência da espécie. Este germe vem embutido na gênese de cada de um de nós.

Agora, se ouve que os países ricos são responsáveis diretos pelo “aquecimento”, sendo assim, devem entregar parte de suas riquezas aos demais países. Ora, bem ou mal, todos são culpados de uma forma ou de outra pela poluição que nos atormenta, pobres ou ricos. Sou favorável a que se minore a fome que mata milhares ao dia ao redor do mundo, África principalmente. Aí concordo que os ricos devam ser compelidos a pagar. Já em relação ao clima, o custo deve ser global, e não apenas de uns poucos. Porque de um lado é forçoso reconhecer que, enquanto exploravam seus recursos naturais para proporcionar melhor qualidade de vida para seus povos, também é verdade que o restante da humanidade acabou beneficiada pelos progressos e avanços obtidos, e sem terem pago coisa alguma por isso.

Portanto, se o problema é global, todos devem contribuir para benefício de todos. Uns mais, outros menos. Mas o ônus deve ser compartilhado.

Lá no início falamos do terrorismo que se pratica sobre o tal aquecimento, e referimos o risco de quem não advoga das mesmas teses obscurantistas algumas, mas todas certamente longe de serem determinantes. Reparem que sempre há um enorme hiato de tempo entre a previsão e seus previdentes, e os acontecimento catastróficos que aniquilarão o planeta. E se tais previsões não se concretizarem, de quem se irá cobrar daqui duzentos anos os erros premonitórios? É fácil defender teses e jogar as consequências para cinquenta, cem ou até duzentos anos á frente. Acaba que não se tem compromisso algum com a verdade.

Exemplo disto são os profetas de ano novo. Sempre predizem o futuro do ano que entra com incrível precisão. Um ano depois, os previdentes sempre recorrem ao escapismo fajuto e vigarista para justificarem seus erros. E, nem por isso, eles deixam de tentar adivinhar o futuro.

Na abertura da COP15, os debates se tornaram acalorados por conta dos e-mails dos doutores do clima de East Anglia, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, divulgados por um grupo de hackers, nos quais ficava claro a chutometria elevada à máxima potência para tornar o quadro de terror ainda mais sombrio. Claro, claro, eles, os cientistas malucos mas não menos vigaristas, encontraram mil desculpas para a sua esperteza. Tentam no grito, e no terrorismo, ganhar a parada.

A questão do aquecimento não é e nem nunca foi unanimidade dentre os diferentes cientistas. Há quem conteste os vaticínios apocalípticos. Um deles, por sinal é brasileiro. Trata-se do meteorologista da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion, que concedeu uma entrevista bastante interessante para o UOL. Além de contestar sobre os tais efeitos na emissão de CO2 e a devastação que se diz causar, Molion vai em sentido bastante oposto ao da maioria barulhenta: Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global, afirma que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante que a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos. Uauuu! E não pensem que Mollion está sozinho nesta crença. Tem muitos outros ao redor que compartilham da mesma teoria.

A entrevista está publicada no post abaixo. Vale sua leitura e, principalmente, sua reflexão profunda. Além desta entrevista, uma reportagem da revista mensal AVENTURAS NA HISTÓRIA, editada pela Abril Cultural, na sua edição de setembro de 2009, traz um esclarecedor artigo sobre o aquecimento natural do planeta, ocorrido a partir do ano 800 da era cristã. Em outra reportagem, publicada na revista Superinteressante, em abril, completa a lista de leituras que entendemos conveniente para nos manter sabiamente informados, e não incorporarmos, pela desinformação, o espírito destrutivo que nos querem impingir. Somos culpados, mas nem tanto a ponto de comprometer a vida do planeta.

Mesmo sem contestarem a teoria do aquecimento provocado pela ação humana, servem para por um pouco de ordem no caos sobre o tema. Tratar a questão com um pouco de informação e lucidez não faz mal nenhum. Pelo contrário. E, as reportagens deixam claro que, a teoria do aquecimento, não é consenso no mundo científico. É bom que se diga que, dentre os céticos, não existem ativistas, como ocorre do lado dos apocalípticos. É gente séria e que fala com profundo conhecimento de causa.

Existem outros tantos estudiosos de renome mundial contestadores da teoria de final dos tempos com que se debatem os ambientalistas. Ao contrário destes, tais estudiosos são menos acalorados no debate, fazem e provocam menos ruído, mas tem o bom senso de não serem deterministas ou intolerantes. Preferem o debate civilizado, no campo das ideias, das teorias e do resultados de outros tantos estudos a comprovarem a muita picaretagem que se está praticando.

Menos mal: saber que há quem conteste, e o faz com inteiro conhecimento de causa, pelo menos desanuvia este clima perverso que tentam sufocar a opinião pública mundial. E devolve o bom senso que tem faltado lá em Copenhague nas dúzias de eventos, seminários e palestras.

O que se deseja, e este é o objetivo deste artigo e com as leituras abaixo que o acompanha, não é definir com quem está a razão. Na verdade, cada um traz à tona questões que atinge e interessam a todos. Não se pode, porém, é ignorar os críticos do aquecimento ser causado pelo ser humano, dado que, mesmo entre os que defendem que o aquecimento global é real, nem todos convergem nas causas que o provocam.

No fundo, cada lado tem suas razões. A discussão séria, sem exaltação ou emocionalismos vagabundos, é que abrirá luzes sobre o tema. A intolerância, e mais do que isso, a intolerância praticada com violência, nada esclarece. E a oportunidade é excelente justamente para se discutir à exaustão se o aquecimento é real ou não, e em sendo, até onde efetivamente é provocado pela ação do homem. E, dentro deste contexto, procurar caminhos para corrigir a rota ou ao menos minorar as danosas consequências que poderão trazer à vida humana no planeta.

Um último recado: você é capaz de assegurar que as previsões do tempo, para amanhã, em todo o Brasil, feito pelos metereologistas, irá se realizar? Pois é, se no Brasil, já é difícil prever o dia seguinte, o que se dirá em relação ao planeta para daqui cinquenta ou cem anos? Pensem nisso, enquanto os neo terroristas do ambiente proclamam suas profecias!!!!