Adelson Elias Vasconcellos
Se você é um daqueles brasileiros que amam de verdade seu país, deseja vê-lo desenvolvido, com um povo bem educado, trabalhando honestamente, sem depender do caldo de galinha do Tesouro, deve ler a revista Veja deste final de semana. Compre, arranje emprestado, mas, LEIA.
Não, não sou ligado à revista, tampouco escrevo prá ela, sou mero assinante. Assim, como da revista Epoca, dentre outras revistas e jornais. Gosto de estar informado, até porque, para manter um blog no ar há mais de 4 anos, sem informação não dá. Como não escrevo abobrinhas, e faço desta página leitura crítica sobre o meu país e sobre as coisas que nele acontecem, preciso estar digamos, assim...ligado, ômeu, sacou?
Mas vamos lá. Nesta semana, em que a república foi sacudida por alguns terremotos dentro da Casa Civil, que vem a ser nada menos do que o centro nervoso do governo, onde tudo se passa e tudo acontece, vimos o governo Lula despachar a ministra Erenice Guerra, por conta do tráfico de influência, dela e dos filhos - se ela não participou diretamente, deu aval e se omitiu, depois - e, vimos também, como se comporta o PT no poder, quando flagrado com a mão na massa ...ilegal. Lula não demora em mandar embora gente que possa atrapalhar seus planos de poder. Punir, ele não pune, até pelo contrário: o digamos assim, defenestrado, regra geral, acaba sempre melhor do que antes. É a "taxa de sucesso" como prêmio pelo silêncio, uma espécie de "cala a boca" às antigas. Ou seja, muda-se o nome, mas a merda é a mesma. O que não faltam são mensaleiros, sanguessugas e aloprados, dentre outros vilões, para corroborar a tese, não é mesmo?
Sempre que perguntada, antes da queda de Erenice, sobre os recentes episódios, Dilma, candidata inventada por Lula para transferir-lhe "o povo" de dono, ou de mãos, o que dá na mesma, a ex saiu-se com a cretina e cínica expressão de repúdio, "não passa de factóide do meu adversário". Vimos que factóide eram as desculpas de Dilma. Erenice precisou sair rapidinho, para não atrapalhar a campanha da amiga.
Os jornalistas continuaram a cobrar de Dilma alguma explicação. Ela, por muito esperta, precisou mudar o tom do discurso. Invertendo a lógica dos fatos, cobrou uma prova de seu envolvimento. Aqui, se disse - e renovo a mesma afirmação - de que ela devia ao menos explicações convincentec, sim, porque a Casa Civil estava sob seu comando quando os fatos aconteceram. O mínimo dos mínimos é que tivesse sido traída pela melhor amiga sobre quem, a propósito, não quis por a mão no fogo, quando foi perguntada a respeito.
Pois bem, na edição que chega às bancas neste final de semana, a Revista Veja revela que, em julho do ano passado, quando a Dilma era a ministra, o advogado Vinicius de Oliveira Castro, lotado na Casa Civil, que, lembramos, foi o primeiro a cair fora, na lambança de agora, reagiu com extrema excitação, ao se deparar com um pacotaço contendo um presentinho: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. Um colega tratou de tranqüilizá-lo: “É o ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.
Dias antes, em 23 de junho, o governo, diante da ameaça de uma pandemia, acabara de fechar uma compra emergencial desse medicamento — um contrato de 34,7 milhões de reais. O “PP” entregue ao assessor referia-se à comissão obtida pela turma da Casa Civil ao azeitar o negócio.
ATENÇÃO: a ministra era Dilma, a secretaria Executiva era a Erenice Guerra, que viria assumir seu posto apenas em abril de 2010.
Mas, peraí: Que história é essa de "chegou prá todo mundo", e sem que ninguém, nem Dilma tampouco Erenice, percebessem o movimento estranho, com grana viva rolando solta dentro do Gabinete? Gente, "caramba!!!!" dizemos nós, agora!
Bem, há outros segmentos desta história amarga e macabra, para ser um tanto quanto gentil com a patifaria. A revista narra os fatos em todos os seus pormenores. Porém, se antes a gente até poderia admitir as lambanças da Erenice & Família, feitas com desconhecimento da Dilma, agora já não dá. E mais: aquele empresário de Campinas, na época em fazia intensa pressão para a obtenção do empréstimode R$ 9,0 bilhões junto ao BNDES, exibiu e-mail remetido para meio mundo na Casa Civil, e a ministra ainda era dona Dilma, em que cobrava providências. E, ainda assim, ela até agora não deu a menor explicação.
Senhores, representa dizer o seguinte: até aqui, ninguém, nem os envolvidos, acusaram Dilma de qualquer coisa, certo? O que se pede a candidata do Lula, que receberá o povo brasileiro como herança das mãos dele, é que ela esclareça como pode tudo isso acontecer sem que ela conhecesse absolutamente nada? E coisas feitas, não por meros assessores, mas coordenado, ou em conluio, ou só conivência de sua melhor amiga e sucessora no comando do Gabinete. Coisas que ocorreram a poucos passos de sua própria sala e da sala do poderoso chefão.
Mais: como pode circular montanha de dinheiro vivo, sem chamar a atenção de quem quer que seja? Lembrando que o presente deixado para o advogado Vinicius não fora merreca, não! Duzentos mil reais, em espécie, gente, é muita grana viva e com considerável volume para não ser comentada em um ambiente onde as pessoas circulam muito próximas! E, se o presentinho que o advogado recebeu, também foi distribuído para todo mundo, IMPOSSÍVEL ninguém perceber nada. Se Dilma é tão eficiente quanto Lula quer fazer o país inteiro crer, não poderia deixar o caso barato, não! Não se trata mais de "factóide", mas de muitos "factóides" em espécie, para serem ignorados e passarem despercebidos.
Sendo assim, ela deve, queira ou não, dar explicações - ônus do cargo - para todo o país, porque é inadmissível que o Gabinete da Casa Civil seja transformado num puteiro, numa casa de tolerância - e bota tolerância nisso - onde se pratica todo e qualquer ato escuso e lesivo ao país. Da mesma forma, o país não pode continuar sendo comandado com tamanho desatino e por chefes de quadrilhas, labusando-se no dinheiro que não lhes pertence e que, ao invés de serem direcionados para setores nos quais a população mais precisa como a saúde, por exemplo, estão sendo desviados para fazerem a fortuna ilegal de uns poucos que, valendo-se de seus cargos públicos, parecem não terem limites para abocanhar o que não lhes pertence.
Está na hora da dona Dilma dar as explicações a que está obrigada. Mas sem factóides nem faniquitos!!!