João Bosco Rabello - O Estado de São Paulo
De todos os erros atribuídos à campanha do PSDB, dois são consensuais entre os políticos que analisam a distância entre José Serra e Dilma Rousseff nas pesquisas. O primeiro, a recusa às prévias, propostas por Aécio Neves, que poderiam ter evitado a longa agonia da escolha do vice da chapa tucana e garantido apoio mais explícito e comprometido do ex-governador de Minas.
O segundo, evitar a comparação entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, anunciada por este último como estratégia para dar à eleição caráter plebiscitário. Acredita-se agora que o PSDB cumpriu a pauta do adversário que desejaria exatamente o contrário: evitar a comparação.
Ao adotar essa linha de campanha, Serra não evitou o confronto direto com Lula, que se antepôs a Dilma todo o tempo, e deixou de capitalizar a bonança econômica que sustenta a popularidade do atual governo, cujos alicerces foram construídos na gestão FHC.
Esses aliados acham que Serra deixou o marketing conduzir a campanha em detrimento da política e, ao inverter essa lógica, isolou-se cada vez mais.
Acham ainda que ele deveria adotar como linha mestra da campanha a clássica síntese de que no governo do PT o que é bom não é novo e o que é novo não é bom.