Comentando a Notícia
Lula, em discurso proferido em Campinas, além da agressão covarde à imprensa que, diga-se por justiça, tem sido mais leniente e tolerante com seus desmandos do que seria ou foi com qualquer outro governante, bateu no peito e disse que a “opinião pública somos nós”, sendo que o “nós” são os que estão do lado dele.
Ocorre que uma opinião pública, na verdade, não é feita apenas por um único pensamento. As opiniões são divergentes, até contraditórias, por vezes, mas não formam um todo unânime. Querer rotular os que dele divergem como não representando a opinião ou não tendo alma brasileira, é ignorar a diversidade de cultura e de etnias que se reuniu para compor o povo brasileiro. Assim, além de revelar um autoritarismo vagabundo de quinta categoria, Lula deu uma demonstração inequívoca de completa ignorância e um desconhecimento lamentável do seja o povo brasileiro.
Nesta semana, o PT convocou seu exército de mercenários, TODOS sustentados pelo dinheiro da sociedade, para promover um protesto contra a Imprensa que cometeu o crime de noticiar a quadrilha instalada dentro da Casa Civil. Já comentamos sobre o que vem a ser este protesto.
Como nem Lula tampouco o PT são donos do Brasil, como também não lhes cabe reinvidicar a exclusividade da opinião do povo brasileiro, porque nem todos pensam igual, e isto é um direito que lhes assiste, o de discordar, direito diga-se natural e democrático, não poderiam ficar sem resposta. Há uma significativa parcela do país que, não apenas não concorda com Lula mas que, sobretudo, discorda das suas atitudes fora de controle, destemperadas, absolutamente totalitárias, a demonstrar um despreparo para o exercício da função que ocupa.
Neste sentido, parte de alguns renomados intelectuais e homens públicos, decidiu dar um recado ao senhor Lula e a seu partido: a de que não lhes cabe agredir direitos e garantias garantidos na constituição, e que são base indispensável na qual se assenta a democracia brasileira, tão duramente reconquistada e que não está a venda, e nem admite agressões às suas instituições, que pertencem ao Estado e à sociedade, e não a um personagem ou um partido político. O manifesto é claro quando afirma: “É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.”
Há um outro trecho do manifesto para o qual gostaria de chamar atenção, especialmente, da turma do Ministério Público Eleitoral e do Tribunal Superior Eleitoral, porque é impressionante a cegueira desta turma que, somente eles, não perceberam o que o manifesto traduz como a prática mais aviltante de transgressão à legislação eleitoral de que se tem notícia na história republicana do país. O abuso do poder político associado ao abusivo e ilegal uso tanto da máquina quanto dos recursos do Estado, todos canalizados com o propósito de financiar a candidatura governista, representa o que há repulsivo na prática política registrada na história recente do país. E, as instituições a quem caberia vigiar as condutas de diferentes candidaturas, para que o processo eleitoral se transcorra em absoluta consonância com os dispositivos e normas legais, garantindo, deste modo, transparência, lisura e absoluto equilíbrio, simplesmente faz que não vê, não toma atitudes para coibir as transgressões e permite o jogo do vale-tudo cujo resultado final é acentuar cada vez mais a degradação dos costumes, permitindo que as eleições sejam fraudadas por interesses imorais do partido no poder. É um despropósito o cruzar de braços do Ministério Público Eleitoral e do Tribunal Superior Eleitoral a revelar não apenas uma covardia diante dos abusos sistemáticos que se repetem há dois anos, mas sua omissão incita que os transgressores se julguem inimputáveis, sob o beneplácito daqueles que deveriam ser guardiões do estado democrático de direito e parecem ter renunciado sua missão e dever.
Eis o trecho para o qual parte da sociedade, ainda não cooptada pelo desmando totalitário do presidente, manda seu recado aos responsáveis, pelo menos teoricamente, por fazer cumprir as leis vigentes;
" É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. "
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" É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. "
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A seguir, leiam a íntegra do manifesto, noticiado pelo Estadão, que revela toda a indignação de quem ainda não vendeu sua consciência e não se curvou à vontade ridícula, de um governante mais ridículo ainda, que se comporta de forma tão irresponsável e leviana.
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Personalidades lançam manifesto em defesa da democracia
O Estado de São Paulo
Entre os que já assinaram o documento estão Hélio Bicudo, Carlos Velloso, José Arthur Gianotti, Ferreira Gullar e Carlos Vereza
Personalidades de diferentes setores lançam nesta quarta-feira, 22, durante ato público em São Paulo, manifesto em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão, do regime democrático e dos direitos individuais. A meta, segundo eles, é "brecar a marcha para o autoritarismo".
O movimento é apartidário e divulga o Manifesto em Defesa da Democracia às 12h na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Entre os que já assinaram o documento estão o jurista Hélio Bicudo, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, os cientistas políticos Leôncio Martins Rodrigues e José Arthur Gianotti, intelectuais como Ferreira Gullar e Marco Antonio Villa e os atores Carlos Vereza e Mauro Mendonça.
Leia abaixo o texto do manifesto:
"SE LIGA BRASIL"
"MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
"Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
"Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
"Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
"É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
"É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
"É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
"É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
"É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há "depois do expediente" para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
"É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
"É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
"É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
"Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
"Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
"Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos."
