quarta-feira, outubro 20, 2010

Confusão em concurso público é mais uma decorrência da bagunça e politização dos Correios

Ricardo Setti, Veja online

É estranho os Correios terem anunciado, com absoluta tranquilidade, a manutenção para dia 28 de novembro das provas do concurso público para preenchimento de 6.565 vagas, a maioria delas de carteiros.

O concurso tem mais de 1 milhão de brasileiros inscritos, e será realizado em mais de 500 cidades.

Ocorre, porém — como já foi divulgado –, que o concurso acaba de ser suspenso em medida liminar concedida pela 5ª Vara da Justiça Federal, em Brasília.

O MINISTÉRIO PÚBLICO FOI QUEM PEDIU — E não por uma razão qualquer. Foi a pedido do Ministério Público Federal, que encontrou indícios de irregularidades no processo. Não apenas porque os Correios contrataram sem licitação a Fundação Cesgranrio, responsável pelas provas, mas também por suspeita de corrupção envolvendo a própria Cesgranrio, entidade encarregada dos exames vestibulares no estado do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal, que investiga bandalheiras nos Correios, encontrou nos computadores do ex-diretor da empresa Maurício Marinho informações sobre possível pagamento de propinas por parte de fornecedores a diretores da estatal e a políticos com influência nela para obterem vantagens. Suspeita-se de que um desses fornecedores seja a Cesgranrio.

Assim sendo, como podem os Correios — talvez a estatal mais politizada pelo governo Lula, e loteada entre políticos do PMDB — assegurar a realização do concurso no dia 28 de novembro?

Que garantias pode a empresa, infelizmente com a credibilidade construída em décadas no chão devido à sucessão de escandalos lá ocorridos desde 2005, garantir que a Justiça não manterá a decisão da 5ª Vara Federal de Brasília?

Pede-se mais respeito ao 1 milhão de brasileiros interessados no concurso.


Maurício Marinho flagrado recebendo propina nos Correios

O MENSALÃO APARECEU LÁ — E não custa lembrar: a confusão nos Correios, mais esta, é a consequência que se tem quando se rifa estatais entre partidos políticos, como faz o governo Lula.

Não nos esqueçamos de que o colossal escândalo do mensalão, ora em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, começou com um vídeo que mostrava um figurão dos Correios metendo um maço de dinheiro vivo no bolso, lembram?