quarta-feira, outubro 20, 2010

Cristina Kirchner defende nacionalização da imprensa argentina

estadão.com.br

Presidente diz que meios de comunicação precisam defender os interesses nacionais

BUENOS AIRES - A presidente argentina, Cristina Kirchner, defendeu a nacionalização da imprensa do país em discurso nesta terça-feira, 19. Cristina disse ainda que os meios de comunicação precisam defender os interesses do país e não os estrangeiros.

Marco Brindicci/Reuters - 29/06/2008
Cristina vive às turras com a mídia

"Às vezes penso se não seria importante nacionalizar - não estatizar - os meios de comunicação para que adquiram consciência nacional e defendam os interesses do país - não os do governo", disse a presidente em uma inauguração em Mercedes, na província de Buenos Aires, segundo o jornal Clarín.

Cristina lamentou que a imprensa reclame do crescimento do país quando, segundo ela, se foram cúmplices da política de entrega do patrimônio nacional promovida por governos anteriores. A presidente disse ainda que em outros países a imprensa não faz esse tipo de crítica aos governos.

Ainda de acordo com a Cristina, a economia do país está indo 'melhor do que nunca'. Ela defendeu o aumento de gastos públicos durante a crise e o uso de reservas do Banco Central para pagar a dívida externa.

A má relação da presidente com a imprensa, que sempre foi tensa, piorou nos últimos meses. Em agosto, Cristina afirmou que pretendia adquirir o controle da Papel Prensa, a principal fabricante de papel jornal do país, da qual o Estado, o grupo Clarín e o La Nación são acionistas.

Aa licença da Fibertel, empresa de Banda Larga do grupo Clarín, foi revogada sob acusação de irregularidades na fusão com a Cablevisión, em 2002.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há questão de uns dois meses, houve uma reunião do Foro de São Paulo - aquele mesmo que grande parte da nossa imprensa tem medo de falar - em Buenos Aires, e uma dos pontos digamos assim... ajustados, foi de promover o estabelecimento de "marcos regulatórios" para os meios de comunicação social no continente. Marcos regulatórios, a gente sabe, é apenas o rótulo que enfeita a censura. Se você clicar aqui , vai acessar matéria que publicamos em 24.09, sob o título CERCO A IMPRENSA ARGENTINA. Claro que esta briga já vem de há algum tempo. Para ser preciso, antes mesmo de Cristina Kirchner ter assumido. 

Ocorre que as esquerdas latinoamericanas entendem que, implantando algum tipo de censura à imprensa, ficará mais fácil consolidarem seu ideário no continente, atenuando um pouco as forças contrárias que resistem em se entregarem. Afinal, quem de são consciência abre mão de seus direitos individuais, em nome de um projeto de poder? 

Há poucos dias, os jornais boliviamos tiveraqm suas capa publicadas em branco em protesto à censura que o governo Evo Morales tenta impor. Na Venezuela, bem todos já sabemos o que se passa no país que, para Lula da Silva, tem "excesso de democracia". 

Mesmo no Brasil, não foram poucas as tentativas de cerceamento à liberdade de3 expressão. E, se de alguma forma, o governo atual não conseguiu vingar suas tentativas, foi porque a sociedade soube reagir a tempo obrigando o governo a recuar. 

Porém, não se enganem: no Programa Nacional Direitos Humanos, versão 3.0 (e eles tem a cara de pau de chamar aquele de programa  de direitos humanos - patético), cujo decreto Lula assinou às vésperas do Natal de 2009, lá estava embutido a palavrinha mágica que, traduzida em liguagem de gente honesta, nada mais é do que censura. Mesmo tendo que recurar, dormem nas gavetas do Ministério de Comunicação Social do jornalista Franklin Martins, todas as propostas da CONFECOM. O próprio ministro em viagem de férias pela Europa, alegou ter ido colher subsídios para a formulação do projeto para "democratizar" o setor de comunicação no país. 

E, com a eleição de Dilma, a gente sabe até porque José Dirceu, em palestra para sindicalistas na Bahia, afirmou no Brasil haver excesso da liberdade de informar. Ou seja, eles não desisite de, um dia, podarem estes "excessos". Valha-nos Deus se isto um dia acontecer!  

Mais  impressionante nem são eles tentarem retornar com a censura à liberdade de exxpressão. Patético mesmo, são "intelequituais" e alguns artistas como Chico Buarque, assinarem compromisso de aderência à candidatura de Dilma, depois de tantas evidências quanto aos propósitos desta turma. E logo Chico, um dos artistas que mais sofreu perseguição e censura ao tempo da ditadura militar. Vai ver ele gostou, não é?    Sabem, tem aquela coisa da tal síndrome de Estocolmo...