Adriano Pires, Jornal Brasil Econômico
As centrais termelétricas a energia solar se expandiram significativamente nos últimos dois anos no mundo, alcançando a capacidade instalada de aproximadamente 940megawatts (MW). A Espanha, que está na vanguarda no tema, e os EUA possuem respectivamente 51,3% e 46% do total instalado em operação.
Como ocorre com todas as fontes de energia renováveis, o desafio da energia solar térmica em larga escala é chegar a um custo de produção competitivo.
Atualmente o preço médio por megawatt-hora (MWh) gerada em uma usina termoelétrica solar é de R$ 290/MWh, contra uma média de R$120/MWhnas centrais termelétricas convencionais e R$ 85/MWh nas usinas hidroelétricas.
As usinas termoelétricas solares têm apresentado maior expansão que as usinas solares fotovoltaicas no que tange à geração de energia elétrica em grande escala, pois apresentam um custo médio de geração de energia 40% menor do que a produzida pelas usinas que utilizam painéis fotovoltaicos, que têm custo médio de R$480/MWh.
Diferentemente das centrais solares com painéis fotovoltaicos, que utilizam a luz do sol para produzir diretamente energia elétrica, as usinas termoelétricas solares utilizam o calor dos raios solares para aquecer um fluido, geralmente sal liquefeito, que permanece estocado em reservatórios a alta temperatura.
Quando há demanda por energia, o fluido é conduzido até um trocador de calor que gera vapor d’água a alta pressão,movendo uma turbina que produz energia elétrica.
As usinas termoelétricas solares podem utilizar diferentes tecnologias para concentrar o calor do sol, sendo os painéis parabólicos os mais utilizados nas centrais solares em operação.
Em julho de 2009, um consórcio de 13 empresas multinacionais assinou uma carta de intenções para criar um projeto ambicioso de energia solar, denominado Desertec.
Esse projeto prevê a construção de um complexo de usinas termoelétricas solares que utilizarão a tecnologia de painéis parabólicos no norte da África, no deserto do Saara e no Oriente Médio.
O projeto, estimado em US$ 555 bilhões, prevê linhas de transmissão, sendo que a energia produzida nos empreendimentos será capaz de fornecer aproximadamente 15%da eletricidade consumida na Europa.
Embora no Brasil ainda não haja projetos de construção de usinas termoelétricas solares, o país tem enorme potencial.
Segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, elaborado em 2006 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a média diária de radiação solar que incide sobre o território brasileiro ao longo de um ano é de 5,5 quilowatts-hora por metro quadrado (kWh/m2), sendo que em regiões como o oeste da Bahia, a média é superior a 6 kWh/m2, índice equivalente ao do deserto do Saara.
Entretanto, a primeira usina solar do país não será uma termoelétrica, pois utilizará painéis fotovoltaicos. A central solar começou a ser construída em setembro de 2010 no Ceará pela empresa MPX, com investimentos de R$ 10 milhões, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já concedeu a outorga para a construção da usina.