Adelson Elias Vasconcellos
Para quem frequenta o blog há algum tempo, não é novidade nossas afirmações sobre a compulsão que Dilma tem para mentir com a maior cara de pau, devidamente orientada e treinada por seu guru e mentor, Lula da Silva, que, neste quesito, tornou-se um mestre.
No debate da Rede Record, dentre outras coisas, José Serra fez acusações e afirmação sobre a atuação do governo atual em relação à Petrobrás, de pronto, rechaçadas pela candidata Dilma.
Nem bem se passaram 24 horas do debate, alguém resolveu confrontar o que Serra dissera: B-I-N-G-O. Não apenas estavam certas as afirmações de Serra como descobriu-se mais outras leviandades cometidas na estatal.
Quem leu a série de artigos que publicamos sobre as privatizações constatou que ali escrevia-se história, devidamente assentada em fatos, estatísticas oficiais e, claro, a realidade do chamado “dia seguinte” que, no fundo é o que realmente importa, desde que o processo se dê de forma clara e transparente.
O PT adora bater nesta tecla das privatizações. Entende e aposta que a desinformação endêmica do grosso da população conjugada com sua pouca memória, é um dispositivo que lhe favorecesse quando mente. E como mente!!!
Já mostramos, aliás, melhor seria dizer, já provamos que a lei que quebrou o monopólio de exploração da Petrobrás, associada às reformas implementadas na companhia no governo FHC, tiraram a Petrobrás do marasmo em que se encontrava para o gigantismo em que se encontra hoje. Poderia estar melhor, é verdade, não fosse a politicagem ter se misturado aos negócios da estatal.
Quando assumiu, FHC encontrou uma companhia descapitalizada, sem capacidade de investimentos, vivendo apenas corporativamente, com uma produção estagnada em 700 mil barris/dia de petróleo, sendo que o grande volume desta produção sequer se prestava ao fornecimento dos combustíveis necessários ao abastecimento da frota nacional. É bom que se diga, e podem pesquisar a vontade, que a conta petróleo sempre foi uma dor de cabeça para as finanças públicas.
Pois bem, em 2002 ao transferir o governo para Lula, a situação da Petrobrás era outra. A estatal voltara a investir, a produção dobrara, passara para 1,4 milhões de barris/dia, foi feita uma bem sucedida capitalização em nível popular, quando se permitiu que as pessoas físicas utilizassem parte do seu saldo no FGTS para a subscrição de ações (coisa que Lula tentou evitar mas teve que recuar), e com a quebra do monopólio, a Petrobrás firmara dezenas de parcerias que lhe permitiram aumentar a área explorada e a descoberta de novos campos em águas profundas, dentre os quais a camada pré-sal, da qual, estudos anteriores à era Lula, já indicavam enorme potencial.
Assim, aquela baboseira toda que o atual presidente, Sérgio Gabrielli conta aos quatro cantos, não passa de lorota, ou mais precisamente, terrorismo eleitoral.
Mas voltemos às acusações de Serra. Foram ao menos três: a entrega de uma das diretorias da estatal para Collor, em troca de apoio político do ex-presidente, maior número de privatizações de áreas para exploração com favorecimento a investidor privado, e privatização de área do pré-sal.
Antes é preciso explicar uma diferença entre privatização e concessão. Na privatização, você leiloa algum bem ou ativo, e o transfere integralmente ao comando de outra empresa ou consórcio, ou grupo. No caso da concessão, o governo leiloa uma determinada área para exploração, sem jamais deixar de ser proprietário, e a empresa que explorar, terá direito de reter parte do que encontrar a título de retorno de investimento. Porém, a parte do leão, fica em posse da União. Para o governo não há riscos neste tipo, ele é todo da concessionária. Assim, quando Dilma, Lula e Gabrielli dizem que FHC privatizou a Petrobrás conta é uma deslavada mentira. A lei que quebrou o monopólio de exploração foi votada no Congresso, e dela a Petrobrás se beneficiou imensamente e, muito mais ainda, o Brasil.
Portanto, jogue-se no lixo as afirmações de privatizações da Petrobrás alardeadas por Lula e Dilma, afora o lacaio Sérgio Gabrielli que às vezes brinca de ser presidente da estatal, porque isto nunca ocorreu.
Fato 1. – O governo Lula, em troca de apoio político, entregou uma das diretorias à influência de Fernando Collor. Verdade ou mentira? VERDADE. O diretor de Operações e Logística da BR Distribuidora, José Zonis, foi indicado para o cargo pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL). A indicação foi feita em setembro do ano passado.
Fato 2.- O governo Lula “privatizou” áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada, em número maior do que FHC, inclusive favorecendo uma das empresas privadas em especial, a OGX, do Eike Batista. Verdade ou mentira? VERDADE. A concessão de novas áreas de exploração do petróleo à iniciativa privada ocorreu nos seis primeiros anos do governo Lula. O auge foi registrado em 2007, quando 27 empresas ganharam lotes - destas, 16 estrangeiras e 11 que estrearam no país, como operadoras. No total, 108 empresas ganharam áreas, sendo 53 estrangeiras, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Fato 3.- Favorecimento a grupos privados, inclusive na área do pré-sal. Verdade ou mentira? VERDADE. Ildo Sauer que foi diretor da estatal de 2003 a 2007, conta como Eike Batista foi favorecida por Dilma Rousseff já na área do pré-sal, e também toca num outro ponto delicadíssimo, inclusive correndo uma ação na Justiça contra o processo, de favorecimento à White Martins, na área do gás.
Ou seja, entre a realidade e o discurso, há uma enorme diferença. Acusei antes e acuso de novo: o governo, na sua prática compulsiva de mentir para confundir e ludibriar a opinião pública, e disto tirar proveito político, comete um crime contra o país e seu povo.
Nesta edição, um pouco mais baixo, e antes mesmo que o fato aconteça, já fizemos um alerta contra esta mistificação asquerosa que o governo Lula faz da Petrobrás. Ali, deixamos claro que a tal solenidade armada como palanque descarado para se dar o início da operação comercial do pré-sal é uma daquelas manchas que o tempo não apaga. Ou seja: uma fase experimental, que ainda continuará experimental, apenas mudando-se a rotulagem para comercial. Talvez mais adiante saibamos o custo desta macacada toda. O que se lamenta é se torre dinheiro público de forma tão leviana e irresponsável, o mesmo dinheiro que falta aos hospitais para equipá-los com condições de atender a população mais pobre que morre por falta de atendimento de uma rede sucateada não apenas pela omissão, mas pela falta de prioridade da gestão pública, que prefere “investir” no seu projeto de poder, do que nos serviços básicos a que está obrigada e em nome dos quais retira da sociedade mais de 40% entre impostos e contribuições variadas. Infelizmente, o país é quem está pagando a conta da mentira com a qual estes cafajestes, que me perdoe o leitor mas outra expressão não há para classificar estes desqualificados, pretendem se manter no poder.
Os fatos acima estão expostos nas reportagens do jornal O Globo de hoje, e podem ser conferidos nas postagens abaixo. Acho que a disputa política não pode nem deve escorregar pelo terreno lamacento da impostura e da mistificação. O engodo de todo o governo, com a conivência vexatória da atual presidência da Petrobrás tem feito mal, um grande mal à própria estatal, que já perdeu um terço de seu valor de mercado por conta da politicagem rasteira e de submundo. Dilma, no debate da Record, acusou que os 51 anos de história da estatal foram “carne de pescoço” para ficar na suas próprias palavras. Ignorou todo um histórico de trabalho de milhares de técnicos que fizeram a estatal se tornar uma das maiores do mundo. A Petrobrás não passou a existir a partir de 2003, pelo contrário. O que desta data para cá ela tem obtido de sucesso se deve, fundamentalmente, a tudo o que foi feito antes.
E que se registre: esta perda de valor é um processo que vem se dando não de uns poucos meses para cá. Há pelo menos 2 ou 3 anos, o mercado vem percebendo o uso político vagabundo que atentam contra os interesses da companhia e de seus acionistas. O recente processo de capitalização, e que desmascaramos aqui recentemente, é um das coisas mais sórdidas que já se cometeu contra uma empresa. A reação contrária do mercado foi imediata. Ontem, inclusive, ao comentar o debate da Record, mostramos que o sistema de partilha tão festejado pelo governo Lula associado à forma rombuda de capitalização, vão custar muito caro para o país. Esta riqueza que já demoraria certo tempo para se consumar, vai se espichar ainda mais dado a dívida jogado no colo tanto da companhia quanto do próprio governo.
Quem perde? A sociedade brasileira, sem dúvida. Não apenas pelas mentiras perpetradas, pelo jogo político cretino, mas, sobretudo, porque estamos jogando para o futuro uma dívida da qual poucos sabem que um dia terão que saldar. Sejam acionistas ou não.