quarta-feira, outubro 27, 2010

Sem Petrobras, governo teria déficit primário mensal

Adriana Fernandes E Fabio Graner - Agencia Estado
BRASÍLIA - Não fossem os recursos extraordinários originados pela capitalização da Petrobras, o governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) teria registrado em setembro um déficit primário de R$ 5,8 bilhões. Esse seria o pior resultado primário em um ano. De acordo com os dados divulgados pelo Tesouro Nacional, o governo central registrou superávit primário de R$ 26,1 bilhões.

Mas esse número foi obtido graças aos R$ 31,9 bilhões de receita extra originada da engenharia financeira montada pelo governo na capitalização da Petrobras. Ao se subtrair a arrecadação extraordinária obtida com a manobra contábil do resultado efetivo do mês, chega-se aos R$ 5,8 bilhões. O superávit primário corresponde à economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, saiu em defesa da operação de capitalização da Petrobras, cuja engenharia financeira feita pelo governo garantiu a receita extra aos cofres da União. "É uma receita de concessão como outra qualquer. Como sempre foi", defendeu.

Segundo ele, a operação da Petrobras "causou alegria" ao governo. O secretário evitou, no entanto, fazer comentários sobre o fato de que, sem as receitas da Petrobras, as contas do governo central em setembro teriam apresentado um déficit primário. "Não fazemos a conta dessa forma, retirando uma das receitas. Teríamos que refazer toda a série", justificou Augustin.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A justificativa não pode ser mais vigarista do que é. Muito embora, em um primeiro momento, ele veja na apropriação uma "receita", no fundo, se trata de uma dívida que deverá ser paga, cedo ou tarde. E, afinal de contas, nem todos os meses este tipo de receita poderá encobrir o fato de que o governo anda gastando mais do que arrecada, ou seja, além da conta.