quinta-feira, novembro 25, 2010

Chefe da Copa 2010 alerta Brasil sobre atrasos e gastos excessivos

Dassler Marques, Portal Terra

Foto: Dassler Marques/Terra
com a realização da Copa de 2014


Responsável pela organização da Copa do Mundo 2010, o sul-africano Danny Jordaan é a grande atração desta quarta-feira na Soccerex Global Conventin, feira de negócios e futebol realizada este ano no Brasil. Em sua apresentação, Jordan fez alertas e deixou claro que atrasos em obras vão gerar custo elevado.

"Uma aceleração às vezes custa 20% a mais do que você orçou. Seja claro no início e escreva tudo no papel. Assinem para logo começar a pôr as mãos nas obras", observou Danny, que tinha sua palestra marcada para a terça-feira, mas acabou falando apenas um dia depois.

Jordaan defendeu um plano de segurança uniforme para todas as sedes e comparou os questionamentos realizados ao Brasil com os que sempre teve que responder antes da Copa da África do Sul. "Os estádios não estarão prontos, a estrutura hoteleira não estará estabelecida, estradas e aeroportos não estarão prontos, tem o crime...eu tive que responder essas perguntas por 16 anos. Mas no final é trabalho duro e progresso", receitou.

Para o sul-africano, o Brasil deverá adaptar o Mundial às suas peculiaridades, receita levada em conta por ele em 2010. "Há a ideia de que se você fizer do modo brasileiro, não vai ser o melhor do mundo. Entregamos uma Copa do Mundo africana e foi a melhor da história. Não há um tamanho para cada evento. Os brasileiros vão ter que improvisar e adicionar ingredientes seus, é isso que diferencia", avaliou. "Vocês não podem fracassar, nem decepcionar, mas serem decididos".

A possibilidade de a Seleção Brasileira conquistar a Copa do Mundo de 2014, aliás, rendeu uma brincadeira do sul-africano. "Não vamos falar do que ocorreu no Catar (derrota para a Argentina). Vocês têm um time para trabalhar e os estádios para fazer. Não sei se vocês vão dizer que a prioridade é ganhar a Copa ou sediar uma boa Copa", disse sorridente.

Danny Jordaan disse acreditar que a realização do Mundial pode acelerar obras emperradas. Ele afirmou que, às vezes, são tantas conversas que as coisas não saem do papel. "Discutimos um aeroporto em Durban por 15 anos, mas por causa da Copa fizemos em 15 meses".

Um dos avaliadores das candidaturas de 2018 e 2022, ele afirmou "nunca ter visto equilíbrio. Será acirrado e decidido após os 45 minutos do segundo tempo". A decisão do Comitê Executivo da Fifa a respeito dos dois próximos mundiais será anunciada na próxima quinta-feira, 2 de dezembro.

Danny Jordaan alertou as autoridades brasileiras sobre os custos