O Globo e Agências internacionais
SANTO DOMINGO - A República Dominicana anunciou nesta terça-feira que registrou seu primeiro caso de cólera, doença que já deixou mais de mil mortos no vizinho Haiti. Os dois países ficam sobre a mesma ilha no Caribe.
Segundo o departamento de saúde dominicano, o doente é um dos mais de um milhão de haitianos que moram na República Dominicana. Ele esteve há 12 dias em seu país natal e continua internado, mas sua situação é considerada estável.
Da mesma forma que o Haiti, até este ano a República Dominicana, que tem 10 milhões de habitantes, nunca havia confirmado um caso de cólera.
Com o vizinho com quase 17 mil doentes, o governo dominicano já havia instalado há duas semanas um controle rígido na extensa fronteira para impedir que o cólera entrasse no país. Entre as medidas adotadas, restrições na entrada de haitianos e até no comércio bilateral.
O crescente setor turístico dominicano é responsável por 13% do PIB do país, e as autoridades temem que a epidemia afaste viajantes. O caso confirmado nesta terça foi registrado na região turística de Punta Cana y Bávaro.
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Flórida registra caso de cólera em meio à epidemia que já matou mais de mil no Haiti
O Globo e Agências internacionais
RIO - A Flórida anunciou nesta quarta-feira o primeiro caso de cólera importado do Haiti. A vítima é uma mulher que mora no condado de Collier, no sudoeste do estado americano, e que esteve recentemente no país caribenho visitando parentes. O Haiti está enfrentando uma epidemia da doença, que já matou mais de mil pessoas e deixou 16.700 hospitalizadas.
Autoridades sanitárias afirmam que a vítima passa bem, mas se recusaram a divulgar mais detalhes. Este é o único caso confirmado da doença na Flórida. Mas segundo o Dr. Thomas Torok, do Departamento de Saúde da Flórida, o estado está investigando outros casos suspeitos.
- Nós realmente não acreditamos que haverá transmissão da doença na Flórida ou em qualquer outro lugar nos Estados Unidos - disse Torok. - O risco é muito baixo porque os nossos sistemas de água e saneamento realmente minimizam os riscos para as pessoas.
Ele comparou a atual situação no Haiti com uma epidemia de cólera que atingiu a América Latina durante a década de 1990. Na ocasião, a Flórida teve cerca de 20 casos de cólera "importados". As autoridades de Saúde exortam os viajantes que regressaram recentemente do Haiti a procurarem atendimento médico urgente caso apresentem algum dos sintomas da doença.
Na terça-feira, a República Dominicana anunciou ter registrado o seu primeiro caso de cólera . A vítima é haitiana. Os dois países ficam na mesma ilha.
Protestos contra disseminação de cólera
Enquanto isso, no Haiti, a situação fica cada dia mais tensa. O governo perdeu o controle da segunda maior cidade do país, Cap Haitien, segundo relatos obtidos pela rede CNN nesta quarta-feira. Manifestantes foram às ruas e queimaram carros e pneus, sob a acusação de que soldados da força de paz da ONU disseminaram o cólera no Haiti.
Diante da situação de violência crescente - um manifestante foi morto na segunda-feira - agências humanitárias pediram o fim imediato dos protestos, que estão comprometendo os esforços para conter o cólera na região. Os suprimentos médicos estão chegando ao fim e os profissionais da área de saúde estão tendo grande dificuldade de combater a doença.
- Pedimos que todos os envolvidos nesses protestos orquestrados deem um fim a eles imediatamente, para que os parceiros nacionais e internacionais possam continuar a salvar vidas - afirmou Nigel Fisher, coordenador de uma organização de ajuda humanitária no país.
ONU critica manifestações de haitianos
Para a Organização das Nações Unidas (ONU), os ataques dos haitianos contra os trabalhadores voluntários e contra os soldados da entidade no Haiti têm o objetivo de criar um clima da instabilidade política no país e estão atrasando seriamente a resposta internacional para a epidemia de cólera que assola a nação caribenha.
Voos com ajuda humanitária foram cancelados, os processos de purificação de água e de treinamento foram cortados, informou a ONU. A entidade ainda informou que armazéns de alimentos foram incendiados ou saqueados.
"O modo como os eventos ocorreram sugere que os incidentes têm motivação política e têm o objetivo de criar um clima de insegurança para as eleições. A Minustah pede para que as pessoas permaneçam em atenção e não se deixem manipular pelos inimigos da estabilidade e da democracia no Haiti", diz o comunicado da ONU.
O país, o mais pobre das Américas, ainda se recupera do terremoto que o devastou em janeiro, deixando cerca de 200 mil mortos e 1,3 milhão de desabrigados.